A mãe de João Munhoz Neto, Sara Regina Alexandre Munhoz, foi exonerada de um cargo comissionado na Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP). A decisão consta em ato publicado no Diário Oficial do Estado.
Sara ocupava cargo de coordenadoria na estrutura organizacional da SAP. O ato foi assinado pelo secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização, Mauro Albuquerque.
O documento não informa o motivo da exoneração. Por isso, não é possível estabelecer, a partir do ato publicado no Diário Oficial, uma relação direta entre a decisão administrativa e a investigação sobre a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi.
O que diz o Diário Oficial sobre a exoneração
A publicação informa que a exoneração foi realizada com base no artigo 63, inciso II, da Lei nº 9.826, de 14 de maio de 1974, além das normas que delegam ao secretário da Administração Penitenciária atribuições para atos relacionados à estrutura da pasta.
O ato registra Sara Regina Alexandre Munhoz como ocupante do cargo de direção e assessoramento de provimento em comissão de Coordenador, símbolo DNS-2. A exoneração tem efeitos retroativos a 22 de setembro.
O texto oficial não apresenta justificativa adicional para a medida. Também não informa se a exoneração está relacionada a algum procedimento administrativo, à investigação policial ou a qualquer outro fato envolvendo a servidora.
Quem é Sara Regina Alexandre Munhoz
Sara é mãe de João Munhoz Neto, preso preventivamente na terça-feira (22) durante a investigação sobre a morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos. Antes da exoneração, ela ocupava uma função comissionada na Secretaria da Administração Penitenciária.
A ligação de Sara com o caso passou a ser investigada após a Polícia Civil realizar diligências relacionadas à família de João. No domingo (20), policiais localizaram a mãe dele em Cumbuco, em Caucaia, e cumpriram um mandado de busca e apreensão. Um celular e um tablet foram recolhidos para análise pericial.
As medidas fazem parte da investigação sobre as circunstâncias da morte de Isabelle. A Polícia Civil também solicitou medidas relacionadas a dados telefônicos e telemáticos de João e Sara, com o objetivo de analisar registros de comunicação, localização e mensagens que possam contribuir para a reconstrução da cronologia do caso.
Depoimento de João também menciona a mãe
Em depoimento prestado à Polícia Civil, João Munhoz apresentou informações sobre a rotina do apartamento onde vivia com Isabelle, o irmão e a mãe.
Entre os pontos relatados, João afirmou que havia uma câmera dentro do apartamento, instalada pela mãe dele no fim de agosto. Segundo a versão apresentada pelo próprio João, o equipamento teria sido colocado porque Sara acreditava que havia algo errado no ambiente.
Ele também declarou que o sistema funcionava com detecção de movimento e que o controle ficava com o irmão. A existência e a dinâmica dos equipamentos de monitoramento estão entre os pontos que passaram a ser considerados pela investigação.
A Polícia Civil também analisou imagens de câmeras existentes em outras áreas do condomínio para reconstruir os deslocamentos de Isabelle e das demais pessoas que estavam no prédio no dia da morte. No entanto, o rooftop, área na cobertura do prédio, não tem câmera instalada, segundo informações apresentadas pela perícia.
Morte de Isabelle segue sob investigação
Isabelle Caracristi foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, na noite de 13 de setembro. A estudante havia subido sozinha até a área do 23º andar antes da queda.
A perícia apontou lesões compatíveis com impacto contra o solo e exames toxicológicos não identificaram substâncias de interesse. O perito-geral Júlio Torres também informou que a dinâmica analisada pelos especialistas é compatível com uma precipitação voluntária.
Mesmo com os resultados periciais, a investigação continua analisando acontecimentos anteriores à queda. Entre os pontos apurados estão mensagens, depoimentos, aparelhos eletrônicos, imagens de segurança e relatos sobre o relacionamento entre Isabelle e João.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de induzimento ou instigação ao suicídio e outros fatos relacionados à conduta de João antes e depois da morte da estudante. A defesa dele contesta qualquer participação na morte de Isabelle.
João Munhoz está preso preventivamente
João foi preso preventivamente na terça-feira (22), após passar a ser procurado pela Polícia Civil. A prisão foi mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23).
O caso tramita sob sigilo. A medida judicial ocorre enquanto os investigadores analisam diferentes elementos reunidos desde a morte de Isabelle, incluindo os aparelhos apreendidos, depoimentos e registros de câmeras.




