A decretação da liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central, ocorrida na quarta-feira, 21 de janeiro, interrompeu as operações da fintech, que estava em Regime de Administração Especial Temporária desde novembro do ano passado, após a liquidação do Banco Master.
Com o bloqueio do aplicativo, dos cartões e das movimentações financeiras, milhões de clientes passaram a enfrentar dúvidas sobre pagamentos, dívidas, salários e a recuperação de valores mantidos na instituição.
Mesmo com a liquidação extrajudicial e a paralisação dos serviços, as dívidas contraídas pelos clientes seguem válidas. Compromissos como faturas de cartão de crédito, empréstimos e financiamentos continuam exigíveis, conforme previsto em contrato.
No entanto, muitos usuários relatam dificuldades para emitir boletos ou acessar informações sobre débitos, em razão da instabilidade dos sistemas. Nesses casos, a orientação é acompanhar exclusivamente os comunicados oficiais do Banco Central e do liquidante nomeado para administrar a massa da instituição.
Enquanto os canais de atendimento não são plenamente restabelecidos, recomenda-se que os clientes documentem tentativas de pagamento e evitem negociações fora dos meios oficiais.
O que acontece com o dinheiro depositado no Will Bank?
Clientes que mantinham saldo em conta-corrente ou investimentos como Recibos de Depósito Bancário (RDBs) e Certificados de Depósito Bancário (CDBs) contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Como o Will Bank era associado ao fundo, há garantia de ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF. Valores acima desse limite entram no processo de liquidação e podem ter prazos mais longos para eventual devolução.
O pedido de ressarcimento deve ser feito de forma digital, por meio do aplicativo oficial do FGC, com envio de documentos pessoais e aguardo da consolidação da lista de credores. O pagamento não é imediato e pode levar de um a dois meses após a validação das informações.
Impacto da liquidação no Fundo Garantidor de Créditos
A liquidação do Will Bank pode pressionar o Fundo Garantidor de Créditos. Dados do Banco Central indicam que a fintech possuía cerca de R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo, valor que pode ser incorporado aos pedidos de ressarcimento.
O cenário ocorre simultaneamente ao processo de pagamento do maior resgate já realizado pelo FGC, relacionado ao Banco Master, que prevê desembolso de aproximadamente R$ 40,6 bilhões a investidores.
Clientes que recebem salário pelo Will Bank
Trabalhadores que utilizavam a conta do Will Bank para receber salários devem redobrar a atenção. Como as operações estão suspensas, novos depósitos podem ficar retidos até a conclusão do processo de liquidação ou do ressarcimento pelo FGC.
No caso de salários com portabilidade para o Will Bank, os valores tendem a retornar à instituição de origem. Ainda assim, a recomendação é que o trabalhador informe o empregador e o setor de Recursos Humanos para suspender a portabilidade e indicar uma nova conta para os próximos pagamentos.
Atenção a golpes e comunicações falsas
Em situações de liquidação bancária, é comum o surgimento de tentativas de golpe, com envio de links falsos por e-mail ou aplicativos de mensagem, prometendo antecipação de valores ou facilidades para quitação de dívidas.
O Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos alertam que todas as orientações oficiais serão divulgadas exclusivamente por seus canais institucionais. Qualquer contato fora desses meios deve ser tratado com cautela.




