Com um histórico de intervenções e uma cultura do autoritarismo, é necessário compreender as razões do desencantamento com a democracia e oferecer soluções viáveis para o seu fortalecimento.
Assim, proponho analisar essa crise de representatividade em alguns planos distintos: as desigualdades de acesso às esferas de participação; a fragilidade de ideologias e de proposições; a influência da globalização no modelo representativo.
As desigualdades de acesso na Democracia Representativa
Comumente, os candidatos vitoriosos gozam de condições financeiras privilegiadas, seja pelo financiamento próprio das suas campanhas, seja através da utilização dos recursos públicos provenientes do Fundo de Campanhas Eleitorais e/ ou o Fundo Partidário.
De outro modo, os candidatos não entram na disputa eleitoral nas mesmas condições e a desigualdade no acesso a recursos financeiros desencoraja muitos indivíduos a participarem do pleito.
Temos como consequência dessa desigualdade uma baixa representatividade em relação ao pluralismo da sociedade brasileira.
A fragilidade de ideologias e de proposições
Para a grande maioria dos eleitores, a participação politica não passa de uma escolha que ele se vê obrigado a fazer de dois em dois anos, entre candidatos que não apresentam muitas diferenças em termos programáticos ou no sentido da ação politica na condução dos mandatos.
Não raro a expressão “é tudo farinha do mesmo saco”, é utilizada para designar o comportamento adotado por mandatários de cargos eletivos.
A influência da globalização na Democracia Representativa
O modelo representativo, tão questionado e criticado em sociedades contemporâneas, foi estabelecido no contexto dos Estados Nacionais. A velocidade dos meios de transporte e de comunicação provocou o surgimento de múltiplas identidades culturais, fragmentadas e mesmo contraditórias, tornando esse modelo, baseado na demarcação territorial, extremamente problemático.
Qual a saída?
Diante desse cenário, é tentador querer encontrar alternativas fora da democracia. Todavia, reconhecidamente, o regime democrático foi o que mais se aproximou, ao longo da história, da necessidade de incorporação cada vez mais ampla de setores heterogêneos da sociedade.
Se o formato representativo, não conseguiu oferecer as respostas esperadas pela sociedade, ele pode ser aperfeiçoado.
Além disso, muitos teóricos têm discutido outras formas de participação que precisam ser instaladas para fomentar uma Cultura Política da Cidadania no Brasil.
Termos como Democracia em Rede, Democracia Deliberativa, povoam o território acadêmico e podem apresentar um caminho viável nesse sentido.




