Eu sou fã de filmes de terror e suspense e confesso que histórias que brincam com o medo de altura conseguem me deixar particularmente tensa. Foi justamente com essa expectativa que fui assistir a “A Queda 2: No Limite”, no cinema da Parangaba.
E se tem uma coisa que o filme sabe fazer é provocar aquela sensação incômoda de olhar para baixo e pensar: “eu não estaria aí nem por todo o dinheiro do mundo”.
A sequência retoma o universo do primeiro filme, mas agora acompanha Jax, irmã de Shiloh, personagem de “A Queda”, que morreu no longa anterior. Ao lado de Luce, amiga de sua irmã, ela embarca em uma aventura na Tailândia que rapidamente se transforma em uma luta desesperada pela sobrevivência. As duas ficam presas em uma estrutura a centenas de metros de altura, sem praticamente nenhuma possibilidade segura de escapar.
E é aí que o filme funciona melhor. A direção dos irmãos Michael e Peter Spierig explora muito bem a sensação de vertigem. A câmera coloca o espectador em posições desconfortáveis e faz com que cada movimento das personagens pareça perigoso. Um simples passo, uma estrutura que se movimenta ou uma tentativa de alcançar um objeto já são suficientes para deixar quem está assistindo apreensivo.
Para mim, que gosto desse gênero, é justamente esse o grande mérito de “A Queda 2”: ele consegue transformar uma situação aparentemente simples em uma sequência de momentos de tensão.
Mas o filme também tem seus problemas.
A principal questão é que a continuação não consegue se afastar completamente da fórmula do primeiro longa. O cenário muda, as personagens mudam, mas a estrutura é bastante parecida: duas pessoas em uma situação extrema, sem saída, tentando encontrar uma maneira de sobreviver.
Algumas críticas também apontaram que o roteiro força determinadas situações e aposta em elementos dramáticos e reviravoltas que acabam tirando um pouco da força da história principal, que é justamente a sobrevivência.
Ainda assim, acho que o filme funciona para aquilo que se propõe a ser.
Não é uma produção que vai revolucionar o gênero, nem precisa ser. É um suspense de sobrevivência feito para provocar ansiedade, desconforto e aquela vontade de gritar para a personagem: “não faz isso!”
E, acreditem, em alguns momentos dá muita vontade de fazer exatamente isso.
Outro ponto positivo é Harriet Slater, que interpreta Jax. A personagem carrega boa parte da história e consegue transmitir o medo e o desespero de alguém que precisa continuar tomando decisões mesmo quando todas parecem ruins.
Os efeitos visuais, porém, nem sempre ajudam. Em alguns momentos, é possível perceber que determinadas cenas dependem bastante de computação gráfica, o que diminui um pouco a sensação de realidade que o filme tenta criar. Essa também foi uma observação presente em outras críticas.
No fim, “A Queda 2: No Limite” não supera a novidade do primeiro filme, mas ainda consegue entregar aquilo que eu procuro quando escolho um bom suspense: tensão, perigo e aquela sensação de que alguma coisa muito ruim pode acontecer a qualquer momento.
Saí do cinema pensando que, definitivamente, escalada não é para mim.
Para quem gosta de filmes de suspense, sobrevivência e principalmente de histórias que mexem com o medo de altura, vale colocar na lista. E se você tiver medo de altura, talvez seja melhor assistir bem confortável na cadeira do cinema e não olhar muito para cima depois.
“A Queda 2: No Limite” tem direção de Michael e Peter Spierig, roteiro de Jonathan Frank e Scott Mann, e conta com Harriet Slater, Arsema Thomas e Tom Brittney no elenco. O filme tem cerca de 1h40 de duração e chegou aos cinemas brasileiros em 1º de outubro de 2026.






