O julgamento de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, acusado de matar a enfermeira Clarissa Costa Gomes, começa nesta segunda-feira (13), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. A família da vítima acompanha a sessão do Tribunal do Júri e espera que o réu seja condenado pelo crime ocorrido em julho de 2025.
Clarissa, de 31 anos, foi morta dentro da própria residência com 34 golpes de faca. O Ministério Público denunciou Matheus por feminicídio qualificado, e o acusado permanece preso preventivamente desde a data do crime.
A prima da enfermeira, Nathalie Capistrano, afirmou que os familiares esperam uma condenação considerada compatível com a gravidade do caso. “Esperamos que o assassino da minha prima seja condenado, que seja uma condenação alta para ser no mínimo proporcional à crueldade que ele cometeu”, declarou.
Segundo Nathalie, mesmo uma decisão judicial não elimina a perda da familiar, mas representa uma resposta diante do crime.
“Nenhuma condenação vai trazer a Clarissa de volta, nenhuma condenação vai diminuir a dor da saudade, mas é uma resposta ao que ele fez. Clarissa foi uma vida que o Matheus tirou de uma forma cruel e a gente não pode deixar que isso passe em branco”, afirmou ela ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Julgamento começa às 8h no Fórum Clóvis Beviláqua
A sessão do Tribunal do Júri é conduzida pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri de Fortaleza. O julgamento reúne representantes do Ministério Público, defesa do acusado, magistrados e sete jurados, que terão a responsabilidade de decidir se Matheus será condenado ou absolvido.
Durante a sessão, acusação e defesa apresentam suas teses e os elementos reunidos durante a investigação policial e a fase de instrução do processo. Após os debates, os jurados responderão aos quesitos elaborados pela Justiça e decidirão sobre a responsabilidade criminal do réu.
O Tribunal do Júri é responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida, incluindo homicídios e feminicídios.
Acusação espera condenação e contesta tese da defesa
O advogado de acusação, Valdir Xavier, afirmou que a tese apresentada pela defesa de que Matheus teria cometido o crime durante um possível surto não apresenta sustentação. Segundo ele, a alegação já teria sido analisada durante a fase de instrução processual e não teria apresentado provas suficientes.
“Essa alegação não se sustenta. Não houve prova, não houve nada, é uma alegação de quem quer fugir da aplicação da lei”, afirmou.
O representante da acusação declarou ainda que espera que o Conselho de Sentença considere as provas reunidas no processo e condene o acusado.
A defesa do réu foi procurada pela equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
Relembre o caso da morte da enfermeira Clarissa Costa
Clarissa Costa Gomes foi assassinada em julho de 2025, dentro da própria residência, em Fortaleza. Segundo a investigação, o crime teria sido cometido pelo então namorado da vítima, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz.
Os dois mantinham um relacionamento desde 2023. O suspeito foi preso em flagrante no mesmo dia do assassinato.
Na audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. Durante o inquérito policial, Matheus confessou o crime.
Em depoimento, o acusado informou que fazia uso de medicamentos para epilepsia e ansiedade. Na época, o delegado responsável pelo caso informou que o suspeito apresentava sinais de confusão mental e não tinha condições de prestar interrogatório naquele momento.
Enfermeira havia sido aprovada em concurso antes de morrer
Clarissa era enfermeira e servidora concursada do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). No dia em que foi morta, ela recebeu a informação de que havia sido aprovada em um concurso da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Familiares e amigos acompanham o julgamento no Fórum Clóvis Beviláqua e aguardam a decisão dos jurados sobre o caso.




