O preço do gás de cozinha em Fortaleza subiu 3% e chegou a R$ 109,40, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente à semana de 25 a 31 de outubro. No Ceará, a alta foi de 1,9%, com o botijão comercializado, em média, por R$ 114,70.
Na Capital, o valor médio passou de R$ 106,18 na semana anterior para R$ 109,40. Já no conjunto do Estado, o preço avançou de R$ 112,60 para R$ 114,70. Os aumentos registrados no Ceará foram superiores às variações observadas no Nordeste e no Brasil no mesmo período.
Na região Nordeste, a elevação média foi de 0,4%. Em âmbito nacional, o avanço ficou em 0,1%. Com o resultado, o Ceará passou a ocupar a quarta posição entre os estados nordestinos com o gás de cozinha mais caro e ficou na nona colocação entre os menores preços do País, conforme a classificação apresentada no levantamento.
A alta pesa diretamente no orçamento de famílias que utilizam o botijão de gás para preparar alimentos. Como se trata de um produto de consumo recorrente, mudanças no preço podem exigir ajustes nas despesas domésticas, especialmente quando ocorrem em um cenário de aumento de outros custos.
Preço do gás de cozinha sobe em Fortaleza e no Ceará
Os dados da ANP mostram que a elevação foi mais intensa na Capital do que na média estadual. O aumento de 3% em Fortaleza levou o preço médio a R$ 109,40, enquanto o valor no Ceará chegou a R$ 114,70, após variação de 1,9%.
A diferença entre os dois resultados indica que o comportamento dos preços não foi igual em todas as áreas pesquisadas. O valor médio estadual ficou R$ 5,30 acima da média registrada em Fortaleza.
No ranking dos estados do Nordeste, o Maranhão apresentou o maior preço médio, com R$ 131,44. Na sequência aparecem Bahia, com R$ 117,35, e Rio Grande do Norte, com R$ 116,20. O Ceará ocupa o quarto lugar, com R$ 114,70.
Confira os valores médios do gás de cozinha nos estados nordestinos:
| Estado | Preço médio |
| Maranhão | R$ 131,44 |
| Bahia | R$ 117,35 |
| Rio Grande do Norte | R$ 116,20 |
| Ceará | R$ 114,70 |
| Sergipe | R$ 111,65 |
| Piauí | R$ 111,45 |
| Paraíba | R$ 109,26 |
| Alagoas | R$ 106,64 |
| Pernambuco | R$ 105,22 |
Entre as capitais brasileiras, Fortaleza aparece com preço médio de R$ 109,40. O maior valor da lista é o de Boa Vista, em Roraima, onde o botijão custa, em média, R$ 142,36. São Luís, no Maranhão, registra R$ 137,36, enquanto Palmas, no Tocantins, aparece com R$ 135.
No outro extremo, Rio de Janeiro apresenta o menor preço médio entre as capitais listadas, com R$ 99,16. Recife aparece com R$ 102,19, e Vitória, com R$ 103,66.
Por que o preço do gás de cozinha está aumentando?
A cotação do petróleo no mercado internacional e a variação do dólar estão entre os fatores que influenciam o preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha. A exposição a essas oscilações ocorre porque, segundo o consultor em energia e combustíveis Ricardo Pinheiro, quase todo o GLP consumido no Brasil é importado.
Quando o dólar se valoriza em relação ao real, os custos de aquisição do produto no mercado internacional podem aumentar em moeda brasileira. A mesma pressão ocorre quando o preço do produto sobe em dólar.
Pinheiro cita a valorização da moeda norte-americana após o segundo turno das eleições presidenciais. Segundo ele, a cotação passou de R$ 5 para R$ 5,60, movimento que elevou os custos de produtos comprados no exterior.
O consultor afirma que a combinação entre a alta do dólar e o aumento do preço internacional amplia o impacto sobre o valor final do combustível no mercado brasileiro.
“Teve o impacto do dólar subindo, o impacto do preço em dólar subindo. Tudo isso gera um volume tão alto de aumentos quando se converte no real, que a Petrobras não consegue segurar”, afirma.
De acordo com Pinheiro, a Petrobras tem tentado evitar que os reajustes tenham um impacto ainda maior para os consumidores. No entanto, os subsídios concedidos pelo Governo não seriam suficientes para neutralizar todas as pressões sobre os preços.
Outro fator citado pelo consultor envolve a tributação. Discussões entre as secretarias estaduais de Fazenda resultaram em reajustes nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com aumento dos impostos incidentes sobre combustíveis.
O GLP, conforme a explicação de Pinheiro, sofre impacto expressivo por ser um derivado de petróleo cuja produção brasileira é limitada. A necessidade de recorrer ao mercado externo torna o produto mais exposto às oscilações internacionais e cambiais.
Hub de Gás do Pecém pode influenciar o preço no futuro
A construção do Hub de Gás no Porto do Pecém é apontada como uma possibilidade de mudança na infraestrutura de abastecimento energético do Ceará. O projeto tem investimento estimado em R$ 1,8 bilhão e previsão de início das operações em 2030.
A estrutura deverá ter capacidade de movimentação de 500 mil toneladas de GLP por ano. A expectativa é ampliar a infraestrutura energética e contribuir para a segurança do abastecimento no Ceará e em estados vizinhos.
Na avaliação de Ricardo Pinheiro, o projeto poderá contribuir para reduzir o custo do gás de cozinha no futuro, caso o GLP passe a ser atendido pelo hub. Essa possibilidade, porém, depende da implantação da infraestrutura de gás natural prevista para o empreendimento.
A perspectiva de redução não significa que o consumidor terá uma diminuição imediata no preço do botijão. O início das operações está projetado para 2030, e o efeito sobre o valor comercializado dependerá das condições de abastecimento e da estrutura que estará disponível.
Até lá, o preço do produto continuará sujeito aos fatores que influenciam o mercado, incluindo as cotações internacionais, o câmbio e a tributação.
Gasolina, etanol e diesel têm variações menores no Ceará
Enquanto o gás de cozinha apresentou alta no levantamento da ANP, outros combustíveis tiveram pequenas reduções na média estadual. A gasolina comum caiu 0,3% no Ceará, passando de R$ 6,94 para R$ 6,92. Em Fortaleza, o preço permaneceu estável.
O etanol também registrou recuo no Estado. A média passou de R$ 4,97 para R$ 4,96, uma redução de 0,2%. Na Capital, não houve alteração no valor médio.
O diesel S10 teve comportamento diferente entre o resultado estadual e o da Capital. No Ceará, o preço médio caiu 0,14%, chegando a R$ 7,29. Em Fortaleza, houve alta de 0,28%, com o litro atingindo R$ 7,01.
Os números mostram que os combustíveis apresentaram movimentos distintos no período analisado. Enquanto o GLP teve aumento mais expressivo, gasolina e etanol registraram pequenas quedas na média estadual, e o diesel apresentou variação diferente entre Fortaleza e o conjunto do Ceará.




