Um casal de idosos que viveu junto por sete décadas comoveu a cidade de Pedra Branca, no interior do Ceará. Maria de Lourdes, de 95 anos, e Emílio, de 96, faleceram na última terça-feira (4) com poucas horas de diferença, após 70 anos de casamento.
Moradores do distrito de Minerolândia, os dois eram conhecidos pelo companheirismo e pela longa história de amor. Amigos e vizinhos os descreviam como um exemplo de união e afeto. Juntos, criaram oito filhos, além de deixarem 13 netos e nove bisnetos.
De acordo com familiares, Maria de Lourdes faleceu em casa. Pouco tempo depois, Emílio, que estava internado em um hospital, também morreu. A coincidência das partidas emocionou familiares e moradores da região.
O velório e o sepultamento do casal foram realizados juntos. Eles foram enterrados lado a lado no cemitério de Minerolândia, distrito onde construíram a vida e compartilharam mais de 70 anos de convivência.
Caso parecido em São Paulo
Em maio, uma história semelhante aconteceu em Votuporanga, no interior de São Paulo. Após 77 anos de união, sendo 74 de casamento, Odileta Pansani de Haro, de 92 anos, e Paschoal de Haro, de 94, também morreram no mesmo dia, com dez horas de diferença, no último 17 de abril. Dois dias antes, o casal havia comemorado o aniversário de casamento ao lado da família, como faziam há mais de sete décadas.
Odileta nasceu em Mirassol e Paschoal, em Bálsamo, mas foi na Praça da Matriz de Votuporanga que os dois se conheceram. O encontro aconteceu de forma inusitada: enquanto Paschoal brincava com uma corrente, ela escapou de sua mão e caiu no braço de Odileta. O acaso, aliado aos olhares e sorrisos, deu início a uma paixão que foi registrada em cartas trocadas ao longo do namoro, repletas de declarações e promessas de amor eterno.
Casaram-se em 15 de abril de 1951, dia do 20º aniversário de Paschoal, e construíram uma família com seis filhos, netos e bisnetos. O casal também se dedicava a trabalhos voluntários em prol de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Nos últimos anos, Odileta enfrentava o Alzheimer e recebia cuidados diários do marido. Em 2023, Paschoal foi diagnosticado com câncer no intestino, em estágio avançado. Segundo o genro, Luciano Leal, ele costumava pedir a Deus que os levasse juntos.
O desejo se concretizou: Odileta faleceu às 7h da manhã e Paschoal às 17h do mesmo dia, ambos em casa, no mesmo quarto. A data do casamento, 15 de abril, também marca o nascimento da primeira neta e da primeira bisneta do casal, uma coincidência que reforça o laço profundo que uniu suas vidas até o fim.
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