O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou que vai se licenciar do mandato na Câmara dos Deputados e morar nos Estados Unidos. Em postagens nas redes sociais neste domingo (16), o parlamentar afirmou que tomou a decisão para evitar uma possível prisão determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Eduardo declarou que o Brasil vive um "período de exceção" e disse que seu objetivo é buscar punições contra o magistrado. Ele também afirmou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pode ser preso e até "assassinado na prisão".
“Não é fácil saber que meu pai pode ser injustamente preso e talvez eu jamais tenha a chance de reencontrá-lo pessoalmente de novo. Não tenho dúvida de que o plano dos nossos inimigos é encarcerá-lo para assassiná-lo na prisão ou deixá-lo lá perpetuamente”, escreveu.
Eduardo Bolsonaro diz que mandato é usado como "cabresto" por Moraes
Eduardo Bolsonaro afirmou que seu mandato está sendo usado pelo ministro Alexandre de Moraes como "cabresto" e "ferramenta de chantagem e coação". A declaração foi dada neste domingo (17), dias após o parlamentar anunciar que vai se licenciar da Câmara dos Deputados para permanecer nos Estados Unidos.
Eduardo, que já está nos EUA há mais de 15 dias, justificou sua decisão alegando perseguição política e acusando Moraes de tentar impedir sua atuação parlamentar. "Meu mandato está sendo usado como instrumento para me prender e impedir que eu represente os melhores interesses do meu país", disse.
Petistas pedem apreensão de passaporte
Na semana passada, os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram um pedido no STF para que o passaporte de Eduardo Bolsonaro fosse apreendido. Eles acusam o parlamentar de traição à pátria e tentativa de constrangimento de autoridades da Corte, citando sua articulação nos EUA contra Moraes.
Apesar das alegações, não há pedido de prisão contra Eduardo Bolsonaro no Supremo.
Disputa na Câmara
Eduardo Bolsonaro era cotado para assumir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara, mas sua indicação era alvo de contestação do PT. Com a licença, o deputado espera que o líder da oposição, Zucco (PL-RS), assuma o cargo.
Zucco afirmou que sua candidatura à presidência do colegiado conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A indicação do meu nome também foi endossada pelo presidente Jair Bolsonaro. Como bom soldado que sempre fui, recebo essa missão a ser cumprida”, declarou.
Eduardo Bolsonaro se licencia do mandato em busca de pressão internacional
O deputado justificou sua decisão como parte de uma estratégia para "expor" e pressionar Alexandre de Moraes internacionalmente.
"A gente está vendo uma maneira de pressionar Alexandre de Moraes a parar esse pacote de maldades. Eu acho que todo mundo já entendeu que no Brasil não existe possibilidade de defesa nesse jogo. Você pode botar o Ruy Barbosa para defender o pessoal do 8 de Janeiro ou Jair Bolsonaro. Ele já está condenado", disse Eduardo.
Segundo ele, a intenção é causar "constrangimento" ao ministro do STF e até mesmo conseguir sanções contra ele. "Você tem que ir onde está o conforto da pessoa", finalizou.




