Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas são cuidados que ajudam a preservar a autonomia e a qualidade de vida após os 60 anos. Com o avanço da idade, o organismo passa por mudanças que exigem atenção à nutrição, à manutenção da massa muscular e à saúde mental. A combinação entre movimento, alimentação adequada e acompanhamento profissional pode contribuir para que pessoas mais velhas continuem realizando atividades cotidianas com independência.
A experiência de Cláudio Henrique, servidor público de 61 anos, mostra como a adoção desses hábitos pode fazer parte de uma rotina construída ao longo do tempo. Ele começou a mudar o próprio estilo de vida aos 40 anos, incentivado pela esposa. Atualmente, os dois frequentam academia, fazem caminhadas e também praticam trilhas.
A mudança não se limitou à prática de exercícios. Para Cláudio, cuidar da saúde envolve também prestar atenção à alimentação e à maneira como cada pessoa enfrenta os desafios do cotidiano.
“ A gente começou junto e vimos a necessidade da gente se cuidar. O cuidar não é só a questão da alimentação, não. É a questão também da cabeça, é a questão do dia a dia, de você não levar tudo pra dentro da sua casa ou pra dentro da sua vida de uma forma tão negativa”, relata.
O depoimento chama atenção para uma dimensão importante do envelhecimento saudável: a necessidade de olhar para o bem-estar de forma ampla. A atividade física contribui para manter o corpo em movimento, mas os cuidados também passam pelas escolhas alimentares, pela saúde emocional e pela manutenção de uma rotina ativa.
Alimentação e atividade física após os 60 anos ajudam a preservar a autonomia
O envelhecimento provoca transformações no funcionamento do organismo. Uma delas é a tendência à perda de massa muscular ao longo dos anos. Por isso, manter uma rotina de exercícios e uma alimentação adequada ganha importância para preservar a capacidade de realizar tarefas diárias.
A prática de atividade física deve fazer parte dos cuidados com a saúde em diferentes fases da vida. Caminhadas, musculação, pilates e outras modalidades podem integrar essa rotina, respeitando as condições e necessidades de cada pessoa.
A escolha da atividade, no entanto, precisa considerar as características individuais. A orientação profissional ajuda a identificar quais exercícios são mais adequados e como incorporá-los de maneira segura ao cotidiano.
A experiência de Cláudio também demonstra que a prática não precisa estar restrita a ambientes de academia. Ele e a esposa gostam de caminhar e fazer trilhas, atividades que permitem manter o corpo em movimento e aproveitar momentos juntos.
Ao falar sobre a importância de cuidar da saúde, o servidor público destaca que a alimentação também exige atenção às escolhas feitas diariamente.
“Nós temos que cuidar da alimentação, principalmente alimentação. O que comer? A gente pode comer tudo? Pode, mas de uma forma que a gente saiba fazer essa seleção”, afirma.
A declaração reforça a importância do equilíbrio. Em vez de considerar a alimentação saudável como uma lista de proibições, a proposta é aprender a selecionar os alimentos e observar a quantidade e a frequência de consumo.
Proteínas, fibras e hidratação são importantes para a saúde na terceira idade
A alimentação merece atenção especial com o passar dos anos, principalmente diante das mudanças relacionadas à composição corporal. A ingestão adequada de proteínas, por exemplo, é importante para a manutenção da massa muscular. As fibras também fazem parte de uma dieta equilibrada, enquanto a hidratação contribui para o funcionamento do organismo.
Outro cuidado é evitar o consumo excessivo de açúcar, sódio e alimentos ultraprocessados. Esses produtos, quando presentes em excesso na rotina alimentar, podem prejudicar a qualidade da dieta e dificultar a manutenção de hábitos saudáveis.
A nutricionista Anna Sampaio, da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), destaca que a alimentação precisa contemplar diferentes grupos de nutrientes. O equilíbrio é importante para evitar excessos e garantir variedade nas refeições.
“Sem exageros, para que não haja um desequilíbrio da flora intestinal por conta do excesso de proteína. Então tudo tem que ser bem equilibrado, proteínas, carboidratos e gorduras boas”, orienta.
A profissional também chama atenção para a escolha das fontes de gordura. Entre os alimentos citados estão azeite, peixes e abacate, que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.
“E essas gorduras boas é importante que sejam de fontes como azeite, peixes, abacate também. Evitar as frituras, gorduras, como gordura da carne vermelha, por exemplo”, explica.
A orientação mostra que a qualidade dos alimentos é tão importante quanto a quantidade. Não basta aumentar o consumo de determinado nutriente sem considerar o conjunto da alimentação. O planejamento das refeições deve levar em conta as necessidades de cada pessoa, especialmente em uma fase da vida em que podem existir diferenças nas condições de saúde e na rotina.
