A retirada dos escombros da marquise que desabou no antigo prédio da Caixa Econômica Federal, no bairro Aldeota, em Fortaleza, começou no fim da manhã desta sexta-feira (6). A Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) iniciou os trabalhos após ser acionada pela Defesa Civil da Capital. A previsão é que a remoção seja concluída até este sábado (7).
A estrutura caiu por volta das 4h30, no cruzamento da Avenida Barão de Studart com a Rua Dom Expedito Lopes. O imóvel estava abandonado e fica próximo a uma parada de ônibus. Não houve registro de pessoas feridas.
A área foi isolada, e uma faixa de tráfego em frente ao prédio teve a circulação bloqueada. Agentes da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) foram enviados ao endereço para orientar os motoristas e dar suporte às equipes que atuam no local.
Moradores relatam retirada de materiais antes do desabamento
A queda da marquise ocorreu após meses de relatos de invasões e retirada de materiais do antigo prédio. Moradores afirmaram que pessoas entravam no imóvel para retirar peças metálicas, como barras de ferro e estruturas de alumínio. A movimentação teria se intensificado nas últimas três semanas, inclusive durante o dia.
Uma das testemunhas relatou que indivíduos teriam forçado partes da estrutura na véspera do desabamento para retirar os materiais restantes. A hipótese levantada por moradores é que a remoção dessas peças tenha contribuído para o comprometimento da marquise. No entanto, não há confirmação técnica sobre a causa da queda.
Outros relatos apontam que pessoas também teriam invadido condomínios próximos para chegar ao imóvel. Câmeras de segurança teriam registrado parte da movimentação. Moradores ainda mencionaram episódios de ameaças e a circulação de pessoas com objetos como facas e barras de ferro na região.
Durante a cobertura do desabamento, a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza relatou ter sido ameaçada por indivíduos que estavam no local e pediu apoio das forças de segurança.
Defesa Civil já havia vistoriado o prédio em outubro
O imóvel já tinha sido vistoriado pela Defesa Civil de Fortaleza (DCFor) em 29 de outubro, oito dias antes do desabamento. Na ocasião, os agentes identificaram um prédio comercial em aparente estado de abandono, sem portas e janelas e com partes da estrutura se desprendendo.
A equipe isolou com fita zebrada o trecho considerado de risco, próximo à calçada utilizada por pedestres. O proprietário foi identificado e notificado a realizar os reparos necessários para eliminar os problemas encontrados.
Depois da queda da marquise, uma equipe da Defesa Civil voltou ao endereço na manhã desta sexta-feira (6) para fazer uma nova vistoria e avaliar as condições do imóvel após o desabamento.
Proprietário já havia sido autuado pela Agefis
O proprietário do antigo prédio da Caixa também havia sido autuado pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) por falta de fechamento e conservação do imóvel.
A agência informou ainda que houve uma autuação anterior, em setembro, por irregularidades relacionadas à conservação da calçada. A falta de fechamento e manutenção do prédio está prevista no artigo 885 do Código da Cidade de Fortaleza, instituído pela Lei Complementar nº 270/2019, e é classificada como infração grave.
Uma equipe da Agefis esteve no endereço semanas antes da queda, em meio a reclamações de moradores sobre as condições do imóvel.
Trânsito teve bloqueio de faixa na região
Após o desabamento, a AMC isolou a área e bloqueou uma faixa de tráfego em frente ao antigo prédio da Caixa, na Rua Dom Expedito Lopes. Os agentes permanecem no local para organizar a circulação de veículos e apoiar as intervenções realizadas pelas equipes municipais.
A retirada dos escombros começou no fim da manhã desta sexta-feira e deve ser concluída até sábado (7). A Defesa Civil também acompanha as condições da estrutura após a queda da marquise.




