A Polícia Civil apreendeu o carro do irmão de João Munhoz Neto durante as investigações sobre a morte de Isabelle Caracristi, e uma câmera foi localizada dentro do veículo. O equipamento agora passa por análise para esclarecer sua origem e se tem relação com a câmera que havia sido instalada na porta do apartamento onde Isabelle e João moravam.
Até o momento, não há confirmação de que os dois equipamentos sejam o mesmo. A investigação já havia identificado que uma câmera particular instalada na soleira da porta do apartamento foi retirada, mas os investigadores não conseguiram estabelecer quando isso ocorreu nem quem fez a retirada.
A nova apreensão acrescenta mais um elemento à apuração, que reúne imagens de segurança, aparelhos eletrônicos, mensagens, áudios, depoimentos e perícias para reconstruir os acontecimentos anteriores e posteriores à morte da estudante.
As forças de segurança, no entanto, destacam que o carro já foi liberado e que o mandado de busca dizia respeito especificamente à vistoria. Todo o material apreendido foi devolvido. O caso segue sendo apurado.
Investigação já havia identificado retirada de câmera
Segundo informações divulgadas no curso da investigação, uma câmera foi retirada da porta do apartamento, mas não foi possível determinar publicamente em que momento isso aconteceu ou quem fez a retirada.
O próprio João mencionou o equipamento em seu depoimento. Segundo a versão apresentada por ele, a câmera havia sido instalada pela mãe dele no fim de agosto, porque ela acreditava que havia algo errado no apartamento.
João afirmou ainda que o equipamento funcionava por detecção de movimento e que o sistema era controlado pelo irmão. Ele negou ter retirado câmeras do imóvel.
Rooftop onde Isabelle caiu não tinha câmera
A investigação também precisa lidar com uma diferença importante entre os equipamentos existentes no condomínio.
O rooftop (área na cobertura do prédio) do 23º andar, de onde Isabelle caiu, não possuía câmeras de segurança. A informação foi confirmada pelo perito-geral da Perícia Forense do Ceará, Júlio Torres.
As câmeras existentes em outros pontos do prédio, porém, registraram parte da movimentação da estudante e de João. Segundo as informações apresentadas pela investigação, Isabelle aparece seguindo sozinha para o último andar antes da queda.
A ausência de equipamento no próprio rooftop significa que não existe uma gravação direta do momento em que Isabelle esteve naquele espaço. As imagens de outros locais são utilizadas para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
A Polícia Civil informou que não identificou, nas imagens disponíveis, movimentação de outra pessoa acompanhando Isabelle até o rooftop. Isso não equivale a uma gravação do local da queda, já que aquela área não era monitorada por câmeras.
O que as câmeras do condomínio mostram
As imagens de segurança ajudaram os investigadores a estabelecer parte da cronologia do dia 13 de setembro.
Registros indicam que João e a mãe dele deixaram o condomínio antes de Isabelle subir para o rooftop. Posteriormente, a estudante foi registrada sozinha no elevador, com o celular, seguindo para o 23º andar.
O horário estimado da morte é por volta das 20h40. João retornou ao condomínio aproximadamente às 22h48, quando equipes responsáveis pelo atendimento da ocorrência já estavam no local.
A cronologia das imagens é confrontada com os depoimentos prestados à Polícia Civil e com os dados obtidos dos aparelhos celulares.
João também falou sobre câmeras em depoimento
Durante o depoimento, João apresentou sua versão sobre os equipamentos de monitoramento existentes no apartamento.
Segundo ele, a mãe teria instalado a câmera na porta no fim de agosto. João afirmou que o objetivo era acompanhar movimentações por causa de uma preocupação que ela havia manifestado.
Ele também negou ter removido o equipamento. A identificação da câmera encontrada no carro do irmão poderá ajudar a esclarecer se existe alguma relação entre o objeto apreendido e o equipamento que ficava na entrada do apartamento.
A análise pericial será necessária para verificar características técnicas, eventuais registros e outros elementos que permitam estabelecer a origem da câmera.
Celular de Isabelle também é analisado
A nova apreensão ocorre em meio a outras diligências relacionadas aos aparelhos eletrônicos do caso.
O celular de Isabelle foi periciado e apresentou uma lacuna de aproximadamente 19 horas nos dados recuperados, entre cerca de 2h e o horário estimado da morte. O aparelho ficou danificado após a queda, e a ausência de registros nesse intervalo não significa, por si só, que tenha ocorrido apagamento intencional.
A Polícia Civil também recolheu equipamentos pertencentes à mãe de João durante uma diligência realizada em Cumbuco, em Caucaia. Na ocasião, foram apreendidos um celular e um tablet para perícia.
O conjunto desses equipamentos é analisado para tentar reconstruir comunicações, deslocamentos e outros acontecimentos relacionados à noite da morte.
Perícia apontou queda como dinâmica da morte
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro.
A perícia apontou politraumatismo compatível com impacto contra o solo. Exames toxicológicos tiveram resultado negativo para substâncias de interesse, e o perito-geral Júlio Torres afirmou que a análise da dinâmica é compatível com uma precipitação voluntária.
Também não foram identificados sinais de agressões anteriores no pescoço ou nos braços. A queda teria durado aproximadamente três segundos, segundo a análise pericial apresentada no caso.
Essas conclusões dizem respeito à dinâmica física da queda. A investigação continua analisando os acontecimentos que antecederam a morte e possíveis condutas relacionadas ao relacionamento de Isabelle com João.
João está preso preventivamente
João Munhoz Neto foi preso preventivamente na terça-feira (22), no curso da investigação. A prisão foi mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada na quarta-feira (23).
A Polícia Civil investiga, entre outras hipóteses, possível induzimento ou instigação ao suicídio, além de questões relacionadas à violência psicológica e à eventual obstrução da investigação.
Depoimentos reunidos pela polícia também apontaram relatos de comportamento controlador no relacionamento. Essas informações fazem parte da investigação e não representam, isoladamente, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade de João pela morte.
A defesa contesta a participação dele no caso e sustenta que não existem elementos materiais que comprovem que João tenha provocado ou contribuído para a morte de Isabelle.




