O PM acusado de matar Luena Rocha foi preso nesta quarta-feira (8) após a Justiça do Ceará decretar a prisão preventiva do policial militar Caio Filizola de Paiva, de 36 anos. O agente chegou à delegacia após o cumprimento da nova decisão judicial, que atendeu a um recurso apresentado pelo Ministério Público do Ceará.
Caio é acusado de matar Luena Rocha Melo, de 33 anos, durante uma discussão em um posto de combustíveis localizado no município de Cariré, no interior do Estado. O policial responde por homicídio qualificado.
A prisão preventiva substitui a liberdade provisória concedida anteriormente durante audiência de custódia realizada no início da semana.
PM acusado de matar Luena Rocha é preso após decisão judicial
Após a nova determinação da Justiça, o policial foi encaminhado para os procedimentos legais e apresentado às autoridades policiais.
A decisão que determinou a prisão preventiva considerou a gravidade do crime investigado, as circunstâncias da ocorrência, o histórico de violência doméstica envolvendo acusado e vítima, além da condição de Caio Filizola como integrante da Polícia Militar.
Segundo o Judiciário, as medidas cautelares impostas anteriormente, como monitoramento eletrônico e recolhimento domiciliar noturno, não seriam suficientes diante dos elementos apresentados pelo Ministério Público.
Justiça havia substituído liberdade provisória por prisão preventiva
Na audiência de custódia realizada na segunda-feira (6), a Justiça havia concedido liberdade provisória ao policial, com a aplicação de medidas alternativas.
Na ocasião, o magistrado considerou que, naquele momento, ainda não havia elementos concretos suficientes para converter a prisão em flagrante em preventiva, além de levar em conta que o policial era tecnicamente primário.
Após a decisão, o Ministério Público recorreu e argumentou que a manutenção da liberdade poderia representar risco à ordem pública e ao andamento da investigação. O recurso foi analisado pelo Judiciário, que decidiu pela prisão preventiva do policial.
A decisão também destacou relatos de testemunhas sobre o comportamento do acusado antes do crime. Conforme registrado no processo, Caio teria permanecido por horas no posto consumindo bebida alcoólica e apresentava sinais de embriaguez.
O magistrado também considerou o fato de o policial utilizar arma de fogo e estar em tratamento psiquiátrico com uso de medicamentos controlados.
Relembre o caso da morte em posto de combustíveis em Cariré
O crime aconteceu por volta das 4h da madrugada da segunda-feira (6), em um posto de combustíveis localizado no Centro de Cariré. Segundo testemunhas, Caio Filizola estava no estabelecimento sem farda e iniciou uma discussão com Luena Rocha Melo.
Durante o desentendimento, o policial teria efetuado um disparo que atingiu a vítima. Luena morreu ainda no local antes da chegada de uma equipe de socorro. Após a ocorrência, o suspeito foi preso em flagrante e levado para a Delegacia Regional de Sobral, onde foi autuado por homicídio qualificado.
O namorado da vítima, Hilton Fernandes, relatou que havia chamado Luena para sair do local momentos antes do disparo. Segundo ele, ao se virar para deixar o estabelecimento, ouviu o tiro e afirmou desconhecer o motivo da discussão entre a companheira e o policial.
Familiares de Luena também relataram que já existiam desavenças anteriores entre os dois e mencionaram uma suposta agressão em outra ocasião. As informações seguem sendo apuradas pelas autoridades.
Luena Rocha Melo deixou dois filhos.
Defesa e órgãos de segurança acompanham investigação
A defesa de Caio Filizola informou, em nota, que lamenta a morte de Luena Rocha e que o policial apresentará sua versão exclusivamente dentro do processo judicial.
A Polícia Militar do Ceará informou que o agente estava afastado das atividades por licença para tratamento de saúde quando ocorreu o crime.
A corporação afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta e que acompanha o caso.
A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD) também instaurou procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do policial e determinou seu afastamento preventivo enquanto as investigações continuam.

