Cearenses que estão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, relataram momentos de tensão após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O espaço aéreo foi fechado no último sábado (28), voos foram cancelados e moradores passaram a seguir orientações de segurança diante do risco de novos ataques e interceptações de mísseis e drones na região.
O empresário Vinícius Linhares estava no aeroporto quando foi informado do cancelamento do voo que o traria de volta ao Brasil. Segundo ele, faltavam cerca de 20 minutos para o embarque quando a companhia aérea comunicou a suspensão temporária da viagem. Pouco depois, o cancelamento foi confirmado de forma definitiva.
Confusão no aeroporto e sensação de insegurança
Vinícius relatou que os passageiros enfrentaram cerca de 12 horas de espera até conseguirem deixar o terminal, passando novamente pelo processo de imigração. Durante a saída do aeroporto, um forte estrondo foi ouvido. Posteriormente, já no hotel, ele soube que o barulho teria sido provocado por estilhaços de um artefato interceptado, que atingiram áreas próximas e deixaram feridos entre trabalhadores do aeroporto.
Desde então, o empresário está hospedado em um hotel com despesas custeadas pela companhia aérea. Ele informou que entrou em contato com o deputado federal Domingos Neto, que acionou o Ministério das Relações Exteriores. A Embaixada do Brasil passou a manter contato direto com o grupo de brasileiros retidos.
“Estamos seguindo a orientação de permanecer no hotel e evitar deslocamentos. Só poderão nos ajudar quando o espaço aéreo for reaberto”, afirmou. Segundo ele, apesar de não ouvir mais explosões nas últimas horas, a falta de previsão para retomada dos voos mantém o clima de apreensão.
Cearenses relatam tensão em Dubai após ataques do Irã
Aline Oliveira, outra cearense que vive há mais de um ano em Dubai com a família, também descreveu o cenário de incerteza. Segundo ela, embora o país não esteja em conflito direto, a posição geográfica estratégica o coloca próximo das áreas atingidas.
De acordo com Aline, mais de 500 drones e mísseis foram lançados nas últimas 48 horas, muitos deles interceptados pelos sistemas de defesa. No entanto, fragmentos desses artefatos teriam atingido pontos da cidade, provocando incêndios.
Ela informou que moradores receberam orientações para permanecer em casa e evitar proximidade com janelas, devido ao risco de estilhaços quebrarem vidros e causarem acidentes. “Esses fragmentos podem atingir janelas e causar ferimentos”, relatou.
A cearense também destacou que o aeroporto segue fechado e que centenas de voos foram cancelados. Apesar disso, serviços como supermercados, farmácias, hotéis e centros comerciais continuam funcionando normalmente. As escolas adotaram aulas on-line como medida preventiva.
Segundo Aline, o sentimento predominante é de insegurança e incerteza. Ela afirma que a rotina mudou, com restrição de deslocamentos e recomendação para permanecer em casa. “Não sabemos exatamente o que pode acontecer. Isso gera preocupação”, disse.
Escalada do conflito no Oriente Médio
No sábado (28), Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra alvos no Irã. Em resposta, o governo iraniano lançou mísseis e drones contra o território israelense. Explosões também foram registradas em países que abrigam bases militares americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque e Jordânia.
A intensificação dos ataques provocou o fechamento de espaços aéreos e o cancelamento de voos na região, afetando turistas e residentes estrangeiros. Autoridades diplomáticas acompanham a situação e prestam assistência aos cidadãos que permanecem nos Emirados Árabes Unidos.
Até o momento, não há previsão oficial para a normalização das operações aéreas. Enquanto isso, brasileiros seguem aguardando orientações e a reabertura do espaço aéreo para retorno ao país.




