O Brasil deve registrar 17.190 novos casos de câncer da cavidade oral por ano entre 2026 e 2028. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e integra a publicação Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil. Do total previsto, 12.260 diagnósticos devem ocorrer entre homens e 4.930 entre mulheres.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral ocupa a sétima posição entre os tipos mais incidentes no país. Entre os homens, a doença está entre os cinco tipos de câncer mais frequentes, segundo o Ministério da Saúde.
Durante o Novembro Vermelho, campanha de conscientização sobre a doença, o alerta se volta à prevenção e à identificação de possíveis alterações na boca. A atenção aos sinais e a procura por atendimento profissional são importantes para favorecer o diagnóstico precoce.
Quais são os principais sinais de câncer de boca?
O câncer de boca pode atingir os lábios, a língua, as gengivas, as bochechas, o céu da boca e a região abaixo da língua. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias;
- Manchas ou placas esbranquiçadas ou avermelhadas;
- Caroços nos lábios, na boca ou no pescoço;
- Sangramentos sem causa aparente;
- Rouquidão persistente;
- Dificuldade para mastigar, engolir ou falar;
- Dificuldade para movimentar a língua.
A presença desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas indica a necessidade de avaliação profissional. Feridas que persistem por mais de duas semanas devem ser examinadas por um dentista ou médico.
Como fazer o autoexame da boca?
A observação da boca pode ser feita em casa, diante de um espelho e com boa iluminação. O objetivo é identificar alterações na aparência ou na textura das estruturas da cavidade oral.
Durante a observação, é importante verificar:
- Lábios: observe a parte externa e a interna, procurando feridas, manchas ou alterações na coloração.
- Gengivas: verifique se há manchas, caroços ou lesões.
- Bochechas: afaste os lábios e observe a parte interna dos dois lados.
- Língua: examine a parte superior, as laterais e a região inferior.
- Céu da boca: incline a cabeça para trás e observe a região.
- Assoalho da boca: levante a língua para verificar a área abaixo dela.
Caso encontre alguma alteração, procure atendimento profissional. O autoexame é uma forma de perceber possíveis sinais, mas não confirma nem descarta o diagnóstico da doença.
O que aumenta o risco de câncer de boca?
O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de risco para o câncer da cavidade oral. A combinação dos dois hábitos aumenta ainda mais a possibilidade de desenvolvimento da doença.
Outros fatores também merecem atenção, como exposição dos lábios ao sol sem proteção, alimentação pobre em frutas e verduras e infecção pelo HPV, especialmente em casos de câncer de orofaringe.
Para reduzir os riscos, as principais recomendações incluem:
- Não fumar nem utilizar produtos derivados do tabaco;
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e legumes;
- Usar protetor labial com filtro solar, principalmente em atividades ao ar livre;
- Manter a higiene bucal;
- Consultar regularmente um dentista;
- Manter a vacinação contra o HPV em dia, conforme as recomendações de saúde.
Por que o diagnóstico precoce é importante?
A identificação da doença em estágios iniciais aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento e pode reduzir o risco de sequelas. Por isso, alterações persistentes na boca não devem ser ignoradas, mesmo quando não provocam dor.
A avaliação pode ser feita por um dentista ou médico. Quando existe suspeita de câncer, o profissional pode solicitar uma biópsia, exame que permite analisar uma amostra da lesão e confirmar ou descartar o diagnóstico.
O acompanhamento odontológico também permite observar alterações durante consultas de rotina. Pessoas com implantes dentários devem manter os mesmos cuidados de higiene e avaliação profissional recomendados para os demais pacientes.
A orientação é procurar atendimento sempre que houver feridas, manchas, caroços ou outras alterações persistentes. O diagnóstico depende de avaliação profissional, e não apenas da observação feita em casa.




