A violência contra a mulher em Fortaleza volta ao centro do debate após uma sequência de casos registrados nas primeiras semanas de 2026. Só em janeiro, 2.066 ocorrências foram enquadradas na Lei Maria da Penha no Ceará, segundo a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública. No mesmo mês, três feminicídios foram confirmados no Estado.
Em fevereiro, outros três casos de feminicídio ganharam repercussão. Além disso, agressões foram registradas em diferentes bairros da Capital e no interior, reforçando a necessidade de orientação, denúncia e acompanhamento das vítimas.
Diante do cenário, autoridades detalham os canais de denúncia e o funcionamento da rede de proteção às mulheres em Fortaleza.
Violência contra a mulher: confira canais de denúncia em Fortaleza
A secretária da Secretaria das Mulheres de Fortaleza, Fátima Bandeira, afirma que a Capital conta com uma estrutura organizada para atender vítimas de violência. Segundo ela, existe um protocolo específico que integra diferentes serviços.
“Hoje a gente tem toda uma estrutura e um protocolo da rede de atendimento às mulheres vítimas de violência”, explica a secretária.
Fátima destaca que o principal canal é o 180, serviço nacional que orienta mulheres sobre como agir e a quem procurar. Ela ressalta que o atendimento pode direcionar para suporte jurídico ou psicossocial, conforme a necessidade de cada caso. “O 180 vai dizer para onde ela deve se encaminhar”, afirma.
Além disso, a secretária cita o “Zap Delas”, criado na Procuradoria do Senado Federal. Ela explica que o atendimento é feito por mensagem, com DDD 61, pelo número 61 98309-0025. “Também é um canal que vai dizer como elas podem proceder para conseguir atendimento”, diz Fátima Bandeira.
No campo da segurança, a capitã Dayane, comandante da 3ª Companhia do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades da Polícia Militar do Ceará, detalha como funciona a atuação da corporação nos casos de violência doméstica.
Segundo a oficial, o trabalho ocorre tanto na prevenção quanto na repressão. Quando há registro de violência, uma equipe específica do Grupamento de Apoio à Vítima de Violência (GAVI) realiza visitas à residência da mulher. “Tem visita de monitoramento, acompanhamento, informativa”, explica a capitã.
Ela acrescenta que os policiais também procuram o agressor para reforçar que o caso está sob acompanhamento do Estado. “A gente vai até a casa do agressor para dizer que aquela mulher está sendo acompanhada pela Polícia Militar”, afirma Dayane.
Para as autoridades, denunciar é o primeiro passo para romper o ciclo da violência. A orientação é que vítimas e testemunhas utilizem os canais oficiais e busquem ajuda o quanto antes.
Relembre os últimos casos de violência contra a mulher em Fortaleza e no interior
No dia 3 de fevereiro de 2026, a universitária Luciana Cordeiro do Nascimento, de 27 anos, foi morta dentro de casa, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, após uma discussão com o namorado.
Em 14 de fevereiro, em Itapipoca, Ana Carolina Souza, de 31 anos, foi agredida e morta. O principal suspeito é o ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento.
Já em 22 de fevereiro, na zona rural de Boa Viagem, Aldecina Albuquerque, de 43 anos, foi perseguida e assassinada.
Além dos feminicídios, outros casos de agressão foram registrados. Em 14 de fevereiro, em Ubajara, um médico invadiu uma festa de carnaval e agrediu a ex-namorada após persegui-la por meses. A vítima conseguiu medida protetiva, mas relatou novas ameaças no dia seguinte.
No bairro Jangurussu, em Fortaleza, a Guarda Municipal prendeu em flagrante um homem que agredia a ex-companheira. O crime foi identificado por meio do sistema de videomonitoramento.
Os dados e os casos recentes reforçam o alerta das autoridades: cada registro representa uma vida impactada pela violência. Por isso, a denúncia e a informação continuam sendo ferramentas essenciais para proteger mulheres e salvar vidas.




