O Caso Kaianne entrou em uma das etapas mais decisivas do julgamento nesta terça-feira (2), no Fórum Manoel Florêncio Filho, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Durante a apresentação das alegações ao Conselho de Sentença, o Ministério Público do Ceará (MPCE) afirmou que a morte da contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves foi resultado de um “feminicídio planejado, revisitado e maquinado”, reforçando a tese de premeditação do crime.
Os jurados são responsáveis por decidir se os réus Leonardo Nascimento Chaves e Adriano Andrade Ribeiro devem ser condenados ou absolvidos pelos crimes apontados na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
O julgamento teve início na segunda-feira (1º) e, até a noite desta terça-feira (2), já acumulava cerca de 19 horas de duração.
Acusação sustenta que morte de Kaianne foi planejada
Durante os debates, os representantes do MPCE apresentaram vídeos relacionados ao encontro entre os acusados e exibiram imagens da vítima. O material foi utilizado para sustentar a tese de que a morte da contadora não ocorreu de forma impulsiva, mas como resultado de uma ação previamente planejada.
Segundo a denúncia, Leonardo Nascimento Chaves teria interesse financeiro na morte da esposa. A acusação aponta que ele era beneficiário de seguros de vida contratados em nome da vítima, elemento que integra a linha argumentativa apresentada aos jurados.
A defesa dos acusados deverá apresentar sua versão dos fatos durante a sequência dos debates no plenário.
O que foi apresentado aos jurados durante o julgamento
A fase atual do Tribunal do Júri é dedicada aos debates orais entre acusação e defesa.
Nesse momento, cada lado expõe sua interpretação das provas produzidas ao longo da investigação, da instrução processual e da própria sessão de julgamento.
Conforme as regras do Tribunal do Júri, acusação e defesa dispõem de até duas horas e meia para suas manifestações iniciais. Depois disso, ainda podem ocorrer réplica do Ministério Público e tréplica da defesa, com até duas horas para cada etapa.
Testemunhas e interrogatórios marcaram os primeiros dias do júri
Antes dos debates, o julgamento passou pela fase de produção de provas em plenário.
Ao todo, sete testemunhas foram ouvidas pelos jurados. Destas, quatro foram apresentadas pela acusação e três pela defesa. Outras testemunhas inicialmente previstas acabaram dispensadas pelas partes.
Após os depoimentos, os dois réus foram interrogados perante o Conselho de Sentença.
Com o encerramento dessa etapa, o julgamento avançou para a fase considerada uma das mais importantes do rito do Tribunal do Júri, quando acusação e defesa buscam convencer os jurados com base nas provas apresentadas.
Família deixa plenário durante exibição de imagens
Um dos momentos mais delicados da sessão ocorreu durante a apresentação de fotografias do corpo de Kaianne Bezerra Lima Chaves.
Diante da exibição das imagens, familiares da vítima optaram por deixar temporariamente o plenário.
A reação evidenciou a forte carga emocional que acompanha o caso, que mobiliza atenção desde o início do julgamento e chega agora à fase decisiva para definição da responsabilidade criminal dos acusados.
O que acontece após os debates entre acusação e defesa
Depois do encerramento das sustentações orais, o processo seguirá para a fase de quesitação.
Nessa etapa, o juiz responsável pelo júri apresentará aos jurados perguntas relacionadas às acusações. As respostas serão dadas em votação sigilosa.
Com base nas decisões do Conselho de Sentença, será definido o resultado do julgamento. Somente após a votação ocorrerá a leitura da sentença em plenário.
Na noite desta terça-feira (2), os trabalhos foram suspensos e terão continuidade nesta quarta-feira (3), a partir das 8 horas.
A expectativa é que os debates sejam concluídos e que os jurados avancem para a votação que definirá o desfecho de um dos casos de maior repercussão recente no Ceará.




