A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) classificou o bolsonarismo como um “câncer” ao comentar a hostilização sofrida pelo menino Matheus dos Bombons, de 9 anos, após declarar admiração pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A parlamentar relacionou o episódio a outras manifestações de violência e intolerância política no Brasil e defendeu que situações como essa não sejam tratadas como acontecimentos naturais da disputa eleitoral.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (30), em Fortaleza, durante uma conversa com a imprensa antes da participação da deputada no Baile do 13, ato organizado em comemoração à vitória de Lula. O evento acontece na Praça dos Caboclos, no bairro Parangaba, e reúne apoiadores do presidente.
Ao abordar o caso da criança cearense, Erika ampliou a discussão para episódios envolvendo trabalhadores, eleitores e pessoas que, segundo ela, foram vítimas de agressões ou ameaças por causa de posicionamentos políticos.
“O bolsonarismo é um adoecimento da sociedade”, afirmou inicialmente a deputada. Em seguida, mencionou diferentes situações que, na avaliação dela, demonstram os riscos da intolerância política.
A parlamentar citou pessoas que teriam sido mortas depois do processo eleitoral, trabalhadores ameaçados de demissão por patrões em razão de suas escolhas políticas e episódios de violência contra pessoas que manifestam apoio a Lula ou possuem posicionamentos diferentes daqueles defendidos por grupos bolsonaristas.
Ao concluir sua avaliação, Erika utilizou uma expressão ainda mais contundente para caracterizar o movimento político.
“O bolsonarismo não é uma doença. O bolsonarismo é um câncer. Ele mata, ele destrói, ele acaba com tudo”, declarou.
A deputada também afirmou que é necessário impedir o avanço da intolerância e combater a normalização de agressões motivadas por divergências ideológicas.
Erika Hilton relaciona caso de Matheus a outros episódios de violência política
Durante a entrevista, Erika Hilton argumentou que a hostilidade contra Matheus não deve ser analisada como um episódio isolado. Para a deputada, a situação faz parte de um cenário mais amplo de intolerância contra pessoas que expressam opiniões políticas diferentes.
Ela mencionou, entre os exemplos, trabalhadores que teriam recebido ameaças de demissão por manifestarem preferência eleitoral, além de casos de violência contra pessoas identificadas com posições políticas de esquerda.
A parlamentar também fez referência aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em ataques às instituições democráticas.
Erika ainda citou denúncias envolvendo dificuldades impostas ao deslocamento de eleitores durante o período eleitoral. Na avaliação dela, impedir ou dificultar a participação de cidadãos nas eleições representa uma ameaça ao exercício democrático.
Ao defender o enfrentamento desse tipo de comportamento, a deputada afirmou que a sociedade não pode considerar aceitável que crianças, mulheres, trabalhadores e pessoas LGBTQIA+ sejam agredidos em razão de suas posições políticas.
A declaração coloca o episódio envolvendo Matheus dentro de uma discussão mais ampla sobre liberdade de expressão, respeito às diferenças e participação política. O caso ganhou repercussão justamente por envolver uma criança que foi exposta a uma situação de constrangimento em razão de sua manifestação de admiração por um político.
Deputada agradece participação de idosos nas eleições
Outro momento da conversa com a imprensa foi dedicado aos eleitores idosos. Questionada sobre a preocupação de pessoas mais velhas com os acontecimentos políticos e com a articulação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, Erika Hilton preferiu iniciar sua resposta agradecendo à participação desse público no processo eleitoral.
A deputada destacou que muitos idosos compareceram às urnas mesmo sem a obrigatoriedade do voto para essa faixa etária. Ela também lembrou imagens de familiares acompanhando pais, avós e bisavós até os locais de votação.
“Eu quero agradecer aos idosos. Porque eles foram às urnas no último domingo, votaram, pessoas que não precisavam votar”, afirmou.
Na avaliação da parlamentar, a participação dessas pessoas teve importância para a democracia. Ela ressaltou que muitos familiares se mobilizaram para garantir que idosos pudessem exercer o direito ao voto.
A fala também buscou reconhecer a contribuição de eleitores que, mesmo diante das dificuldades relacionadas à idade, decidiram participar da escolha política.
