O vereador Inspetor Alberto (PL) recebeu uma advertência escrita da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) após votação em Plenário nesta quinta-feira (16). A penalidade, aprovada por 21 votos favoráveis a 8 contrários, ocorreu devido a declarações do parlamentar que relacionavam o Partido dos Trabalhadores (PT) ao crime organizado. O vereador era alvo de um pedido de cassação protocolado pelo diretório municipal petista.
A penalidade de advertência escrita foi a solução sugerida no relatório final do caso. O documento, assinado pelo relator, vereador Luciano Girão (PDT), havia sido finalizado em 2 de outubro de 2025, mas só se tornou público nos registros da Câmara Municipal nesta quinta-feira (16).
A assinatura do vereador Girão no relatório final cita a Sala do Conselho de Ética como local de deliberação. Contudo, os canais oficiais da Câmara não trazem nenhum registro de convocação para uma reunião do colegiado sobre o caso.
Questionada sobre a ausência de convocação oficial, a Comunicação da Câmara Municipal alegou que o rito foi simplificado. “A convocação foi realizada de forma verbal em plenário pelo presidente da comissão no mesmo dia da reunião", afirmou o órgão. No entanto, o próprio Regimento Interno da Casa Legislativa estabelece que tais reuniões devem ser “convocadas com a devida antecedência”.
O relatório final do processo concluiu pelo reconhecimento da quebra de decoro parlamentar por parte do vereador Inspetor Alberto. O parecer aponta que as declarações proferidas constituíram infrações previstas no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Fortaleza.
A denúncia
A controvérsia que motivou a representação do PT Fortaleza ocorreu em 6 de fevereiro deste ano, durante uma discussão em Plenário. Na ocasião, estava em debate um requerimento da vereadora Adriana Almeida (PT) para a realização de uma sessão solene em comemoração aos 45 anos do Partido dos Trabalhadores.
Foi durante a análise daquela proposta que o vereador Inspetor Alberto fez o pronunciamento polêmico. Na tribuna, ele exibiu um vídeo e proferiu declarações associando o Partido dos Trabalhadores a facções criminosas.
Em junho, o Conselho de Ética da CMFor acatou o prosseguimento da denúncia após a votação da admissibilidade, que foi recomendada pelo relator naquele momento. O voto favorável ao prosseguimento teve o apoio dos vereadores René Pessoa (União), Tia Francisca (PSD) e Cláudio Lima (Avante). O único voto contrário ao acatamento foi registrado pelo vereador Julierme Sena (PL).
Na mesma sessão, o Conselho de Ética arquivou outros quatro pedidos de cassação de mandato. Entre os casos descontinuados pelo colegiado estavam denúncias de maus-tratos a animais e ameaça de morte contra o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).



