A taxação de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre peixes vermelhos afetou diretamente as cadeias produtivas do Ceará, que destinava cerca de 90% da produção ao mercado norte-americano. Em apenas uma das empresas impactadas, a exportação chegava a 500 toneladas por mês.
Segundo o empresário Paulo Gonçalves, a perda desse mercado é difícil de compensar. “O mercado americano é difícil de ser substituído. Ele paga bem pelo valor agregado que fazemos no nosso produto aqui no Ceará. Estamos falando, em todas as indústrias, de cerca de 500 toneladas por mês de peixes costeiros, sendo 98% para os Estados Unidos. Alguma coisa fica no mercado local, mas não muito”, afirmou.
Para mitigar os prejuízos, o Governo do Ceará anunciou medidas para direcionar a produção ao consumo interno, com a inserção dos produtos em supermercados e no abastecimento de equipamentos públicos, como merenda escolar e hospitais. As tratativas já estão em andamento.
O secretário executivo da Associação Cearense de Supermercados, Antônio Sales, disse que o setor está mobilizado para absorver parte dessa produção. “A Associação se colocou à disposição, junto ao governo e às empresas exportadoras, para priorizar o produto local nas nossas lojas”, declarou.
Após reunião com representantes da cadeia produtiva, o governador Elmano de Freitas sancionou, em 7 de agosto, a lei que institui o Plano de Socorro para enfrentar os efeitos da taxação. As ações incluem compra de produtos para equipamentos do governo estadual, concessão de auxílio financeiro, antecipação de créditos e ampliação de incentivos fiscais. Um comitê estratégico foi criado para acompanhar a execução das medidas.
Apesar das iniciativas, Paulo Gonçalves alerta que a crise ainda preocupa. “A gente está fazendo o possível e tentando o impossível para sobreviver até que o governo decida conversar com o governo americano e eles cheguem a um acordo. Esperamos reverter essa taxação, que não é boa nem para o Brasil, nem para os Estados Unidos, nem para o consumidor americano, que vai pagar mais caro”, disse.
Antônio Sales acrescenta que há potencial para ampliar a presença desses produtos no mercado local. “Uma carga considerável de pescado, castanha de caju e outros itens pode ser comprada localmente, e nós queremos fazer isso. Vamos aguardar com ansiedade os próximos anúncios”, afirmou.




