O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presta depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), a partir das 14h30, em um dos momentos mais aguardados do julgamento que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado. A oitiva será conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes e transmitida ao vivo pela TV Justiça.
A expectativa em torno do depoimento é alta — e não apenas pela presença de Bolsonaro. Nos bastidores, especulações crescem sobre os possíveis desdobramentos da sessão, que pode marcar um novo capítulo na investigação que envolve militares, ex-ministros e figuras centrais do governo anterior.
Bolsonaro é o sexto réu a ser ouvido. Antes dele, prestaram depoimento o almirante Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça) e o general Augusto Heleno (ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional). O último será o general Braga Netto, que está preso e será ouvido por videoconferência.
As oitivas são conduzidas por Moraes, com participação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A sessão anterior foi marcada por momentos tensos — e até irônicos. Ao final, o advogado de um dos réus pediu que a próxima audiência começasse mais tarde, para que pudesse “minimamente jantar”. Moraes acatou, respondendo com sarcasmo: “Às 9h02”.
Bolsonaro pode ser preso hoje?
Um dos depoimentos mais contundentes foi o de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator, que afirmou que Bolsonaro “recebeu e leu” a chamada minuta do golpe, fazendo alterações no conteúdo. Segundo Cid, a versão final do documento excluía nomes de autoridades, mantendo apenas o do ministro Moraes.
Ainda de acordo com o militar, uma caixa de vinho com dinheiro foi entregue ao major Rafael de Oliveira, a mando do general Braga Netto, com o objetivo de financiar ações relacionadas ao suposto plano golpista.
Outros réus também fizeram revelações importantes. Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, disse não haver provas de fraudes nas eleições. Questionado, negou ter usado a agência para monitorar ministros do STF.




