A venda de água mineral em Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, passou a contar com escolta policial após ameaças e cobranças atribuídas a uma facção criminosa provocarem a suspensão do comércio de garrafões no município. Para evitar que os moradores fiquem sem acesso ao produto, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) e a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) organizaram uma operação especial de transporte e comercialização. A previsão é disponibilizar mil garrafões por dia, com acompanhamento das forças de segurança.
A situação provocou preocupação entre os moradores. Na manhã de sábado (31), consumidores formaram filas para conseguir comprar água mineral, depois que os comerciantes interromperam as atividades por receio de sofrer represálias.
A suspensão ocorreu após estabelecimentos receberem mensagens intimidatórias atribuídas ao Comando Vermelho (CV). Conforme as informações relacionadas à investigação, os criminosos exigiam que a comercialização e a distribuição de água no município dependessem de uma suposta autorização da organização criminosa.
As ameaças teriam começado a circular em 19 de outubro, por meio de mensagens identificadas como "Edital Banabuiú", assinadas pela chamada "Diretoria de Banabuiú". O conteúdo estabelecia determinações para os comerciantes e fazia ameaças contra aqueles que não obedecessem às ordens.
Também há relatos de cobranças de R$ 750 por semana a estabelecimentos comerciais. A exigência de pagamentos e o controle ilegal sobre a venda de um produto essencial levaram os comerciantes a interromper as atividades para evitar riscos à própria segurança.
Água mineral em Banabuiú será distribuída com apoio da Cagece
A operação especial começou na sexta-feira (30), conforme comunicado da SSPDS. A estratégia foi estruturada para permitir que os garrafões continuem chegando à população, mesmo diante da decisão dos comerciantes de suspender temporariamente as vendas.
Pela nova logística, a Cagece fica responsável por buscar os garrafões nos fornecedores e realizar o transporte até Banabuiú. No município, os produtos são comercializados com acompanhamento das forças policiais.
O esquema busca evitar que a população seja diretamente prejudicada pela interrupção das atividades comerciais. A previsão é manter a distribuição nos próximos dias, até que as condições de segurança permitam a retomada normal do abastecimento pelos comerciantes.
Segundo a programação divulgada pela prefeitura, a partir desta terça-feira (3), a oferta deverá ocorrer diariamente, com mil garrafões disponibilizados por dia.
A medida representa uma alternativa temporária para manter o acesso à água mineral enquanto as autoridades trabalham para enfrentar as ameaças e identificar os responsáveis pelas tentativas de extorsão.
A presença policial durante o transporte também busca oferecer condições para que a operação aconteça sem novos episódios de intimidação. A logística envolve tanto a retirada dos produtos nos fornecedores quanto o deslocamento dos veículos até o município.
Polícia prende três suspeitos por ameaças e extorsão em Banabuiú
Além das medidas para garantir o abastecimento, as forças de segurança intensificaram as investigações sobre as ameaças contra os comerciantes.
De acordo com a SSPDS, três suspeitos de integrar o grupo criminoso responsável por práticas de extorsão e intimidação foram presos. As capturas ocorreram em uma ação conjunta da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE), com informações levantadas pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil.
Durante as diligências, os agentes apreenderam seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro.
Os equipamentos eletrônicos poderão ser analisados no decorrer da investigação, conforme os procedimentos legais, para auxiliar na identificação de possíveis envolvidos e no esclarecimento das ameaças.
A SSPDS também informou que o homem apontado como mandante das intimidações foi identificado. Segundo a secretaria, ele está no estado do Rio de Janeiro, e um trabalho de cooperação foi iniciado com a Polícia Civil fluminense para avançar nas medidas investigativas.
A identificação do suposto mandante representa uma nova etapa da apuração, que não se limita aos suspeitos já capturados no Ceará. As autoridades buscam esclarecer a estrutura do grupo e a participação de outras pessoas nas cobranças ilegais.
Policiamento é reforçado com equipes especializadas e apoio aéreo
A operação em Banabuiú envolve diferentes unidades da Polícia Militar, com reforço do patrulhamento ostensivo nas áreas do município.
Segundo a SSPDS, as equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG), da Força Tática (FT) e do Motopatrulhamento atuam diariamente na cidade.
Também foram mobilizados profissionais do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (BEPI), do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) e do Comando da Polícia Militar para Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac).
O município conta ainda com um destacamento da 4ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar. As ações recebem apoio de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), vinculada à SSPDS.
A presença dessas equipes amplia a atuação das forças de segurança na região, tanto para prevenir novas intimidações quanto para dar suporte às atividades relacionadas ao fornecimento de água mineral.
O reforço policial ocorre em paralelo às investigações conduzidas pela Polícia Civil. A estratégia envolve duas frentes: identificar e responsabilizar os envolvidos nas ameaças e garantir que os serviços e atividades comerciais afetados possam funcionar com segurança.
Ameaças de facção afetam comércio e abastecimento de moradores
O caso de Banabuiú chama atenção porque as intimidações atingiram diretamente a comercialização de um produto essencial para a população.
Ao suspender as vendas, os comerciantes buscaram evitar possíveis consequências das ameaças. A decisão, entretanto, provocou dificuldades para os consumidores que dependem da compra de garrafões de água mineral.
A tentativa de impor regras ilegais sobre a atividade comercial também amplia o impacto da ocorrência para além dos estabelecimentos diretamente ameaçados. Quando fornecedores e comerciantes deixam de operar por medo de represálias, toda a cadeia de distribuição pode ser afetada.
Por isso, a operação organizada pela SSPDS e pela Cagece busca manter o fornecimento enquanto as investigações avançam. A continuidade da comercialização dependerá das condições de segurança e da possibilidade de os trabalhadores retomarem suas atividades sem intimidação.
A normalização do comércio será um dos pontos importantes para o encerramento da medida emergencial. Até lá, a previsão é manter o transporte dos garrafões com proteção policial e oferta diária do produto.
Como denunciar ameaças e extorsões no Ceará
A SSPDS orienta que moradores que tenham informações sobre as ameaças, cobranças ilegais ou possíveis integrantes do grupo criminoso procurem os canais oficiais de denúncia.
As informações podem ser repassadas de forma anônima pelos seguintes meios:
- Disque-Denúncia 181: atendimento telefônico.
- WhatsApp: (85) 3101-0181, com possibilidade de envio de mensagens, áudios, vídeos e fotografias.
- E-Denúncia: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
A secretaria garante o sigilo e o anonimato das informações recebidas.
As denúncias podem ajudar a polícia a identificar outros envolvidos, reunir elementos para as investigações e localizar pessoas relacionadas às práticas de extorsão.




