O empresário João Adibe Marques, presidente da Cimed, ofereceu patrocínio da farmacêutica a clubes de futebol brasileiros que perderão contratos com casas de apostas após a medida provisória que proibiu a operação e a publicidade das bets no país. Em vídeo publicado nas redes sociais, o executivo afirmou que pretende ampliar a presença da marca Super no futebol e disse que não há limite definido para os patrocínios que a empresa poderá avaliar.
A declaração ocorre um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A regra também alcança ações de marketing e patrocínios relacionados às bets. As empresas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e sinais de patrocínio, enquanto os sites e aplicativos devem sair do ar a partir de 6 de outubro.
No vídeo, João Adibe afirmou que a Cimed tem como objetivo levar a marca Super a clubes de diferentes regiões do país. “A gente tem um sonho de patrocinar todos os clubes do Brasil através da nossa marca Super”, declarou.
Em outro trecho, o empresário reforçou a disposição da companhia para avaliar novos contratos. “Não temos limite de patrocínio, hein? Não temos limite”, afirmou.
A manifestação abre uma possibilidade de reposicionamento de marcas no futebol brasileiro justamente em um momento em que os clubes precisam substituir uma das principais fontes recentes de investimento em publicidade esportiva. Apesar da oferta pública, a Cimed não informou quais equipes poderão ser procuradas, quais contratos estão em negociação ou quanto pretende investir.
Cimed quer ocupar espaço deixado pelas bets no futebol
O movimento anunciado por João Adibe acontece em meio a uma mudança significativa no modelo de publicidade associado ao futebol brasileiro.
As casas de apostas passaram a ocupar espaço relevante em uniformes, placas, transmissões e outras propriedades comerciais dos clubes nos últimos anos. Com a nova medida provisória, porém, as ações de comunicação, publicidade, marketing e patrocínio relacionadas às apostas de quota fixa foram proibidas no território nacional.
A regra estabelece um período de transição para a retirada das marcas. Segundo o governo federal, o prazo para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio é de até dez dias a partir da publicação da medida.
É nesse intervalo que a declaração da Cimed ganha relevância para os clubes. Ao oferecer publicamente a possibilidade de novos patrocínios, a empresa se apresenta como uma das marcas interessadas em ocupar parte desse espaço comercial.
Isso não significa, porém, que todos os clubes que perderão contratos com bets terão automaticamente novos acordos com a farmacêutica. Até o momento, não foram divulgados nomes de equipes, valores, duração ou condições comerciais dos eventuais contratos.
A declaração de João Adibe representa, portanto, uma oferta pública e uma sinalização de interesse da companhia, e não o anúncio de novos patrocínios já fechados.
Marca Super já está presente no futebol
A Cimed já utiliza o futebol como uma das plataformas de exposição da marca. De acordo com as informações apresentadas pelo empresário, a empresa mantém atualmente patrocínios de Palmeiras, Cruzeiro e da Seleção Brasileira.
A estratégia ajuda a explicar o movimento anunciado agora. Em vez de iniciar uma atuação no esporte, a farmacêutica sinaliza a intenção de ampliar uma presença que já existe em propriedades de grande visibilidade.
A marca Super, citada por João Adibe no vídeo, é justamente a que o empresário pretende expandir para outros uniformes.
O executivo não detalhou quais campeonatos, divisões ou clubes poderiam entrar nos planos da empresa. Também não foi informado se a Cimed já recebeu contatos de dirigentes depois da publicação do vídeo.
Essa ausência de detalhes impede, neste momento, afirmar quais equipes serão beneficiadas pela possível substituição de patrocinadores.
O que muda para os clubes após a medida contra as bets
A medida provisória altera diretamente o cenário comercial dos clubes que tinham empresas de apostas entre seus patrocinadores.
O prazo estabelecido pelo governo cria uma janela curta para a retirada das marcas dos uniformes e de outras propriedades publicitárias. Para as equipes, isso significa a necessidade de reorganizar espaços comerciais que, em muitos casos, eram ocupados por contratos com empresas do setor de apostas.
O impacto não se limita à camisa. A proibição alcança diferentes formas de comunicação, marketing e patrocínio relacionados às apostas de quota fixa. A própria medida publicada no Diário Oficial determina a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio em meios físicos e digitais dentro do prazo estabelecido.
Com isso, o futebol entra em uma fase de transição comercial.
Clubes que tinham contratos com bets precisarão substituir as marcas, enquanto empresas de outros segmentos podem encontrar uma oportunidade para ampliar sua exposição no esporte.
A Cimed foi uma das primeiras companhias a se manifestar publicamente nesse sentido após o anúncio da proibição.
Governo estabeleceu cronograma para o fim das bets
A medida provisória assinada por Lula começou a produzir efeitos com sua publicação. A partir desse momento, as plataformas ficaram impedidas de receber novos aportes.
Os apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores que ainda estiverem disponíveis nas contas. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos das empresas deverão sair do ar.
A etapa seguinte envolve a identificação dos saldos remanescentes. Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar às instituições financeiras os valores vinculados aos CPFs dos apostadores. Os bancos terão, então, de 9 a 14 de outubro para realizar as devoluções previstas no cronograma.
Além da proibição das operações, o governo também anunciou medidas voltadas ao combate ao mercado ilegal de apostas. A estratégia inclui ações para bloquear plataformas que continuarem funcionando fora das regras estabelecidas.
No futebol, uma das consequências imediatas é justamente a necessidade de substituição das marcas de apostas que aparecem em espaços comerciais dos clubes.
Cimed ainda não anunciou novos contratos
Apesar da declaração de João Adibe, não há, até o momento, anúncio oficial de novos contratos entre a Cimed e clubes que perderão patrocínios das bets.
A empresa também não divulgou valores destinados à possível expansão da marca Super no futebol.
Por isso, os próximos passos dependem de negociações individuais entre a farmacêutica e as equipes interessadas. O vídeo do empresário funciona como um convite público para que os dirigentes procurem a companhia.
A dimensão dessa estratégia poderá ficar mais clara à medida que os clubes começarem a anunciar substituições para os espaços atualmente ocupados pelas marcas de apostas.
O cenário abre uma disputa por propriedades comerciais do futebol brasileiro. Enquanto os clubes precisam reorganizar seus uniformes e demais espaços de exposição, marcas de outros setores podem aproveitar a mudança para ampliar presença em competições nacionais.
Nesse contexto, a Cimed sinalizou que pretende disputar parte desse mercado. A empresa já possui contratos no futebol e agora afirma estar disposta a avaliar uma expansão para equipes de todo o país.
Até que novos acordos sejam divulgados, entretanto, permanecem sem definição os clubes que poderão receber a marca Super, os valores envolvidos e a extensão da estratégia anunciada por João Adibe Marques.




