O advogado Rudá Bezerra de Carvalho, chefe de Isabelle Caracristi e de João Munhoz Neto no escritório onde os dois trabalhavam, relatou à Polícia Civil que a estudante dizia se sentir “sufocada” e “presa” pela dinâmica profissional com o namorado. Segundo o depoimento, a situação levou o responsável pelo escritório a adotar medidas para manter os dois fisicamente afastados durante o expediente.
A informação foi apresentada pelo advogado Leandro Vasques, que representa Rudá. De acordo com ele, Isabelle procurou o então chefe para relatar o que vivia no ambiente profissional. “Ela já havia relatado ao doutor Rudá Carvalho que se sentia sufocada na dinâmica profissional, nas rotinas, por condutas do próprio senhor João Munhoz”, afirmou.
O depoimento acrescenta um novo relato sobre a relação entre Isabelle e João antes da morte da estudante, ocorrida em 13 de setembro, quando ela caiu do 23º andar do condomínio onde morava com o namorado, no bairro Aldeota, em Fortaleza.
Chefe diz que Isabelle se sentia “sufocada” no escritório
Segundo o relato apresentado à polícia, Rudá percebeu que a relação entre Isabelle e João ultrapassava a esfera pessoal e passou a interferir na rotina do escritório. O advogado afirmou que o chefe chegou a determinar uma mudança na disposição dos computadores por causa disso:
“Doutor Rudá havia determinado, inclusive, o distanciamento físico internamente, para que ambos não ficassem permanentemente próximos”, disse Leandro Vasques à TV Cidade Fortaleza.
O advogado também afirmou que Rudá advertiu João sobre a situação. O relato indica que o chefe considerava necessário alterar a dinâmica profissional para evitar que Isabelle permanecesse naquela condição.
As declarações constam de depoimento prestado no curso da investigação. Outros relatos já divulgados também mencionam que pessoas próximas a Isabelle descreviam incômodos e comportamentos de controle na relação. A Polícia Civil informou que investiga a possibilidade de violência psicológica e de induzimento ou instigação ao suicídio.
A defesa de João, por outro lado, contesta a existência de elementos que comprovem comportamento controlador ou violência psicológica por parte dele.
Isabelle deixou o escritório em agosto
Isabelle, que cursava Direito, deixou o escritório em 17 de agosto. Segundo o depoimento de Rudá, ela apresentou questões pessoais como justificativa para o desligamento e não apontou diretamente o relacionamento com João como motivo para a saída.
Depois que Isabelle deixou o trabalho, João teria solicitado mais de uma vez que ela fosse readmitida. O pedido, entretanto, não foi aceito pelo responsável pelo escritório.
Na mesma época, João deixou de trabalhar presencialmente e passou a atuar em regime de home office. O advogado Leandro Vasques também explicou que Rudá havia participado de questões jurídicas relacionadas ao divórcio de João, mas posteriormente deixou de atuar no processo.
“Posteriormente, após a infeliz tragédia, o Dr. Rudá também já renunciou à procuração relacionada a essa ação, uma vez que não se sentiu mais confortável em permanecer nesse cenário”, afirmou Leandro.
Busca em carro ocorreu durante novos depoimentos
Enquanto familiares e pessoas próximas a João prestavam depoimento na 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, investigadores também realizaram uma busca em um veículo utilizado pelo irmão dele.
O carro ficou estacionado no pátio da delegacia e foi submetido a uma ordem judicial de busca e apreensão. A medida autorizou a vistoria do veículo e de equipamentos eletrônicos que estivessem em seu interior.
Após a inspeção, nada considerado relevante para a investigação foi localizado, e o automóvel foi liberado. A diligência ocorreu durante uma nova etapa de oitivas de pessoas ligadas a João.
Investigação apura morte de Isabelle
Isabelle Caracristi, de 22 anos, morreu na noite de 13 de setembro após cair do 23º andar do condomínio La Piazza, na Aldeota. A perícia apontou uma queda em posição vertical e classificou a dinâmica como “precipitação voluntária”, enquanto a Polícia Civil continua investigando outros elementos do caso.
As câmeras disponíveis no condomínio foram utilizadas para reconstruir parte da movimentação de Isabelle e João naquela noite. O rooftop de onde ela caiu, porém, não possuía câmera de segurança, o que mantém a análise de outros elementos como parte da investigação.
João Munhoz Neto foi preso preventivamente em 22 de setembro. A prisão foi mantida após a audiência de custódia realizada no dia seguinte. A investigação considera, entre outras hipóteses, possível induzimento ou instigação ao suicídio e violência psicológica. O caso tramita sob sigilo.