Por esse motivo, recomendações alimentares não devem ser tratadas como regras iguais para todos. A avaliação de um nutricionista permite considerar hábitos, necessidades nutricionais e características individuais antes de indicar mudanças.
Acompanhamento nutricional da Alece oferece orientações individualizadas
Na Assembleia Legislativa do Ceará, o Departamento de Saúde e Assistência Social disponibiliza acompanhamento nutricional, com avaliação e orientações voltadas às necessidades de cada paciente.
Além do serviço de nutrição, a estrutura oferece atendimentos em fisioterapia, enfermagem, clínica médica e psicologia. A proposta é reunir diferentes áreas de cuidado para atender demandas relacionadas à saúde e ao bem-estar.
O público contemplado inclui parlamentares, servidores, trabalhadores terceirizados, dependentes e moradores do entorno, conforme a disponibilidade dos serviços.
O acompanhamento nutricional pode ajudar a identificar hábitos que precisam ser ajustados e orientar a construção de uma rotina alimentar mais adequada. Isso é especialmente relevante para pessoas que desejam manter a saúde durante o envelhecimento, mas têm dúvidas sobre o que consumir ou como organizar as refeições.
A recomendação da nutricionista é procurar orientação especializada antes de realizar mudanças significativas na dieta. A avaliação individual permite evitar excessos e considerar as necessidades específicas de cada paciente.
A estrutura também inclui serviços que complementam o cuidado com a saúde. A fisioterapia, por exemplo, pode integrar estratégias de acompanhamento físico, enquanto a psicologia contribui para a atenção à saúde mental.
Anna Sampaio também destaca o papel de atividades como o pilates, que podem reunir benefícios relacionados ao movimento e à convivência.
“Às vezes, a gente olha atividade física só para o corpo”, observa a nutricionista ao comentar a importância de considerar também a socialização proporcionada por essas práticas.
A dimensão social é relevante porque envelhecer com qualidade de vida não depende apenas de alimentação e exercícios. Manter vínculos, participar de atividades e ter uma rotina que estimule o bem-estar também fazem parte dos cuidados.
Projeção da ONU aponta crescimento da população com mais de 60 anos no Brasil
A atenção ao envelhecimento saudável tende a ganhar ainda mais importância diante das mudanças demográficas brasileiras. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o Brasil poderá chegar a 2046 com 61,8 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Esse contingente corresponderia a 26,7% da população.
O crescimento da participação de pessoas mais velhas na sociedade reforça a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção, acompanhamento de saúde e condições para uma vida independente.
A longevidade, por si só, não garante qualidade de vida. A possibilidade de continuar realizando tarefas, manter a mobilidade e participar de atividades sociais depende de diferentes fatores, entre eles o acesso à saúde e a adoção de hábitos adequados.
Nesse cenário, a alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios aparecem como medidas importantes de cuidado. O acompanhamento profissional também ajuda a orientar escolhas de acordo com as condições de cada indivíduo.
Exercícios físicos também contribuem para o bem-estar e a socialização
Aos 61 anos, Cláudio Henrique continua incluindo desafios físicos na rotina. Recentemente, ele e a esposa fizeram uma trilha no Espírito Santo, em um percurso de 1.800 metros de subida.
A experiência reforçou, para o servidor público, a importância de não abandonar as atividades físicas com o passar dos anos. Ele destaca que existem diferentes possibilidades para quem deseja começar ou manter uma rotina de movimento.
“Recentemente, nós estivemos no Espírito Santo, em um local lá onde tem uma montanha que são 1.800 metros. Para vocês terem uma ideia, eu e minha esposa fizemos esse percurso a pé, de 1.800 metros, uma subida, né? E a gente gosta de fazer trilha, gosta de fazer caminhada”, conta.
Cláudio também incentiva outras pessoas a encontrar atividades compatíveis com suas condições e possibilidades.
“E isso é importante. Não deixe de fazer a sua atividade física”, recomenda.
A mensagem está relacionada a uma mudança de perspectiva sobre o envelhecimento. Em vez de associar a idade à interrupção das atividades, a proposta é adaptar a rotina e manter hábitos que favoreçam a saúde e a independência.
A prática de exercícios, a escolha dos alimentos e a busca por acompanhamento profissional são medidas que podem caminhar juntas. Não existe uma fórmula única para envelhecer com saúde, mas a combinação desses cuidados ajuda a construir condições mais favoráveis para preservar a autonomia e aproveitar essa fase da vida com qualidade.




