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CONEXÕES

Aos 95 anos, Djacir Figueiredo relembra trajetória de 71 anos dedicada à medicina

Médico relembrou, em entrevista ao Conexões, desde a infância em Limoeiro do Norte até a formação em neurocirurgia e a experiência nos Estados Unidos

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Aos 95 anos, Djacir Figueiredo relembra trajetória de 71 anos dedicada à medicina
Djacir Figueiredo concedeu entrevista ao programa Conexões, da Jovem Pan News Fortaleza, nesta segunda (5). Foto: GCC

Aos 95 anos, o médico Djacir Figueiredo relembrou a trajetória que o levou da infância em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, à atuação na neurocirurgia. Em entrevista a Ricardo Bezerra, no programa Conexões, da Jovem Pan News Fortaleza, nesta segunda-feira (5), ele contou episódios da formação, da escolha pela Medicina, da especialização em neurocirurgia e da experiência de estudos nos Estados Unidos.

Nascido em 1931, Djacir contou que cresceu em uma família ligada à educação e aos livros. A mãe era professora e o pai mantinha uma biblioteca em casa, ambiente que, segundo ele, marcou sua infância.

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“Eu tive a sorte de que meus pais, a minha mãe era professora. E meu pai era um homem muito dedicado à leitura. Resultado é que lá em casa a gente tinha sempre uma biblioteca para a gente ler”, relatou.

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O interesse pela leitura apareceu ainda na infância. Djacir lembrou que, quando havia cinema em Limoeiro do Norte, preferia permanecer em casa lendo. Entre os livros que conheceu estavam obras de Machado de Assis e Dom Quixote de la Mancha.

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Formação começou em Limoeiro do Norte

Os primeiros estudos foram realizados em casa, com orientação da própria mãe. Depois, Djacir passou a estudar com um professor da cidade e posteriormente frequentou o ginásio de Limoeiro do Norte.

Após concluir essa etapa, ele precisou buscar uma nova escola. Como o pai tinha um pequeno comércio e não conseguia arcar com os custos de uma instituição particular, Djacir prestou seleção para o Liceu do Ceará e conseguiu uma vaga.

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Inicialmente, ele não entrou no curso científico, voltado para estudantes que pretendiam seguir áreas como engenharia e medicina. Em vez de interromper os estudos, optou pelo curso clássico, no qual teve contato com disciplinas como grego, latim, francês e inglês.

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Mais tarde, o pai conseguiu pagar seus estudos no Colégio Castelo Branco, onde Djacir cursou o científico. Naquele período, porém, a medicina ainda não era seu principal objetivo.

Antes da medicina, ele queria ser militar

A primeira carreira imaginada por Djacir Figueiredo não era a medicina. Durante a juventude, ele queria seguir a carreira militar, influenciado também pelo contexto da Segunda Guerra Mundial.

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O primeiro desejo era tornar-se oficial aviador, mas a mãe não permitiu. Depois, decidiu tentar a carreira no Exército e foi até a então Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

A tentativa, porém, não deu certo. Segundo Djacir, ao retornar para saber o resultado da inscrição, recebeu a informação de que não havia sido aprovado. A partir daquele momento, precisou escolher outro caminho.

“Quando eu vi que não podia ser militar, eu disse: o que é que eu vou ser?”, contou.

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A mudança de planos levou Djacir à Faculdade de Medicina. Ele ingressou na terceira turma da instituição, em um processo seletivo no qual apenas 10 candidatos foram aprovados para uma turma que tinha previsão de 80 vagas.

Da cirurgia geral à neurocirurgia

Durante o curso de medicina, Djacir começou a acompanhar o cirurgião Jacir Paraíba. A experiência despertou seu interesse pela cirurgia e fez com que ele inicialmente pensasse em seguir pela área torácica.

A mudança veio no sexto ano da faculdade. Durante uma aula na Santa Casa, o professor Antônio Jucá informou aos estudantes que havia uma bolsa para um aluno fazer formação em neurocirurgia em Porto Alegre.

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Djacir decidiu aceitar mesmo sem conhecer profundamente a especialidade.

“Não sabia o que era neurocirurgia. Eu digo: não, não sei, professor. Deve ser uma especialidade cirúrgica dedicada a operar o cérebro e tudo. Ele disse: é isso mesmo. Pois então, você vai”, relatou.

