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POLÊMICA

Ala evangélica bolsonarista estaria articulando retirar de Aparecida título de Padroeira do Brasil

O tema também ganhou dimensão específica entre católicos.

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Ala evangélica bolsonarista esaria articulando retirar de Aparecida título de Padroeira do Brasil
As manifestações passaram a ser relacionadas ao ambiente eleitoral de 2026 (Foto: Reprodução)

A imagem de Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar espaço no debate político das eleições de 2026 após manifestações recentes de integrantes da Igreja Católica e a circulação de relatos envolvendo a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O tema ganhou repercussão principalmente nas redes sociais, onde voltou a circular a informação de que setores evangélicos defenderiam a retirada da santa da condição de padroeira do Brasil e que uma eventual vitória de Flávio poderia reabrir essa discussão.

Até o momento, porém, o principal projeto de lei identificado com essa proposta é antigo e não está em tramitação. O PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT), foi arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008. A proposta pretendia alterar a legislação que trata do feriado de 12 de outubro para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por uma referência à padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.

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O assunto voltou à tona nesta quinta-feira (24), após um comentário de Maria Cristina Fernandes na GloboNews. Segundo ela, a polêmica pode beneficiar a candidatura do PT. "Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora de Aparecida da condição de Padroeira e que pode sim surtir efeito entre os católicos a favor do Lula", analisou.

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A retomada do assunto ocorre em um momento de intensa disputa eleitoral e de maior exposição pública de manifestações religiosas relacionadas às eleições. Um dos episódios que ganhou repercussão foi uma homilia do arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, realizada no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

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Nossa Senhora Aparecida e as eleições de 2026

Durante a celebração, Dom Orlando Brandes falou sobre a escolha dos candidatos e defendeu que os eleitores levassem em consideração a própria consciência, o conhecimento e o bem comum.

“Nossa Senhora, padroeira do Brasil, nesse ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência, segundo o nosso conhecimento. Pensando no bem de todos, pensando no bem comum”, afirmou o religioso.

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Na mesma homilia, o arcebispo emérito também abordou a soberania nacional. “Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui. Aqui é nossa soberania, aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria”, declarou.

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As manifestações passaram a ser relacionadas ao ambiente eleitoral de 2026, mas a fala de Dom Orlando, conforme os trechos divulgados, não apresenta apoio explícito a um candidato específico. A orientação foi direcionada à escolha dos eleitores e a critérios como consciência e bem comum.

O episódio se soma a outras manifestações de integrantes da Igreja Católica que passaram a circular nas redes sociais durante o período eleitoral. Bispos da Regional Norte 1 da CNBB, por exemplo, divulgaram orientações relacionadas à escolha de candidatos, mencionando democracia, direitos da população, natureza e soberania nacional.

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Esse movimento não significa, por si só, uma posição única de todos os católicos ou uma orientação oficial da Igreja para voto em determinado candidato. A própria cobertura sobre o tema registra diferentes posicionamentos dentro do universo católico e a ausência de uma indicação formal de apoio a uma candidatura presidencial específica.

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Existe projeto para retirar Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira?

A discussão precisa ser separada de uma informação que voltou a circular nas redes sociais: a existência de um projeto atualmente em análise na Câmara dos Deputados para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Esse projeto existiu, mas está arquivado há anos.

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O PL 2.623/2007 foi apresentado por Professor Victório Galli em 12 de dezembro de 2007. A proposta alterava a Lei nº 6.802, de 1980, responsável por estabelecer o feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.

A mudança proposta não acabaria com o feriado. O texto pretendia modificar a denominação utilizada na legislação, passando de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A própria Câmara registrou que a proposta foi arquivada em agosto de 2008.

Em 2018, a Câmara voltou a esclarecer a situação depois que informações falsas passaram a circular nas redes sociais afirmando que o projeto estaria sendo analisado pelo Congresso. Segundo a Casa, a proposição havia sido arquivada em 22 de agosto de 2008, após rejeição quanto ao mérito na comissão que analisou a matéria.

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Portanto, a existência histórica do PL 2.623/2007 não significa que haja, neste momento, uma proposta antiga em tramitação com esse objetivo.

Qual é a relação do tema com Flávio Bolsonaro?

A discussão ganhou uma dimensão eleitoral porque Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República em 2026, é identificado publicamente com o campo político conservador e possui relação com setores evangélicos que fazem parte da base política do bolsonarismo.

Reportagens publicadas ao longo de 2026 também registraram movimentações para aproximar a candidatura de Flávio do eleitorado católico. Uma delas apontou que uma possível candidata a vice na chapa, a deputada Simone Marquetto, intensificou agendas com católicos e possui atuação pública ligada ao segmento religioso.

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É nesse contexto que a questão envolvendo Nossa Senhora Aparecida passou a ser associada à disputa eleitoral. Entretanto, é necessário distinguir o que está documentado do que aparece como relato, interpretação ou conteúdo compartilhado nas redes.

Não foi localizado, nas fontes consultadas, um projeto de lei atual de autoria de Flávio Bolsonaro propondo retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. O projeto histórico que trata diretamente dessa alteração foi apresentado por Victório Galli e está arquivado desde 2008.

Também há registro anterior de conteúdos falsos que atribuíram a Jair Bolsonaro ou a seus filhos propostas relacionadas à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida ou ao fim do feriado de 12 de outubro. Checagens publicadas pelo Comprova, Folha e Aos Fatos concluíram que essas atribuições eram falsas.

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Por que o tema ganhou espaço na campanha?

A religião tem presença histórica na sociedade brasileira e também aparece no debate eleitoral. Em 2026, manifestações de lideranças religiosas passaram a receber maior atenção em razão da proximidade do primeiro turno e da disputa pelo eleitorado de diferentes segmentos religiosos.

O tema também ganhou dimensão específica entre católicos. Reportagem publicada pela Folha em julho apontou que Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de ampliar sua interlocução com esse eleitorado, apesar da força de setores evangélicos no campo político associado ao bolsonarismo.

A discussão sobre Nossa Senhora Aparecida, portanto, reúne elementos diferentes: manifestações recentes de religiosos, circulação de conteúdos nas redes sociais, a existência de um projeto de lei antigo e arquivado e as estratégias eleitorais dos candidatos para dialogar com diferentes grupos religiosos.

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Nesse cenário, a referência à padroeira do Brasil adquiriu significado político, mas os fatos precisam ser separados das interpretações eleitorais feitas sobre eles.

Nossa Senhora Aparecida foi declarada padroeira do Brasil pelo papa Pio XI em 1930. O feriado nacional de 12 de outubro foi instituído pela Lei nº 6.802, de 1980. O projeto de 2007 buscava modificar a redação dessa lei, mas não avançou e acabou arquivado.

Assim, a informação central para o debate eleitoral de 2026 é que não há, no projeto de 2007, uma proposta atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. O que existe é um episódio legislativo de quase duas décadas atrás que voltou a ser citado em meio à atual disputa política e religiosa.

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