O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira (7) que houve planejamento de um golpe de Estado no fim do governo de Jair Bolsonaro, após a derrota do então presidente para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
Questionado em entrevista sobre a existência da articulação, Valdemar afirmou que não tinha dúvida de que houve planejamento, mas sustentou que a iniciativa foi interrompida e que o golpe não chegou a ser executado. Na mesma entrevista, o dirigente também foi questionado sobre a possibilidade de uma nova articulação em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Valdemar reconhece que houve planejamento de golpe em 2022
Durante a entrevista, Valdemar foi questionado se reconhecia que havia existido planejamento para um golpe após a derrota de Bolsonaro.
O presidente do PL respondeu que sim e argumentou que planos podem ser abandonados quando seus autores percebem que determinada iniciativa não deve prosseguir. Ele também insistiu que o golpe não chegou a ser concretizado.
A declaração ocorre após o Supremo Tribunal Federal condenar Jair Bolsonaro e outros integrantes do chamado Núcleo 1 da tentativa de golpe. A Primeira Turma do STF considerou o grupo responsável pelo planejamento e pela articulação dos atos relacionados à tentativa de ruptura institucional.
Em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes definidos na ação penal, entre eles golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Valdemar responde sobre possibilidade de novo planejamento com Flávio
Na sequência da entrevista, Valdemar foi questionado se poderia garantir que uma articulação semelhante não ocorreria em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
A primeira resposta foi “sei lá”. Em seguida, o presidente do PL afirmou que “pode haver planejamento”, mas citou a situação enfrentada atualmente por Jair Bolsonaro para argumentar que uma nova tentativa não teria interesse para os envolvidos.
Depois, Valdemar afirmou que isso não aconteceria e usou as expressões “nunca” e “jamais”. A resposta provocou reação durante a entrevista, depois que os apresentadores voltaram a questioná-lo sobre a possibilidade de repetição de uma articulação golpista.
Presidente do PL defende anistia para envolvidos no 8 de janeiro
Outro ponto abordado na entrevista foi a anistia para pessoas presas ou condenadas em processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Valdemar defendeu a libertação de militares que considera presos injustamente e argumentou que o planejamento de um golpe, sem sua execução, não deveria ser considerado crime. Para sustentar a posição, fez uma comparação com o planejamento de um assassinato que não chega a ser executado.
A declaração contrasta com as decisões do STF nos processos sobre a tentativa de golpe. Segundo a Corte, os integrantes do Núcleo 1 foram condenados por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa armada.
Investigação apontou planejamento para impedir posse de Lula
A investigação que resultou nas ações penais julgadas pelo STF apontou que integrantes do chamado Núcleo 1 atuaram no planejamento e na articulação de medidas para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022 e manter Bolsonaro no poder.
O Supremo afirma que o grupo era responsável pelo planejamento e pela articulação dos atos golpistas. Ao todo, 31 pessoas foram julgadas nas quatro ações relacionadas aos diferentes núcleos da tentativa de golpe, com 29 condenações e duas absolvições.
Entre os crimes atribuídos aos integrantes do Núcleo 1 estão golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Valdemar diz que Bolsonaro teria participação política em eventual governo de Flávio
Durante a entrevista, Valdemar também falou sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro participar politicamente de um eventual governo do filho.
O presidente do PL afirmou que o ex-presidente não ocuparia formalmente um cargo, mas poderia dar opiniões sobre a administração. Valdemar também disse torcer para que Bolsonaro deixe a prisão domiciliar.
Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno das Eleições 2026 contra Lula. A votação está marcada para 25 de outubro, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




