A Black Friday deve movimentar R$ 431 milhões no varejo de Fortaleza em 2026, segundo pesquisa sobre a intenção de compra da população realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), da Fecomércio Ceará. A estimativa representa um aumento nominal de 1,2% em relação aos R$ 426 milhões projetados no levantamento de 2025. Entre os consumidores da capital, 46,1% afirmam que pretendem aproveitar as promoções.
O levantamento aponta que a data se mantém entre os principais períodos de movimentação do comércio local, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães. O potencial de consumo estimado corresponde a 91,7% do valor projetado para o Dia das Mães de 2026 e supera em 31,4% a estimativa para o Dia das Crianças no mesmo ano.
Diferentemente de outras datas comemorativas, a Black Friday tem como principal atrativo a possibilidade de adquirir produtos por preços menores. Segundo a pesquisa, o gasto médio previsto pelos consumidores é de até R$ 1.000.
Quase metade dos consumidores pretende comprar na Black Friday
A pesquisa da Fecomércio Ceará mostra que 46,1% dos consumidores de Fortaleza pretendem realizar compras durante a Black Friday de 2026. Outros 41,1% afirmam que não devem participar da data, enquanto 12,8% ainda estão indecisos.
Entre os consumidores que pretendem aproveitar as promoções, 68,2% dizem que buscam produtos de que precisam por preços menores. Já 32,9% querem antecipar a compra de presentes de Natal. Outros 17% afirmam que aproveitariam as ofertas mesmo sem ter uma necessidade específica de consumo.
A pesquisa também identificou os motivos de quem não pretende comprar. Entre esse grupo, 32,5% não acreditam na veracidade das promoções e consideram que os descontos podem ser utilizados como estratégia de marketing. Outros 23,6% avaliam que o momento econômico não é favorável para realizar compras, enquanto 23,1% consideram os descontos pouco relevantes.
As condições financeiras também aparecem entre os fatores que limitam a participação dos consumidores. A falta de dinheiro foi apontada por 21,9% dos entrevistados, enquanto 12,3% afirmaram estar endividados e priorizar o pagamento de dívidas.
Para o presidente da Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Bittencourt, a decisão de comprar na Black Friday está diretamente relacionada à percepção de que os descontos oferecidos representam uma vantagem para o consumidor.
“A adesão à Black Friday depende, em grande medida, da percepção dos consumidores de que o desconto oferecido justifica antecipar ou realizar a compra. Isso torna a credibilidade das promoções e a transparência dos preços elementos centrais para o bom desempenho comercial nesse período”, avalia.
Eletrodomésticos lideram intenção de compra em Fortaleza
Os eletrodomésticos aparecem na primeira posição entre os produtos que os consumidores de Fortaleza pretendem comprar na Black Friday, citados por 37,5% dos entrevistados. Em seguida estão roupas e artigos de vestuário, com 28,1%, e calçados, cintos e bolsas, mencionados por 25,5%.
A pesquisa também identificou mudanças na intenção de compra de algumas categorias em comparação com o levantamento anterior. Cosméticos e perfumes registraram o maior avanço, passando de 9,1% para 18,2%, o que representa uma duplicação da participação.
Os artigos para o lar também apresentaram crescimento, de 3,8 pontos percentuais, enquanto móveis e artigos de decoração avançaram 2,7 pontos percentuais.
Por outro lado, roupas e artigos de vestuário registraram a maior retração entre as categorias analisadas, com queda de 8,7 pontos percentuais.
Os resultados mostram a distribuição da intenção de consumo entre diferentes segmentos, incluindo produtos para uso pessoal, eletrodomésticos e itens destinados à casa.
Lojas físicas são preferência, mas consumidores pesquisam preços na internet
Apesar do crescimento das compras digitais, as lojas físicas continuam sendo a principal preferência dos consumidores de Fortaleza para a Black Friday. Segundo o levantamento, 64,3% dos entrevistados mencionaram os estabelecimentos presenciais como opção de compra. As lojas on-line foram citadas por 41,9%, enquanto 7,9% ainda não decidiram onde pretendem adquirir os produtos.
Os percentuais não são excludentes, já que os consumidores podem utilizar diferentes canais durante o processo de compra.
A pesquisa de preços também aparece como parte importante do planejamento. Ao todo, 76,6% dos entrevistados afirmaram que já fizeram ou pretendem pesquisar valores antes de realizar as compras.
Entre esses consumidores, 55,8% realizam ou planejam fazer a pesquisa com menos de um mês de antecedência. Outros 18,2% começam a comparar preços cerca de um mês antes, enquanto 18% deixam a pesquisa para o próprio dia da Black Friday.
A internet é o principal meio utilizado para comparar valores, mencionada por 42,3% dos entrevistados. As lojas físicas aparecem em seguida, com 34,5%, enquanto 23,2% recorrem aos dois canais.
Na percepção dos consumidores, as lojas on-line e os aplicativos oferecem melhores descontos. Essa avaliação foi apontada por 55,6% dos entrevistados. Já 26,2% consideram que as melhores ofertas estão nos estabelecimentos físicos.
Confiança nas lojas influencia decisão de compra
Além do preço, a confiança nos estabelecimentos também interfere na escolha dos consumidores durante a Black Friday.
De acordo com a pesquisa, 47,7% preferem comprar em lojas onde já realizaram compras e tiveram experiências satisfatórias. Outros 43,8% priorizam a pesquisa pelo menor preço, enquanto 30,7% dão preferência a marcas conhecidas.
Entre os demais fatores considerados estão o frete grátis, citado por 22,6% dos entrevistados, as indicações de outras pessoas, com 20,7%, e o prazo de entrega, mencionado por 19,2%.
Os dados indicam que a decisão de compra envolve diferentes aspectos, além do desconto anunciado. A experiência anterior com a loja, a reputação da marca e as condições de entrega também fazem parte da avaliação dos consumidores.
Consumidores estão adiando compras para a Black Friday
Outro dado identificado pelo levantamento é a antecipação do planejamento de consumo. Segundo a pesquisa, 76% dos entrevistados estão evitando algum tipo de compra durante outubro e novembro para realizar essas aquisições na Black Friday. Outros 24% afirmaram que não estão adiando compras.
O comportamento mostra como a expectativa pelas promoções interfere no período em que os consumidores decidem realizar determinadas despesas. Parte das compras que poderiam acontecer antes acaba sendo transferida para a semana do evento.
Sobre o momento escolhido para comprar, 57,6% pretendem aproveitar a semana da Black Friday. Outros 17% planejam realizar as aquisições no próprio dia da promoção.
Já 16,6% pretendem comprar durante a primeira quinzena de novembro, enquanto 3,1% afirmam que devem deixar as compras para depois do evento.
Os resultados da pesquisa apontam que a Black Friday continua tendo participação relevante no planejamento de consumo dos moradores de Fortaleza, tanto pelo volume financeiro estimado quanto pela influência sobre os hábitos de compra e a escolha dos canais de venda.




