O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Jair Bolsonaro poderá voltar a disputar a Presidência da República em 2030 caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito no segundo turno das Eleições 2026. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (5).
Além de projetar uma nova candidatura do ex-presidente, Valdemar afirmou que Bolsonaro teria participação política em um eventual governo do filho. Segundo o dirigente, ele não ocuparia um ministério, mas seria ouvido por Flávio e poderia opinar sobre a administração federal e participar da escolha de nomes para a equipe de governo.
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Valdemar projeta Bolsonaro na eleição de 2030
Ao ser questionado pela CNN Brasil sobre uma possível volta de Jair Bolsonaro à disputa presidencial daqui a quatro anos, Valdemar afirmou que o ex-presidente poderá ser candidato pelo PL em 2030. O dirigente partidário classificou Bolsonaro como um possível “forte candidato” para a próxima eleição presidencial e vinculou essa possibilidade a uma eventual vitória de Flávio em 2026. Segundo Valdemar, o filho daria liberdade ao pai caso chegasse à Presidência.
A projeção, no entanto, encontra uma questão jurídica que precisaria ser superada. O Tribunal Superior Eleitoral declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, contados a partir das Eleições 2022, em decisões relacionadas a abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Assim, a fala de Valdemar não significa que uma candidatura de Bolsonaro em 2030 esteja atualmente autorizada pela Justiça Eleitoral. A possibilidade dependerá da situação jurídica do ex-presidente e das regras eleitorais aplicáveis ao próximo pleito.
Ex-presidente poderá participar de eventual governo de Flávio
A projeção de Valdemar não se limita à eleição de 2030. O presidente do PL também afirmou que Jair Bolsonaro deverá ter participação política em um eventual governo de Flávio. De acordo com o dirigente, o ex-presidente seria ouvido pelo filho e daria opiniões sobre a condução da administração federal. Valdemar também afirmou que Bolsonaro poderia participar da escolha de integrantes de um eventual governo.
A declaração amplia uma possibilidade que já havia sido mencionada pelo próprio Flávio durante a campanha. Em agosto, o candidato afirmou que o pai poderia participar de uma eventual administração como conselheiro e disse que a definição sobre ocupar ou não um cargo dependeria de Jair Bolsonaro.
A ideia, portanto, não prevê necessariamente um cargo formal para o ex-presidente. O papel descrito por Valdemar seria de influência política e aconselhamento dentro de uma eventual administração comandada por Flávio.
Bolsonaro não ocuparia ministério, diz presidente do PL
Valdemar diferenciou a participação política projetada para Jair Bolsonaro de uma eventual nomeação para um ministério. Segundo o presidente do PL, o ex-presidente não seria ministro, mas continuaria dando opiniões ao filho sobre o governo.
A possibilidade de participação de Bolsonaro também foi tratada anteriormente pelo próprio Flávio. Em entrevista à Record, o candidato afirmou que o pai poderia atuar como conselheiro caso ele fosse eleito, embora não tivesse conversado com ele sobre eventual ocupação de um cargo formal.
A discussão ocorre enquanto Flávio disputa o segundo turno presidencial contra Lula. O TSE confirmou os dois como os candidatos mais votados no primeiro turno e marcou a segunda votação para 25 de outubro.
Situação eleitoral de Bolsonaro para 2030
A possibilidade de Jair Bolsonaro disputar a Presidência em 2030 depende, atualmente, de sua situação de inelegibilidade. Em junho de 2023, o TSE declarou o ex-presidente inelegível por oito anos contados a partir das Eleições 2022, após reconhecer abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em uma reunião com embaixadores.
Em outubro daquele mesmo ano, a Corte voltou a declarar Bolsonaro inelegível por oito anos, também com contagem a partir do pleito de 2022, em um processo relacionado às comemorações do Bicentenário da Independência. O próprio TSE esclareceu que as sanções não são cumulativas e que o prazo de inelegibilidade permanece o mesmo.
Dessa forma, a possibilidade mencionada por Valdemar para 2030 é uma projeção política do PL, não uma candidatura já autorizada. Eventuais decisões judiciais e as regras eleitorais vigentes naquele momento serão determinantes para definir se Bolsonaro poderá efetivamente disputar a Presidência. Para 2026, a disputa permanece entre Flávio Bolsonaro e Lula. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, quando os eleitores definirão o presidente que comandará o país a partir de 2027.




