A greve dos Correios chega ao fim nesta sexta-feira (25), após 15 dias de paralisação. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou o retorno dos trabalhadores às atividades depois de julgar o dissídio coletivo da categoria e considerar o movimento não abusivo.
Após a decisão, sindicatos realizaram assembleias para analisar os termos definidos pelo tribunal. Em São Paulo, por exemplo, os trabalhadores aprovaram o encerramento do movimento e foram orientados a retomar as atividades a partir das 22h de quinta-feira (24).
A paralisação havia começado em 10 de setembro, após o encerramento das negociações da campanha salarial sem acordo. Durante o período, o TST havia determinado a manutenção de 80% do efetivo dos Correios nas operações, diante do caráter essencial dos serviços prestados pela empresa.
Entregas e encomendas serão normalizadas gradualmente
Com a retomada dos trabalhadores, os Correios entram agora em uma etapa de reorganização do fluxo de correspondências e encomendas. A decisão do TST autorizou a compensação dos dias parados por meio de mutirões de trabalho, inclusive aos fins de semana, com o objetivo de reduzir o volume de objetos acumulados durante a paralisação.
Isso significa que o fim da greve não representa, necessariamente, a regularização imediata de todas as entregas. Objetos que ficaram pendentes durante o período de paralisação ainda precisam ser processados, encaminhados e distribuídos pelas unidades responsáveis.
A própria decisão judicial considerou a existência de um passivo logístico e autorizou uma forma excepcional de compensação justamente para ajudar a escoar o volume acumulado. Por isso, encomendas que já estavam em circulação antes do fim da greve podem continuar apresentando reflexos da paralisação nos próximos dias.
Para quem aguarda uma encomenda, o retorno das atividades representa a retomada da operação, mas o prazo efetivo de regularização pode variar conforme o volume acumulado e a capacidade de processamento de cada unidade.
TST define condições para o fim da paralisação
O julgamento realizado pelo TST na quinta-feira (24) estabeleceu as principais condições para o encerramento da greve. A Corte rejeitou o pedido dos Correios para que a paralisação fosse considerada abusiva e determinou o retorno dos trabalhadores nesta sexta-feira.
Os ministros também autorizaram a compensação dos dias parados. Nesse caso, os trabalhadores não terão os dias de greve descontados diretamente dos salários, mas deverão cumprir a compensação prevista na decisão, com medidas voltadas também à redução do passivo acumulado na operação postal.
A decisão foi tomada no julgamento do dissídio coletivo que discutia a paralisação iniciada em 10 de setembro. O TST avaliou as negociações entre a empresa e os representantes dos trabalhadores e concluiu que não havia elementos para classificar o movimento como abusivo.
Trabalhadores terão reajuste salarial de 4,09%
Entre as definições do julgamento está o reajuste salarial de 4,09% para os trabalhadores dos Correios, com efeitos retroativos a 1º de agosto de 2026. O percentual corresponde ao índice definido pelo tribunal para a data-base da categoria.
O reajuste também repercute sobre benefícios vinculados à remuneração, incluindo vale-refeição ou alimentação, vale-transporte, reembolso-creche e reembolso-babá, além de auxílio destinado a empregados e dependentes com deficiência, conforme os termos da decisão.
O julgamento também tratou do plano de saúde dos empregados. Até a implementação de um novo modelo, permanece vigente o Plano Correios Saúde II, conforme as condições descritas na decisão judicial. Com o retorno das atividades, a principal etapa agora é a reorganização da operação postal e o processamento do volume acumulado durante a paralisação. A retomada dos trabalhadores permite que os serviços avancem novamente, mas a regularização das entregas pendentes deverá ocorrer de forma progressiva.