Ao abordar o assunto, Erika reforçou a importância da presença da população nas eleições e da defesa das instituições democráticas.
Quem é Matheus dos Bombons, menino que ganhou repercussão nacional?
Matheus dos Bombons tem 9 anos, é autista e mora com a avó, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O menino ganhou visibilidade por vender doces na Beira-Mar da capital cearense, atividade que realiza para ajudar nas despesas da família.
A repercussão nacional começou depois de uma abordagem feita por uma influenciadora digital na região do Mercado dos Peixes, em Fortaleza.
Durante a conversa, a mulher perguntou sobre a preferência política da criança e pediu que ele fizesse o gesto com a letra “L”, associado ao presidente Lula. Matheus atendeu ao pedido, mas, em seguida, a influenciadora se recusou a comprar os bombons que ele estava oferecendo.
O episódio foi gravado e publicado nas redes sociais, provocando críticas à postura da mulher. A exposição da criança e o constrangimento relacionado à sua manifestação política motivaram manifestações de solidariedade de internautas e de diferentes grupos.
Depois da repercussão, a influenciadora publicou um pedido de desculpas direcionado ao menino e à família.
A situação também mobilizou pessoas interessadas em ajudar Matheus e sua avó. Motociclistas, entregadores, influenciadores e usuários das redes sociais participaram de iniciativas de apoio.
Um grupo de motociclistas chegou a visitar a residência da família para entregar mantimentos. Matheus também recebeu presentes, entre eles uma bicicleta.
A mobilização transformou o episódio em uma corrente de solidariedade, com iniciativas voltadas a oferecer apoio à criança e à família.
O caso passou a representar também uma discussão sobre a exposição de menores nas redes sociais e os limites do comportamento de adultos diante de crianças que ainda estão em processo de formação.
Caso Matheus reacende debate sobre intolerância política contra crianças
A repercussão do episódio ultrapassou o contexto da discussão partidária. Por envolver uma criança de 9 anos, a situação levantou questionamentos sobre a responsabilidade de adultos ao abordar menores em espaços públicos e sobre a utilização de crianças em conteúdos relacionados à disputa política.
A manifestação de preferência por um candidato ou político não deveria transformar uma criança em alvo de constrangimento. Esse é um dos aspectos que ajudaram a ampliar a reação ao vídeo envolvendo Matheus.
O episódio também mostra como gravações feitas em ambientes públicos podem ganhar grandes proporções depois de compartilhadas nas plataformas digitais, expondo pessoas a críticas e julgamentos de milhares de usuários.
No caso do menino cearense, a repercussão teve dois desdobramentos distintos: de um lado, as críticas à abordagem da influenciadora; de outro, a mobilização de pessoas que passaram a oferecer ajuda à família.
Foi justamente esse contexto que motivou a manifestação de Erika Hilton em Fortaleza. Ao mencionar Matheus, a deputada aproveitou a ocasião para defender que divergências políticas não sejam utilizadas como justificativa para agressões, ameaças ou discriminação.
A fala da parlamentar também reforça a dimensão nacional que o caso alcançou. Uma situação registrada na orla de Fortaleza passou a integrar discussões sobre comportamento político, respeito às diferenças e proteção de crianças em ambientes digitais.
Baile do 13 reúne apoiadores em Fortaleza
A visita de Erika Hilton ao Ceará ocorre em meio à agenda de comemoração da vitória de Lula. A deputada participa do Baile do 13, organizado na Praça dos Caboclos, no bairro Parangaba, em Fortaleza.
O ato reúne apoiadores do presidente e integra as manifestações políticas relacionadas ao resultado eleitoral.
A presença da parlamentar também dá visibilidade nacional à programação realizada na capital cearense. Durante a passagem pela cidade, além de participar da mobilização, Erika comentou um caso que ganhou repercussão justamente por ter ocorrido no Ceará.
A declaração sobre o bolsonarismo e a situação de Matheus dos Bombons ampliou o debate sobre os efeitos da polarização política na convivência social, especialmente quando crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade acabam envolvidas em episódios de hostilidade.
Para Erika, o enfrentamento à intolerância deve passar pelo reconhecimento de que a divergência política não pode justificar violência contra quem pensa diferente.




