Após nove anos de investigações, a Polícia Federal (PF) revelou um esquema milionário de lavagem de dinheiro envolvendo imigrantes italianos residentes em Fortaleza, capital do Ceará. A operação teve como alvo uma organização criminosa que beneficiava uma das principais máfias da Itália, incluindo membros da temida 'Ndrangheta.
No decorrer das investigações, 20 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na suspensão de 13 vistos concedidos a estrangeiros italianos e na paralisação das atividades de 8 empresas. As autoridades identificaram movimentações financeiras suspeitas que ultrapassam R$ 5 milhões, enquanto a estimativa total de dinheiro lavado supera R$ 100 milhões.
Um dos principais endereços investigados foi um imóvel na Rua Miguel de Dibe, onde funcionava a Câmara de Comércio entre Brasil e Itália e que abrigou, no passado, o vice-consulado italiano. O local foi utilizado como sede de mais de 200 empresas de fachada, registradas por Cesare Villone, apontado como o líder do esquema. Villone, um empresário influente, já integrou o Conselho Geral dos Italianos no Exterior, órgão vinculado ao governo italiano, e foi candidato ao parlamento pelo partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
Além de facilitar a abertura das empresas fantasmas, Villone utilizava sua influência para obter vistos de investidor para italianos interessados em lavar dinheiro no Brasil. Entre os beneficiários do esquema, destaca-se seu irmão, Maurício Villone, que possui histórico criminal na Itália por associação criminosa, fraudes fiscais e tráfico de armas.
A investigação também revelou que recursos ilícitos eram investidos em imóveis de luxo, hotéis, pousadas e restaurantes em Fortaleza. Especialistas apontam que a valorização de propriedades era uma das principais estratégias de lavagem de dinheiro, envolvendo constantes transações imobiliárias.
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Para as autoridades, a desarticulação desse esquema é fundamental para enfraquecer o crime organizado. Segundo os especialistas, o dinheiro ilícito movimentado pela organização também pode financiar atividades criminosas em outras áreas, como exploração de recursos naturais, tráfico de drogas e pessoas.
O advogado de Aurélio Bellantoni afirmou que seu cliente irá colaborar com as investigações. "Bellantoni irá prestar depoimento à Polícia Federal ainda neste mês de janeiro. No momento, não temos mais informações para compartilhar", declarou.
Já a defesa de Cesare e Maurício Villone afirmou, em nota, que as acusações ainda não foram formalizadas e que acreditam que os elementos levantados pela investigação não comprovam a prática de crimes. As investigações continuam, e qualquer novidade será divulgada pelas autoridades.




