O Ceará chegou a 40 casos confirmados de mpox em 2026, segundo atualização da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) divulgada nesta sexta-feira (6). Do total, 35 pacientes residem em Fortaleza, o equivalente a 87,5% das confirmações. Duas pessoas precisaram de internação por necessidade clínica, mas não há registro de mortes pela doença.
Os dados mostram uma concentração de casos nos últimos dois meses. Em outubro, foram registradas 18 confirmações. Em novembro, até a atualização divulgada pela Secretaria, já eram 17. Entre janeiro e setembro, o Estado havia contabilizado cinco casos.
O cenário levou a Sesa a reforçar as orientações sobre prevenção, transmissão e cuidados diante de sintomas suspeitos. Uma nova nota técnica foi publicada na sexta-feira (6), com informações destinadas à população e aos serviços de saúde.
Ceará registra aumento de casos de mpox em outubro e novembro
A distribuição dos registros chama atenção pela concentração recente das confirmações. Dos 40 casos identificados em 2026, 35 foram notificados nos meses de outubro e novembro.
O número de outubro foi de 18 confirmações, enquanto novembro já contabilizava outras 17 até a atualização divulgada pela Sesa. Nos nove primeiros meses do ano, haviam sido registrados apenas cinco casos.
Todos os pacientes com diagnóstico confirmado são homens, com idades entre 24 e 51 anos. Fortaleza reúne a maior parte das ocorrências, com 35 moradores diagnosticados.
Além dos casos confirmados, 12 notificações permaneciam em investigação. A Secretaria também informou que uma mulher teve o caso classificado como provável, com base em critérios clínico-epidemiológicos. Essa classificação é diferente de um diagnóstico confirmado por exame.
Até o momento, portanto, o balanço estadual aponta 40 confirmações, duas internações e nenhum óbito registrado.
Quais são os sintomas da mpox e como ocorre a transmissão
A mpox é uma infecção causada pelo vírus MPXV. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos, conhecido popularmente como ínguas.
Um dos sinais característicos da doença é o aparecimento de lesões na pele ou nas mucosas. Elas podem se manifestar como manchas, bolhas, feridas ou crostas e atingir diferentes partes do corpo, incluindo rosto, mãos, boca e regiões genital e anal.
O intervalo entre o contato com o vírus e o início dos sintomas costuma variar de três a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. A manifestação da doença pode variar de uma pessoa para outra.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo com lesões, feridas, crostas ou secreções de pessoas infectadas. Também pode acontecer durante relações sexuais, pelo compartilhamento de objetos pessoais contaminados e pelo contato próximo e prolongado com secreções respiratórias.
A Sesa orienta que pessoas que identifiquem lesões suspeitas, com ou sem outros sintomas, procurem uma unidade de saúde para avaliação. O diagnóstico pode ser realizado por exame disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Na maioria dos casos, a doença apresenta evolução leve a moderada, com recuperação em duas a quatro semanas. Pessoas com baixa imunidade, gestantes e crianças pequenas estão entre os grupos com maior risco de desenvolver formas graves da infecção.
Sesa orienta isolamento e cuidados para evitar o contágio
Entre as principais recomendações da Secretaria da Saúde está evitar o contato direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação de mpox. Quem apresentar sintomas deve procurar avaliação profissional e seguir as orientações recebidas para reduzir o risco de transmissão.
A Sesa também recomenda que pessoas com suspeita ou confirmação evitem relações sexuais e contato próximo com outras pessoas até receberem avaliação de um profissional de saúde. Quando houver suspeita, é importante manter as lesões cobertas.
Outra orientação é não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente e talheres. Esses itens podem entrar em contato com secreções ou lesões e contribuir para a transmissão do vírus.
A higienização frequente das mãos também é recomendada, com água e sabão ou álcool em gel. Roupas, toalhas e objetos que tiveram contato com a pessoa infectada devem ser lavados adequadamente. Superfícies que possam ter sido contaminadas precisam ser limpas e desinfetadas.
Pessoas com suspeita ou confirmação devem manter os cuidados indicados pelos profissionais de saúde até o fim do período de transmissão. Isso porque o vírus pode continuar sendo transmitido enquanto houver lesões que ainda não cicatrizaram completamente.
Como funciona a vacinação contra a mpox
A vacinação é uma das estratégias de prevenção da doença, mas não está indicada indistintamente para toda a população. O Ministério da Saúde estabelece critérios para imunização de grupos com maior risco de desenvolver formas graves e de pessoas que tiveram contato de risco com casos suspeitos ou confirmados.
A vacinação pode ser indicada antes da exposição para determinados grupos prioritários e também depois do contato com o vírus, conforme avaliação da vigilância em saúde. A estratégia considera o risco de exposição e a disponibilidade de doses.
A vacina utilizada contra a mpox está relacionada à imunização contra vírus da mesma família, os Orthopoxvirus. Já a vacinação contra a varíola, encerrada mundialmente em 1980 após a erradicação da doença, não deve ser considerada uma garantia de proteção individual contra a mpox.
Por isso, mesmo pessoas que receberam a antiga vacina contra a varíola precisam manter os cuidados recomendados. Evitar contato com lesões, não compartilhar objetos pessoais e procurar atendimento diante de sintomas suspeitos continuam sendo medidas importantes para reduzir o risco de transmissão.
Com 40 casos confirmados em 2026, o Ceará mantém o acompanhamento epidemiológico da doença. A Sesa reforça que a identificação precoce de sintomas, a avaliação nas unidades de saúde e o cumprimento das orientações de prevenção são fundamentais para controlar a circulação do vírus no Estado.



