O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presta depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta terça-feira (10), a partir das 14h30, como réu em processo que apura uma suposta tentativa de golpe para mantê-lo no poder. A oitiva será transmitida ao vivo pela TV Justiça.
Bolsonaro é um dos oito investigados no processo. Antes dele, já foram ouvidos nesta segunda-feira o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; o ex-ministro da Justiça Anderson Torres; e o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional.
Os depoimentos são conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem a palavra, antes das manifestações das defesas dos demais réus. O ministro Luiz Fux também participa da sessão e chegou a questionar depoentes na sessão anterior.
Entre os principais trechos das oitivas anteriores, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que Bolsonaro “recebeu e leu” a chamada minuta do golpe, tendo inclusive feito alterações no documento. Segundo Cid, o ex-presidente teria removido a parte que previa a prisão de autoridades, deixando apenas o nome do ministro Alexandre de Moraes.
Ainda no depoimento, Cid afirmou ter entregado uma caixa de vinho com dinheiro ao major Rafael de Oliveira, a pedido do general Braga Netto. O valor seria destinado a custear uma operação golpista. O militar também negou ter sido coagido a colaborar e reforçou que presenciou “grande parte dos fatos”.
Já o delegado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, reconheceu que não há provas de fraude nas eleições e disse que fazia “anotações privadas” sobre o tema, sem repassar informações ao então presidente. Questionado por Moraes, ele negou ter usado a Abin para monitorar ministros do STF.
A sessão teve momentos de descontração. Ao final da audiência, o advogado do general Augusto Heleno pediu que os trabalhos do dia seguinte começassem mais tarde para que pudesse "minimamente jantar". O ministro Alexandre de Moraes acatou o pedido e reagiu com ironia: "Às 9h02".
O último a prestar depoimento será o general da reserva Braga Netto, que está preso no Rio de Janeiro. Ele será ouvido por videoconferência.
Réus ouvidos no julgamento, em ordem:
- Mauro Cid (ex-ajudante de ordens da Presidência e delator)
- Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
- Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)
- Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)
- Augusto Heleno (ex-chefe do GSI)
- Jair Bolsonaro (ex-presidente da República)
- Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)
- Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil – será ouvido virtualmente)




