A Justiça do Ceará remarcou para o dia 18 de setembro o julgamento dos dois primeiros réus acusados de envolvimento na Chacina da Sapiranga, que vitimou cinco pessoas na noite de Natal de 2021, em Fortaleza. O júri popular ocorrerá a partir das 9h no Fórum Clóvis Beviláqua. Os réus Nilson Lima Nogueira Filho e Vinicius Rian Inácio da Silvano serão os primeiros a enfrentar a Justiça. Apesar de Vinicius estar foragido, ele será julgado à revelia. O crime, que chocou a comunidade local, aconteceu na comunidade Fronteira, no bairro Sapiranga.
O julgamento estava inicialmente previsto para 14 de agosto, mas foi adiado por necessidade de atualização no sistema eletrônico do Tribunal de Justiça do Ceará. Ao todo, 23 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado (MPCE) por envolvimento na chacina. Quatro dos acusados continuam foragidos, incluindo Vinicius Rian. Os outros 21 réus aguardam análise de recursos apresentados por suas defesas. Caso sejam rejeitados, seus julgamentos serão agendados.
Segundo o MPCE, todos os acusados foram denunciados por cinco homicídios e seis tentativas de homicídio, com diversas qualificadoras: motivo torpe, perigo comum, uso de meio que impossibilitou a defesa das vítimas, emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, envolvimento com organização criminosa e corrupção de menores. A denúncia aponta que o ataque foi planejado e executado por membros de uma facção criminosa em meio a disputas internas de poder.
As vítimas fatais foram identificadas como André Alexandre Rodrigues, Israel da Silva Andrade, John Lenon Holanda, Mateus Ribeiro dos Santos e Ederlan Fausto. Todas as mortes ocorreram no mesmo local: um campo de futebol onde os homens participavam de uma confraternização natalina com amigos e familiares. Seis outras pessoas ficaram feridas durante o ataque, que aconteceu na madrugada de 25 de dezembro.
De acordo com informações da Polícia Militar, horas antes da chacina, criminosos passaram pelo bairro Sapiranga dispersando moradores e interrompendo celebrações de Natal. Pouco depois, o grupo retornou ao local e efetuou diversos disparos contra os presentes no campo de futebol, resultando nas mortes e feridos. A ação gerou forte comoção na comunidade e mobilizou as forças de segurança para investigação e buscas pelos autores.
O Ministério Público apurou que o crime teve como estopim uma ruptura dentro da facção criminosa que atuava na região. Dois líderes, Raí César Silva Araújo e João Ricardo Sousa da Silva — ambos réus no processo — decidiram migrar para outra facção. A chacina teria sido uma retaliação aos que optaram por permanecer na organização anterior, demonstrando o grau de violência e instabilidade nas disputas territoriais entre grupos criminosos no Ceará.




