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Após tragédia, MPT recebe denúncias sobre jornada de aeronautas da Voepass e abre apuração

Ministério Público do Trabalho investiga supostas irregularidades nas condições de trabalho de aeronautas da Voepass após queda de avião em Vinhedo.

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Após a queda do ATR-72-500 da Voepass em Vinhedo, deixando 62 mortos, na última sexta, 9, o Ministério Público do Trabalho recebeu duas denúncias sobre supostas irregularidades nas condições da jornada de trabalho de aeronautas da companhia. A Procuradoria vai abrir uma nova frente de investigação para apurar o suposto descumprimento da lei que trata dos direitos dos tripulantes - piloto de aeronave, comissário de voo e mecânico de voo.

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O Estadão apurou que as denúncias, sigilosas, ainda serão distribuídas para um procurador. A reportagem entrou em contato com a empresa e deixou espaço aberto para manifestações.

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Quando for aberto inquérito sobre supostas irregularidades na jornada de aeronautas, a Voepass passará a ser investigada em quatro frentes pela Procuradoria do Trabalho.

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A Voepass já é alvo dos seguintes procedimentos:

- Análise do 'acidente de trabalho' envolvendo a morte dos quatro tripulantes do voo 2283 - apuração que tramita em Campinas;

- Procedimento sobre condições do 'meio ambiente de trabalho' em Ribeirão Preto;

- Apuração sobre possível descumprimento de cota de pessoas com deficiência.

Como mostrou o Estadão, um piloto já acusou a companhia aérea de desrespeitar folgas e impor excesso de trabalho à equipe.

A acusação ocorreu durante uma audiência pública da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizada em junho.

Sobre o episódio, a Voepass afirmou que "cumpre com todos os requisitos legais, considerando jornadas e folgas, de acordo com o regulamento brasileiro da Aviação Civil RBAC-117 que disciplina a jornada e gestão da fadiga dos tripulantes".

Segundo levantamento realizado junto ao Ministério Público do Trabalho, a Voepass tem quatro condenações definitivas em ações civis públicas relativas ao não pagamento de verbas trabalhistas e benefícios.

As condenações somam R$ 2.664.100,00 em valores da época em que se iniciou a fase de execução - valor desatualizado, sem juros e mora.

Os processos ainda aguardam a quitação em razão de um Plano Especial de Pagamento Trabalhista, aprovado pela Justiça. Isso porque a preferência de pagamento vai para ações individuais dos trabalhadores e ex-trabalhadores da empresa.

Em 2018, a empresa fechou um acordo judicial com o Ministério Público do Trabalho e se comprometeu a seguir uma série de obrigações quanto a seus colaboradores aeroviários. O ajuste não abrange os funcionários sujeitos à jornada prevista na lei dos aeronautas.

As obrigações incluíam a abstenção de prorrogar a jornada normal de trabalho além de duas horas diárias; conceder um descanso semanal de 24 horas consecutivas; e autorizar intervalo para repouso ou alimentação de, no mínimo, uma hora.

A Procuradoria informou que, recentemente, recebeu denúncias de supostas irregularidades na jornada de trabalho dos aeroviários, de modo que elas foram juntadas ao procedimento que acompanha o cumprimento do acordo judicial e ainda serão analisadas.

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Fonte: Estadão

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