Ele viajou para Porto Alegre e passou a atuar no Instituto de Neurocirurgia. Segundo o relato, chegou a morar no próprio hospital, sendo o único médico que dormia na instituição.

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A experiência marcou a entrada definitiva de Djacir na neurocirurgia e abriu caminho para uma carreira na área, dentro e fora do Brasil.

Experiência nos Estados Unidos ampliou formação

Depois da especialização, Djacir decidiu buscar novos conhecimentos fora do país. Ele contou que acompanhava publicações internacionais de neurocirurgia e escreveu para instituições estrangeiras para tentar conseguir uma vaga de estágio.

Recebeu respostas de universidades dos Estados Unidos, entre elas a Universidade de Columbia, a Johns Hopkins e a Universidade da Califórnia. A escolha por Columbia, em Nova York, se deu em parte pelo fato de que o irmão dele, matemático, morava na cidade naquele período.

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Djacir permaneceu um ano nos Estados Unidos, onde teve contato com técnicas diferentes das utilizadas no Brasil naquele momento. “Eu fiquei surpreso como era diferente a neurocirurgia americana comparando com a nossa da época”, afirmou.

Ao retornar ao Brasil, passou a apresentar em congressos técnicas aprendidas durante o período no exterior. Segundo o médico, outros profissionais passaram a procurá-lo para conhecer os procedimentos apresentados.

Técnicas aprendidas no exterior chegaram ao Brasil

Na entrevista, Djacir também relatou que trouxe materiais e instrumentos utilizados nas técnicas que havia aprendido nos Estados Unidos. Entre os procedimentos mencionados estão o uso do microscópio em neurocirurgia, a microcirurgia de aneurismas e tumores cerebrais, técnicas relacionadas à hipófise, tratamento de hidrocefalia, cirurgia de epilepsia e procedimentos envolvendo vasos sanguíneos e nervos periféricos.

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O médico destacou que esse processo ocorreu gradualmente, conforme as técnicas eram incorporadas à prática médica.

Um dos episódios lembrados por ele ocorreu durante o período em Nova York, quando conheceu uma válvula utilizada no tratamento da hidrocefalia. O fabricante ofereceu três unidades para que Djacir levasse ao Brasil e só pagasse caso os equipamentos fossem utilizados.

“Ele pega três válvulas, porque era o tubo com a válvula. Ele pega três válvulas, me entrega e diz: leve para o Brasil, você só paga se alguém pagar”, contou.

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Mais de mil cirurgias de aneurisma

Ao falar sobre a carreira, Djacir afirmou não ter o número exato de cirurgias neurológicas realizadas ao longo da vida. Ele, porém, estimou que tenha operado mais de mil casos de aneurisma.

O médico também contou que acompanhava casos de traumatismo craniano e que continuou estudando medicina mesmo após décadas de carreira.

Questionado sobre o sentimento após tantos anos de profissão, Djacir resumiu sua trajetória em dois verbos: estudar e trabalhar. “Eu só reconheço que eu trabalhei muito, estudei muito. Ainda hoje eu leio medicina. Tudo que sai de novo, eu estou a par. Não paro”, disse.

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Para ele, o trabalho também envolve uma responsabilidade direta com o paciente e sua família. Ao falar para jovens médicos, destacou a importância de manter a atenção sobre quem está sendo atendido.

“Primeiro lugar do médico é o paciente. É a primeira coisa que o médico tem que cuidar, e o neurocirurgião, sem dúvida nenhuma. Não esquecendo que esse paciente também tem família e precisa dar satisfação para a família”, afirmou.

Djacir continua acompanhando a medicina

Mesmo depois de 71 anos desde a formatura, Djacir disse que continua acompanhando as novidades da área médica. Ele também conta que acompanha o filho Daniel Figueiredo, que atua na neurocirurgia.

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Ao final da entrevista, ao ser questionado sobre longevidade, o médico disse que mantém uma rotina moderada, atividade física e a continuidade dos estudos.

“Procurar levar uma vida moderada, nunca exagerar nas brincadeiras”, afirmou. Ele também destacou a importância de manter alguma atividade física e, especialmente para médicos, “não parar de estudar”.

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