O depoimento de João Munhoz Neto à Polícia Civil trouxe detalhes sobre o início do relacionamento com Isabelle Caracristi e revelou que ele ainda era formalmente casado quando os dois começaram a namorar. Segundo a versão apresentada pelo próprio João, ele estava separado de fato da então esposa e já havia iniciado um processo de divórcio, mas decidiu esconder essa situação de Isabelle no começo da relação por medo da reação dela.
João afirmou aos investigadores que, posteriormente, contou à estudante que ainda era casado. A situação aparece no depoimento como parte dos questionamentos sobre o relacionamento entre os dois e sobre as circunstâncias que antecederam a morte de Isabelle, encontrada morta no condomínio onde morava, na Aldeota, em Fortaleza.
João relata como começou o relacionamento com Isabelle
No depoimento, João contou que conheceu Isabelle em um escritório de correspondência jurídica onde trabalhava. Segundo a versão apresentada por ele, a estudante participou de um processo seletivo e passou a trabalhar no local.
João afirmou que, inicialmente, a relação entre os dois era profissional. De acordo com o depoimento, a aproximação amorosa ocorreu depois que Isabelle começou a trabalhar no escritório, e o namoro teria durado pouco mais de um mês.
A mãe de Isabelle já havia relatado anteriormente que a filha começou a estagiar no escritório no início de julho e que, poucos dias depois, teria sido transferida para trabalhar diretamente com João. Isorlanda Caracristi também afirmou que o relacionamento começou rapidamente. Essas informações são relatos da família e não representam, por si só, uma conclusão policial.
João diz que escondeu o casamento no início
Ao ser questionado sobre o estado civil, João declarou que era casado quando iniciou o relacionamento com Isabelle. Segundo ele, entretanto, a união já estava rompida na prática e havia um processo de divórcio em andamento.
O investigado afirmou que, no começo, não contou a Isabelle que ainda mantinha o casamento formal porque tinha receio da reação dela. Posteriormente, segundo seu relato, ele explicou a situação.
Esse ponto do depoimento contrasta com a manifestação apresentada pela defesa depois da prisão. A advogada Lígia Peixe declarou que João “em nenhum momento negou” que fosse casado e afirmou que Isabelle teria conhecimento da situação.
Por isso, a informação de que João escondeu o casamento deve ser atribuída à versão apresentada por ele no depoimento. O que está documentado é que havia um casamento formal e que o relacionamento com Isabelle começou antes da conclusão do divórcio.
Família relatou comportamento controlador
O relacionamento também é investigado a partir de relatos de familiares e testemunhas que mencionaram possíveis comportamentos de controle.
A mãe de Isabelle afirmou que a filha teria passado a relatar situações que a preocupavam, incluindo questões relacionadas a dinheiro, autonomia e comportamento de João. O irmão da estudante também afirmou que havia elementos na relação que precisavam ser esclarecidos.
A Polícia Civil passou a considerar relatos sobre possível violência psicológica e controle dentro do relacionamento. Essas hipóteses ainda são objeto de investigação e não devem ser tratadas como conclusões definitivas sobre a conduta de João.
João também falou sobre conflitos do casal
No depoimento, João apresentou sua própria versão sobre a convivência com Isabelle e negou ter praticado agressões ou ameaças contra ela.
Ele afirmou que havia discussões entre os dois e relatou episódios de conflito. Segundo sua versão, tentava acalmar Isabelle quando ela ficava alterada.
O conteúdo do depoimento é analisado pelos investigadores em conjunto com mensagens, áudios, imagens de câmeras e declarações de outras pessoas que tiveram contato com o casal.
Entre os elementos reunidos está também um áudio enviado por Isabelle a um primo antes da morte. Segundo relatos familiares, a estudante teria falado sobre problemas no relacionamento e pedido que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.
Depoimento também aborda as últimas horas de Isabelle
João afirmou à Polícia Civil que Isabelle retornou ao apartamento por volta das 17h50 do dia 13 de setembro. Segundo ele, os dois conversaram sobre as dores que ela sentia no pescoço.
O investigado declarou que saiu para participar de uma missa na Igreja de Fátima por volta das 18h40. Enquanto estava na celebração, segundo seu relato, recebeu mensagens de Isabelle.
Entre 19h14 e 19h16, João afirmou ter recebido uma mensagem na qual ela dizia: “Realmente eu não estou aguentando. Estou sentindo uma sensação estranha”.
João declarou que não interpretou a mensagem como um indicativo de que Isabelle poderia tirar a própria vida. Ele afirmou que pretendia retornar e levá-la a um atendimento médico.
A versão apresentada por João está sendo confrontada pela investigação com os registros de câmeras e demais elementos reunidos no inquérito.
Perícia analisou queda do 23º andar
Isabelle foi encontrada morta por volta das 20h40 de 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza.
A perícia apontou politraumatismo provocado pelo impacto contra o solo e informou que os exames toxicológicos não encontraram substâncias de interesse. A análise também descartou gravidez.
Segundo o perito-geral Júlio Torres, as lesões identificadas são compatíveis com uma queda de alta energia e não foram encontrados sinais de agressões anteriores no pescoço ou nos braços.
O rooftop não possuía câmeras de segurança. Os equipamentos existentes em outras áreas do condomínio foram utilizados para reconstruir os deslocamentos e a dinâmica da queda. A Polícia Civil informou que não identificou, nas imagens disponíveis, outra pessoa acompanhando Isabelle até o local, mas o espaço onde ocorreu a queda não era diretamente monitorado.
João foi preso durante investigação
João Munhoz foi preso preventivamente na terça-feira (22), durante o avanço da investigação. A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23).
A Polícia Civil investiga, entre outras hipóteses, eventual induzimento ou instigação ao suicídio, além de outros fatos relacionados ao relacionamento e aos acontecimentos anteriores à morte. A defesa contesta a participação de João e sustenta a hipótese de suicídio.
A investigação também analisa celulares, mensagens, áudios, imagens de câmeras e depoimentos. O celular de João foi entregue à Polícia Civil durante o depoimento, acompanhado da senha para acesso ao aparelho.
O caso permanece em investigação e tramita sob sigilo judicial.
Relembre o caso Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi tinha 22 anos e era estudante de Direito. Ela foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, onde morava com João e familiares dele.
A investigação passou a analisar as circunstâncias da morte depois que familiares apresentaram informações sobre o relacionamento e solicitaram esclarecimentos sobre os acontecimentos anteriores à queda.
Novas diligências foram realizadas, incluindo perícias no apartamento e nas áreas comuns, análise de imagens de segurança, coleta de material para exames e apreensão de aparelhos eletrônicos.
A investigação também ouviu familiares e outras pessoas próximas à estudante. Entre os pontos ainda analisados estão o conteúdo das comunicações de Isabelle antes da morte, a dinâmica do relacionamento e as circunstâncias que antecederam a queda.




