A queima de lixo no Cambeba, em Fortaleza, tem provocado transtornos a moradores de apartamentos, estabelecimentos de saúde e motoristas que circulam pela região. O problema foi registrado na Rua Carrapicho, onde resíduos domésticos, restos de construção e vegetação foram encontrados em uma área aberta com grande quantidade de mato seco. A fumaça chegou a encobrir parte da via e invadir imóveis próximos, incluindo um hospital.
O caso foi denunciado por moradores à produção do Cidade 190, da TV Cidade Fortaleza, que enviou uma equipe de reportagem ao local. Imagens feitas por pessoas que passavam pela região mostram uma extensa coluna de fumaça saindo do terreno e avançando sobre os prédios do entorno.
Durante a reportagem da jornalista Eanuella Braga, também foi possível observar pontos de vegetação queimados e pequenas fagulhas que ainda apresentavam risco de reacendimento. A presença de vento e a quantidade de material seco aumentavam a preocupação com a possibilidade de o fogo se espalhar novamente.
A Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) informou que enviará uma equipe aos terrenos mencionados na Rua dos Carrapichos, no Cambeba, nos próximos dias. O órgão também esclareceu que a queima irregular de resíduos pode ser enquadrada como infração gravíssima, sujeita à aplicação de multa.
Queimada no Cambeba espalha fumaça por residências e estabelecimentos
O terreno onde ocorreu a queimada fica em uma área com vegetação e imóveis residenciais nas proximidades. A concentração de fumaça chamou a atenção de quem passava pela Rua Carrapicho e de moradores dos edifícios localizados no entorno.
Registros feitos por pessoas que estavam na região mostram que a fumaça alcançou uma extensão considerável, encobrindo parte da área onde estão os apartamentos. O problema também atingiu estabelecimentos próximos, incluindo uma unidade hospitalar.
Além do incômodo provocado pela fumaça dentro das residências, a redução da visibilidade passou a representar um risco para quem trafegava pela região. Motoristas precisaram enfrentar o trecho afetado pela concentração de fumaça, que dificultava a visualização da via.
A situação preocupa especialmente porque o terreno está próximo de diferentes tipos de ocupação urbana. Assim, uma ocorrência inicialmente concentrada em uma área de descarte irregular pode alcançar imóveis e interferir na circulação de pessoas e veículos.
Durante a visita ao local, a reportagem identificou diferentes materiais descartados no terreno. Entre eles estavam lixo doméstico, resíduos de construção, gesso, galhos e folhas de árvores.
A presença desses materiais indica que o espaço vinha sendo utilizado para o descarte de resíduos de diferentes origens. A combinação entre lixo acumulado e vegetação seca também exige atenção diante da possibilidade de novos focos de incêndio.
Vegetação seca aumenta risco de propagação do fogo
Um dos principais pontos de preocupação observados pela equipe de reportagem foi a extensão da vegetação existente no terreno.
Grande parte da área estava coberta por mato seco, folhas e restos de poda. Esse tipo de material pode facilitar a propagação das chamas, principalmente quando há vento e outros resíduos acumulados no mesmo espaço.
Durante a gravação, mesmo depois de uma parte do fogo aparentemente ter sido apagada, ainda havia pontos com fagulhas. Em determinado momento, a equipe registrou o reacendimento de uma chama em meio ao material que havia sido queimado.
A situação mostra que o encerramento aparente de um foco de incêndio não significa necessariamente que o risco tenha desaparecido. Enquanto houver material em combustão ou condições favoráveis à retomada das chamas, novos focos podem surgir.
Outro aspecto é a proximidade entre a vegetação e os imóveis residenciais. A presença de prédios e estabelecimentos de saúde no entorno aumenta a preocupação com os possíveis efeitos de uma propagação do incêndio.
A fumaça também pode provocar desconforto e comprometer a qualidade do ar para quem permanece nas proximidades. Em uma região com unidades de saúde, a ocorrência merece atenção adicional, especialmente pelo alcance da fumaça sobre os estabelecimentos.
Até o momento, não foi divulgada a identificação de quem teria provocado o fogo. Embora as características do material encontrado e as imagens registradas levantem a possibilidade de ação humana, a autoria e as circunstâncias da ocorrência não foram confirmadas.
Moradores denunciam repetição de queimadas no bairro
A ocorrência registrada no Cambeba não seria um caso isolado, de acordo com relatos de moradores apresentados à reportagem.
Pessoas que vivem nos edifícios próximos informaram que situações semelhantes já teriam acontecido anteriormente. Os residentes também afirmaram que a Prefeitura de Fortaleza já havia sido acionada para tratar do problema.
A repetição das ocorrências aumenta a preocupação de quem mora e trabalha na região. Além dos transtornos provocados pela fumaça, o descarte irregular de resíduos pode favorecer o surgimento de novos focos de incêndio caso não haja fiscalização e controle da utilização do terreno.
Durante a reportagem, a equipe também levantou a necessidade de verificar a responsabilidade pela manutenção e pelo fechamento da área. Caso se trate de um terreno particular, a situação exige atenção às obrigações do proprietário. Se houver irregularidades no descarte, a fiscalização poderá atuar conforme a legislação municipal.
A identificação da propriedade e das pessoas responsáveis pelo descarte, entretanto, ainda não foi apresentada.
A atuação do poder público é um dos pontos cobrados pelos moradores, que relatam já ter procurado a administração municipal. A expectativa é que a fiscalização consiga identificar as condições dos terrenos, verificar a origem dos resíduos e adotar as medidas previstas na legislação.
Agefis anuncia fiscalização e prevê multas por queima de lixo
Em resposta à denúncia, a Agência de Fiscalização de Fortaleza informou que enviará uma equipe para verificar a situação dos terrenos mencionados na Rua dos Carrapichos, no bairro Cambeba, nos próximos dias.
O órgão também detalhou quais dispositivos do Código da Cidade podem ser aplicados em situações como a registrada na região.
O artigo 900 da Lei Complementar nº 270/2019 classifica como infração gravíssima a queima de resíduos sólidos em espaços públicos ou dentro de imóveis quando a prática provoca poluição ambiental, incômodo às pessoas que circulam ou vivem nas proximidades ou coloca em risco a segurança das edificações vizinhas.
Já o artigo 885 estabelece como infração grave a falta de manutenção de terrenos, sejam eles edificados ou não. A legislação determina que essas áreas sejam mantidas limpas, drenadas e fechadas.
As duas situações estão sujeitas à aplicação de multas. Segundo a Agefis, a definição do valor considera fatores como a gravidade da infração, as circunstâncias que podem agravar ou atenuar a ocorrência e a capacidade econômica do responsável.
A fiscalização anunciada deverá verificar as condições dos terrenos e possíveis irregularidades. A partir da vistoria, poderão ser avaliadas as providências cabíveis conforme as características encontradas no local.
A legislação municipal, portanto, prevê mecanismos para responsabilizar tanto a prática de queima irregular quanto a falta de manutenção de terrenos que possam gerar problemas para a vizinhança.




