O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que não tomou partido nas eleições presidenciais do Brasil porque, segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que evitasse se posicionar na disputa. Apesar de alegar neutralidade, o norte-americano voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro e classificou o pleito como uma “grande vergonha para o povo brasileiro”.
A declaração foi dada a jornalistas antes de Trump embarcar para um compromisso na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Questionado sobre quem considera o legítimo vencedor da eleição brasileira, o presidente americano evitou responder diretamente e voltou a demonstrar insatisfação com o resultado.
“Eu acompanhei a eleição, não tomei partido. Deixei acontecer. O presidente, o atual presidente, me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido”, afirmou Trump, ao explicar sua versão sobre a postura adotada durante a campanha.
Na sequência, o republicano voltou a questionar a disputa e citou o comportamento do mercado financeiro brasileiro como argumento para sustentar sua avaliação negativa. Ele, porém, não apresentou evidências de irregularidades eleitorais ao fazer as críticas.
Trump volta a classificar eleição brasileira como vergonhosa
Durante a conversa com jornalistas, Trump afirmou que pretende falar com Lula, mas não informou quando a conversa deverá ocorrer. Ao comentar a eleição, voltou a usar expressões negativas para se referir ao processo eleitoral.
“Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, foi algo que me deixou perplexo”, disse o presidente americano, segundo a transcrição divulgada pelo R7. Em outro momento, classificou a situação como vergonhosa e afirmou que a reação do mercado brasileiro refletiria a gravidade do cenário, na avaliação dele.
As declarações mantêm a postura crítica adotada por Trump desde o resultado do segundo turno. Na segunda-feira (26), o presidente americano já havia questionado a organização da votação e sugerido que a eleição parecia fraudada, mas também não apresentou provas para sustentar a suspeita.
É importante distinguir as declarações do presidente dos Estados Unidos de fatos comprovados: as críticas feitas por Trump, por si só, não demonstram que houve fraude ou irregularidade no processo eleitoral brasileiro.
Lula já havia pedido que os Estados Unidos não interferissem
A declaração de Trump ocorre após Lula relatar publicamente que pediu ao presidente americano para não interferir nas eleições brasileiras. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, em setembro, o presidente brasileiro disse ter conversado com Trump sobre a importância de manter a disputa eleitoral como um assunto interno do Brasil.
Na ocasião, Lula afirmou que os Estados Unidos não deveriam se envolver na eleição brasileira, assim como o governo brasileiro não interfere nas eleições americanas. O presidente também destacou a relação diplomática entre os dois países.
O relato anterior de Lula dá contexto à declaração feita agora por Trump. No entanto, a afirmação do presidente americano sobre o pedido deve continuar sendo atribuída a ele, sem presumir detalhes sobre a conversa que não tenham sido confirmados.
Ao mesmo tempo, Trump não respondeu diretamente se considera Lula o vencedor legítimo do pleito. A declaração de que não tomou partido durante a campanha também contrasta com as críticas que voltou a fazer à eleição após o resultado.
Até o momento do relato publicado nesta quinta-feira, os Estados Unidos ainda não haviam reconhecido oficialmente a vitória de Lula, segundo a CNN Brasil. Trump afirmou que pretende conversar com o presidente brasileiro, mas não detalhou quando isso acontecerá.
A repercussão das declarações mantém a eleição brasileira no centro das discussões diplomáticas entre os dois países, especialmente diante das críticas de Trump ao processo eleitoral e da expectativa sobre os próximos contatos entre os presidentes.




