Moradores da comunidade Vila Gomes, no bairro Aerolândia, em Fortaleza, voltaram a enfrentar alagamentos nesta terça-feira (14), após o desabamento de parte do muro do Aeroporto de Fortaleza, registrado na madrugada de segunda-feira (13). Mesmo após uma reunião que indicou a possibilidade de ressarcimento pelos prejuízos, a água voltou a invadir casas e comércios, ampliando os danos e a sensação de insegurança na região.
O problema teve início ainda no fim de semana, com chuvas intensas que se estenderam até segunda-feira. Desde então, moradores relatam perdas materiais e dificuldades para retomar a rotina. Apesar da promessa de indenização apresentada por representantes das obras, ainda não há definição sobre prazos, critérios ou formato de pagamento.
Enquanto aguardam respostas, os moradores convivem com novos episódios de alagamento e com o medo de agravamento da situação, especialmente devido a uma barreira próxima às residências.
Relatos expõem prejuízos e medo após novos alagamentos
Na área mais atingida, a água voltou a invadir imóveis poucas horas após a limpeza realizada pelos próprios moradores. Comerciante da região, Eduardo relata que seu estabelecimento foi atingido novamente.
Ele explica que havia organizado o local no dia anterior, mas encontrou tudo coberto de lama nesta terça-feira. “Ontem limpei tudo, deixei tudo organizado. Hoje já está tudo sujo de novo”, afirma Eduardo. Segundo ele, a água chegou até o banheiro do imóvel e causou novos prejuízos. “Estou com geladeira queimada, televisão e vários móveis danificados. Ainda nem consegui calcular o prejuízo”, diz.
Além das perdas materiais, o comerciante destaca o medo constante. Ele afirma que a possibilidade de novos desastres preocupa toda a comunidade. “A gente fica com medo, porque a situação está complicada. A qualquer momento pode acontecer algo pior”, relata.
A insegurança aumenta diante da presença de uma barreira próxima às casas, que pode ceder com o acúmulo de água. “Estamos correndo perigo a qualquer momento desse barranco desabar”, alerta.
Em outro ponto da comunidade, a dona de casa Anilda enfrenta dificuldades semelhantes enquanto cuida de um familiar acamado. Ela relata que precisou limpar a casa mais de uma vez desde o início das chuvas.
Anilda explica que tenta reduzir os danos elevando móveis, mas já acumula prejuízos. “Já perdi a máquina de lavar, o guarda-roupa e tive que levantar a geladeira com tijolos”, afirma. Segundo ela, o nível da água invade grande parte do imóvel. “A gente fica na rede para não se molhar, mas não tem como evitar”, conta.
A moradora também destaca o desgaste diário. “Tem que gastar água todo dia para limpar, e a gente não sabe até quando vai ser assim”, diz.
Ressarcimento após caso no Aeroporto de Fortaleza ainda gera dúvidas
Na segunda-feira (13), moradores participaram de uma reunião com representantes das obras relacionadas ao Aeroporto de Fortaleza. No encontro, foi informado que a população atingida deverá ser ressarcida pelos prejuízos causados pelo desabamento do muro e pelos alagamentos.
A empresa também afirmou que uma equipe técnica deve ser enviada para avaliar os danos nas residências. No entanto, não houve detalhamento sobre prazos, critérios ou como será feito o pagamento das indenizações.
Além disso, foi informado que as obras no local devem continuar. Como medida para reduzir novos impactos, a empresa indicou que pretende adotar ações de drenagem para melhorar o escoamento da água da chuva na região.
Ainda na segunda-feira, houve tentativa de fechar o trecho do muro que desabou, mas moradores se mobilizaram contra a intervenção antes da apuração completa do caso.
Diante da continuidade das chuvas e dos novos alagamentos, a comunidade cobra medidas urgentes. Entre as principais reivindicações estão a drenagem imediata da área, maior segurança estrutural e clareza sobre o ressarcimento prometido.
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