A atriz Regina Duarte, ex-secretária especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro (PL), questionou o resultado das eleições presidenciais de 2026. Em publicação no Instagram, ela compartilhou uma imagem da página Portugal Puro, no Instagram, conhecida por divulgar conteúdo de extrema direita, pondo em dúvida a virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A postagem não apresenta provas de irregularidades na votação.
Lula foi reeleito presidente com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). O conteúdo compartilhado por Regina questiona o aumento da votação do petista entre os dois turnos e levanta dúvidas sobre a origem dos votos recebidos pelo candidato.
A imagem pontua que Lula passou de aproximadamente 53 milhões de votos no primeiro turno para cerca de 64 milhões no segundo, uma diferença de mais de 10 milhões. O texto compara esse crescimento com os 8,7 milhões de votos que haviam sido destinados aos demais candidatos no primeiro turno da disputa.
A mensagem sugere que Lula teria recebido todos os votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno e mais 3 milhões de eleitores que não haviam votado na primeira etapa. A publicação, no entanto, não apresenta dados ou evidências que sustentem uma suspeita de fraude ou de irregularidade no processo eleitoral.
Na legenda, Regina declarou estar “abismada” com o resultado e reproduziu o questionamento sobre a possibilidade de contestar a eleição. Escreveu ainda: “a pergunta que se impõe agora é: vai ficar por isso mesmo, Brasil?”
Atriz já havia demonstrado apoio a Flávio Bolsonaro
A publicação ocorre após Regina Duarte manifestar apoio à família Bolsonaro em diferentes ocasiões. Durante a campanha eleitoral deste ano, em 12 de outubro, a atriz divulgou uma fotografia de um cartaz de seu espetáculo teatral coberto por adesivos em apoio a Lula.
O material promocional da peça “A Filha da...” estava exposto na rua do Teatro BDO Jaraguá, no centro de São Paulo, onde Regina se apresenta ao lado da filha, a também atriz Gabriela Duarte. Na imagem publicada nas redes sociais, os adesivos cobriam o rosto da artista no cartaz.
Regina comentou a intervenção em tom irônico e escreveu: “Olha só o que fizeram na foto / cartaz que estava na rua do meu espetáculo A FILHA DA. Tem cabimento?! Abusados, não?! Dá bem pra ver que me obrigaram a fazer o 22!”. Na fotografia, ela fez com as mãos o número 22, alusão ao Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro. A publicação foi uma demonstração de apoio ao candidato, que disputou a Presidência contra Lula no segundo turno.
A atriz já havia manifestado oposição ao petista em eleições anteriores. Em 2002, durante a primeira disputa presidencial vencida por Lula, Regina declarou ter “medo” de uma eventual vitória do então candidato. Vinte anos depois, repetiu a declaração.
Em 2018, ela fez campanha para Jair Bolsonaro, que venceu a eleição presidencial daquele ano. Dois anos depois, aceitou o convite do então presidente para assumir a Secretaria Especial da Cultura.
Passagem pelo governo Bolsonaro durou 74 dias
Regina Duarte tomou posse como secretária especial da Cultura em 4 de março de 2020, após ser escolhida para substituir Roberto Alvim. A passagem pelo cargo durou 74 dias, período marcado por divergências sobre nomeações e críticas à distância da atriz em relação a Brasília.
Em maio daquele ano, ela anunciou que deixaria a função. Durante a gestão, também recebeu críticas de integrantes do meio artístico por declarações sobre as mortes provocadas pela Covid-19. Mais de 500 artistas assinaram uma carta de repúdio às falas da então secretária.
Depois de deixar o governo, Regina chegou a ser anunciada para comandar a Cinemateca Brasileira, mas não assumiu o posto.
A trajetória da atriz na política passou, assim, pelo apoio público a Bolsonaro, pela participação no governo federal e por manifestações contrárias a Lula. Agora, após o resultado das eleições de 2026, ela voltou a compartilhar conteúdo que questiona a votação, sem apresentar evidências de irregularidades.
Publicação questiona diferença entre os turnos
O argumento divulgado por Regina se concentra no crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno. A imagem usa a diferença entre os votos totais ao petista e a soma dos votos dos candidatos eliminados para levantar dúvidas sobre o resultado.
A comparação, porém, não comprova irregularidade eleitoral. O conteúdo compartilhado não apresenta documentação ou dados que demonstrem fraude na apuração, nem elementos que sustentem a contestação levantada na publicação.




