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Servidor do INSS denunciou, em 2020, no Governo Bolsonaro, os descontos ilegais nos benefícios dos aposentados

Servidor também prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, que abriu uma investigação paralela após denúncias feitas por aposentados ao Ministério Público

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Servidor do INSS denunciou, em 2020, no Governo Bolsonaro, os descontos ilegais nos benefícios dos aposentados
Foto: GCMais

Um servidor da direção central do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) denunciou, em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro, a existência de descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas. A denúncia foi feita à Polícia Federal após o servidor receber ameaças de morte, segundo revelou em entrevista sob condição de anonimato.

Na época, conforme reportagem do Jornal Nacional, ele atuava na área responsável pela análise dos descontos aplicados diretamente nos benefícios e relatou que passou a ser ameaçado após identificar irregularidades em acordos de descontos associativos, como os firmados com a Conafer (Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).

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Em 2020, um servidor do INSS denunciou os descontos ilegais nos benefícios dos aposentados

O servidor também prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, que abriu uma investigação paralela após denúncias feitas por aposentados ao Ministério Público. Ele apontou um crescimento anormal no número de beneficiários vinculados à Conafer: de 80 mil em janeiro de 2020 para mais de 250 mil em outubro do mesmo ano, mesmo com o acordo suspenso naquele mês.

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Firmado em 2017, o acordo da Conafer com o INSS foi suspenso em setembro de 2020 após suspeitas de irregularidades. No mês seguinte, a Diretoria de Benefícios perdeu a atribuição de fiscalizar esses contratos, e a responsabilidade foi transferida para a Diretoria de Atendimento. A mudança levou à reabilitação do acordo com a Conafer, que, posteriormente, homenageou Jobson de Paiva Sales, o diretor responsável pela reversão da suspensão.

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) de 2024 mostrou que a Conafer foi a entidade que mais aumentou o volume de descontos em valores absolutos: de R$ 400 mil em 2019 para R$ 202 milhões em 2023. O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, prestou depoimento à Polícia Civil em 2021 e alegou que os descontos indevidos seriam responsabilidade da Dataprev.

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A Polícia Civil apontou ainda que Carlos Roberto e a esposa, Bruna Braz, negociaram ao menos cinco imóveis entre 2019 e 2020, incluindo uma fazenda de R$ 3 milhões. A investigação foi assumida pela Polícia Federal, mas só resultou em uma operação em abril de 2025, que culminou na queda do então ministro da Previdência e do presidente do INSS.

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Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS, afirmou que a mudança na estrutura das diretorias foi parte de um processo racional de reestruturação, e que deixou o cargo em outubro de 2021, sem acompanhar o desdobramento dos contratos após sua saída.

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