O ex-ministro Ciro Gomes voltou a elevar o tom contra adversários políticos no Ceará ao falar sobre “deslealdade”, “traição” e “ingratidão” durante uma coletiva neste sábado (16). Em meio às articulações da oposição para as eleições de 2026, o pedetista também fez críticas ao governador Elmano de Freitas e voltou a atacar o PT, partido que classificou novamente como uma “organização criminosa”.
As declarações ocorreram durante agenda política em Fortaleza e reforçam o novo posicionamento adotado por Ciro no cenário estadual, marcado pelo rompimento com antigos aliados e pela aproximação de setores da oposição cearense.
Ciro fala em lealdade, traição e ingratidão no Ceará
Ao iniciar a fala, Ciro afirmou que considera “lealdade” e “gratidão” as maiores virtudes de uma pessoa, tanto na vida pessoal quanto na política. Sem citar nomes diretamente, o ex-governador fez referência ao contexto político vivido no Ceará nos últimos anos e mencionou episódios de “deslealdade”, “traição” e “ingratidão”.
“De ninguém é desconhecido o que aconteceu no estado do Ceará em matéria do contexto de lealdade, de deslealdade, traição e ingratidão”, declarou.
Apesar da referência ao cenário político estadual, Ciro afirmou que não pretende aprofundar o assunto e disse que seu “coração já virou a chave”.
A fala ocorre em meio ao distanciamento entre o ex-ministro e antigos aliados políticos, incluindo integrantes do próprio grupo Ferreira Gomes.
Ex-ministro critica governo Elmano durante coletiva
Durante o discurso, Ciro também direcionou críticas à atual gestão estadual e chamou os governantes do Ceará de “fracotes”.
Ao lembrar ações realizadas quando foi prefeito de Fortaleza e governador do estado, o pedetista citou intervenções no Conjunto Ceará e afirmou ter sido responsável pela desapropriação do Hospital Nossa Senhora da Conceição, transformado posteriormente em unidade pública.
“Esses fracotes que governam o Ceará não sabem de nada”, afirmou.
Ciro também criticou a condução recente da saúde pública no estado ao comentar o fechamento da emergência do hospital para obras de recuperação.
Segundo ele, integrantes do atual governo tentaram atribuir o problema ao chamado “hospital de desfecho”, em referência a debates recentes sobre a rede hospitalar estadual.
“Viraram mentirosos”, declarou.
Ciro relembra trajetória política em Fortaleza
Na coletiva, o ex-ministro relembrou ainda o início de sua trajetória política em Fortaleza e afirmou que venceu a eleição para prefeito da capital cearense graças ao apoio popular do Conjunto Ceará.
Segundo ele, a região foi decisiva para inverter a tendência de derrota durante a disputa municipal de 1988.
Ciro também citou o ex-senador Tasso Jereissati, afirmando que recebeu apoio político do antigo aliado no início da carreira.
Ao comentar sua passagem pela Prefeitura de Fortaleza, o pedetista voltou a defender o modelo de “Fortaleza policêntrica”, proposta urbanística voltada à descentralização de serviços públicos e moradia para reduzir deslocamentos da população.
Declarações reforçam distanciamento entre Ciro e PT
Em outro momento da coletiva, Ciro afirmou que inicialmente apoiou candidaturas ligadas ao PT em eleições recentes, mas endureceu novamente o discurso contra o partido.
“Nós apoiamos [...] o PT, achando que o PT virou uma organização criminosa, especialmente aqui no Ceará”, afirmou.
A declaração amplia o distanciamento político entre o ex-ministro e setores petistas no estado, rompimento consolidado após as eleições de 2022.
Nos bastidores, a oposição tenta construir uma frente mais ampla para 2026, reunindo antigos adversários políticos em torno de uma candidatura competitiva ao Governo do Ceará.
Oposição tenta ampliar articulação para 2026 no Ceará
As novas declarações de Ciro acontecem em um momento de reorganização do bloco oposicionista no Ceará.
O pedetista vem intensificando conversas com lideranças que historicamente estiveram em campos opostos ao grupo Ferreira Gomes, incluindo setores ligados ao PL e ao ex-deputado Capitão Wagner.
A movimentação sinaliza uma tentativa de ampliar alianças para enfrentar o grupo político atualmente no comando do estado nas eleições de 2026.
Embora ainda existam divergências internas entre os grupos de oposição, as recentes aparições públicas de Ciro mostram uma estratégia voltada à consolidação de um novo bloco político no Ceará.




