PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
REPRESENTAÇÃO

94 anos após conquista do voto, mulheres seguem com baixa representação política

Mesmo representando mais de 52% do eleitorado brasileiro, as mulheres ocupam menos de 20% dos cargos eletivos. Especialistas apontam desafios para ampliar a participação feminina na política.

Compartilhe
94 anos após conquista do voto, mulheres seguem com baixa representação política
A conquista do voto feminino marcou o início de uma série de avanços relacionados aos direitos das mulheres no século XX, no Brasil. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

Noventa e quatro anos após conquistarem o direito de votar e disputar eleições no Brasil, as mulheres continuam sub-representadas nos espaços de poder. Embora representem a maioria do eleitorado brasileiro, elas ocupam menos de 20% dos cargos eletivos, demonstrando que a participação nas urnas ainda não se reflete na mesma proporção na representação política.

O direito ao voto feminino foi conquistado em fevereiro de 1932, após mobilização de movimentos feministas, tornando-se um dos principais marcos da história dos direitos das mulheres no país. Desde então, outras garantias legais foram incorporadas ao longo das décadas, mas especialistas e entrevistadas apontam que desafios como a desigualdade de gênero e a baixa presença feminina na política permanecem.

Leia também: Mais de 1 milhão de eleitores justificaram ausência na primeira hora do segundo turno, diz TSE

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas eleições de 2022, as mulheres representaram mais de 52% do eleitorado brasileiro. Apesar desse protagonismo nas urnas, a ocupação de cargos eletivos segue abaixo de um quinto do total.

PUBLICIDADE

Para a universitária Sara Ellen de Lima, a participação política feminina é essencial para garantir representatividade. "Eu acho que nós somos seres humanos como os homens também, e é super importante a nossa voz. A nossa voz é super relevante", opina, ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.

A representante comercial Eliana de Carvalho Dias afirma que a presença de mulheres nos espaços de decisão amplia a defesa de pautas relacionadas ao público feminino. "Geralmente a gente vai lutar pelo que a gente precisa. Nem sempre os homens, como a maioria é machista, vão fazer projetos, coisas que possam nos beneficiar."

PUBLICIDADE

Direito ao voto abriu caminho para novas conquistas

A conquista do voto feminino marcou o início de uma série de avanços relacionados aos direitos das mulheres. Entre eles estão o direito de trabalhar sem autorização do marido, conquistado em 1962; o acesso ao cartão de crédito, em 1974; e a regulamentação do divórcio, em 1977.

PUBLICIDADE

Mais recentemente, entraram em vigor legislações voltadas ao combate à violência contra a mulher, como a Lei Maria da Penha, em 2015, e a Lei do Feminicídio, em 2018. Apesar dessas mudanças, temas como feminicídio, desigualdade salarial e equidade de gênero seguem presentes no debate público.

PUBLICIDADE

A universitária Melissa Colares considera que o direito ao voto foi um passo importante, mas destaca que outras conquistas ainda são necessárias. "O voto é de extrema importância, sim, mas a gente precisa ainda conquistar muita coisa. Por exemplo, há muitos casos de feminicídio, há muitos casos em que a mulher ganha menos do que o homem. Então, assim, o voto veio pra quê? Para que a mulher tenha voz, para que ela possa escolher. E é isso que o feminismo prega, para que a gente tenha igualdade de gênero e a gente possa escolher onde a gente vai estar", pontua ela.

Mulheres são maioria entre os eleitores, mas minoria na política

Embora o eleitorado feminino seja predominante, a presença de mulheres nos cargos eletivos permanece reduzida.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Para a professora de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC), Danyelle Nilin, a política de cotas foi criada para estimular a participação feminina nas eleições, mas não garante, por si só, maior representatividade. "Naquela ocasião se imaginava que uma lei de ação afirmativa, uma política afirmativa estimularia as mulheres a entrar. Só que, na verdade, é uma lei para estimular as mulheres a concorrer."

Lei de cotas ampliou candidaturas femininas

Criada há cerca de 30 anos, a lei de cotas de gênero determina que os partidos políticos reservem, no mínimo, 30% das candidaturas para mulheres.

Segundo especialistas, no entanto, a legislação representa apenas uma etapa para ampliar a participação feminina na política.

PUBLICIDADE

Danyelle Nilin destaca que fatores como espaço dentro dos partidos e construção de capital político também influenciam o desempenho eleitoral das candidatas. "A gente pode pensar sobre várias questões: como se constrói uma candidatura exitosa, se as mulheres têm realmente esse espaço nos partidos políticos, se elas conseguem construir um capital político que efetivamente leve a uma eleição de fato..."

Na avaliação da professora Valda Peixoto, a busca por maior participação das mulheres na política depende do enfrentamento de barreiras estruturais e da atuação conjunta da sociedade. "Acho que são forças que se complementam e a gente pode trabalhar junto."

Leia também
Mais de 1 milhão de eleitores justificaram ausência na primeira hora do segundo turno, diz TSE
PARCIAL
Mais de 1 milhão de eleitores justificaram ausência na primeira hora do segundo turno, diz TSE
25 de out. de 2026 - 11:12
Elmano de Freitas vota em Caucaia (CE) diz esperar votação expressiva para Lula no Ceará
GOVERNADOR REELEITO
Elmano de Freitas vota em Caucaia (CE) diz esperar votação expressiva para Lula no Ceará
25 de out. de 2026 - 10:46
Lula vota em colégio eleitoral de São Bernardo do Campo (SP), na manhã deste domingo (25)
Eleições 2026
Lula vota em colégio eleitoral de São Bernardo do Campo (SP), na manhã deste domingo (25)
25 de out. de 2026 - 10:37