A investigação da Polícia Federal que apura um esquema de movimentação de recursos ligado a apostas — com indícios de lavagem de dinheiro — cita o nome de MC Gui ao analisar transações consideradas suspeitas. O caso está no âmbito da Operação Narco Fluxo.
Segundo o relatório da investigação, MC Gui teria recebido R$ 150 mil entre 1º de maio e 21 de junho de 2024. O valor foi transferido por Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga, apontado como operador financeiro ligado ao esquema investigado na Operação Narco Fluxo.
Operação e desdobramentos
Na última quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo desarticulou uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão provenientes do crime organizado. A ação resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa, da página Choquei.
De acordo com a Polícia Federal, Alexandre atua como um “escudo financeiro” do grupo, responsável por receber grandes quantias — especialmente de intermediadoras ligadas a plataformas de apostas — e redistribuir os valores entre integrantes do esquema.
A análise aponta que, após concentrar esses recursos, ele realizou o repasse ao cantor em uma única transação. O documento destaca um “forte entrelaçamento financeiro entre figuras do meio artístico e a exploração de jogos de azar”.
MC Gui, Narco Fluxo e investigação
Ainda segundo a investigação, esse tipo de movimentação pode indicar distribuição interna de valores, pagamento por parcerias de divulgação ou mescla de capitais sob aparência de atividades do entretenimento.
O relatório também menciona que MC Gui já teve histórico associado a outros episódios, como investigações em 2018 por lavagem de dinheiro e golpes de leilões de veículos, além de uma detenção em 2021 em um cassino clandestino na capital paulista e a promoção de plataformas de apostas.
Apesar disso, o documento não afirma que o artista seja investigado no caso atual, citando seu nome apenas no contexto do repasse financeiro identificado.
O que diz MC Gui
Em nota, a assessoria do artista afirmou que MC Ryan SP era cliente da barbearia do primo de MC Gui, localizada ao lado de seu restaurante, e que decidiu adquirir parte do negócio.
Segundo a defesa, na época da transação não havia conhecimento de possível origem ilícita dos recursos. A equipe reforçou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo apreendeu bens de alto valor que, segundo a polícia, eram usados para ocultar recursos ilícitos. Entre os itens estão 55 veículos de luxo, armas, joias, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos.
Também foram encontrados itens como uma Mercedes-Benz G63 avaliada em cerca de R$ 2 milhões e uma réplica de carro de Fórmula 1 da McLaren. Na casa de MC Ryan SP, agentes apreenderam ainda um colar de ouro com referência a Pablo Escobar.
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