O julgamento de Matheus Anthony Lima Martins, acusado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) de matar a enfermeira Clarissa Costa Gomes, foi retomado na manhã desta terça-feira (14), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. A sessão havia sido suspensa na tarde de segunda-feira (13) depois que o réu passou mal durante um intervalo do Tribunal do Júri.
Segundo a defesa, Matheus sofreu uma convulsão, caiu e bateu a cabeça. Ele recebeu atendimento médico ainda no fórum por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado ao Instituto Dr. José Frota (IJF) para exames e avaliação clínica.
O advogado de defesa, Emerson Castelo Branco, informou que o acusado possui epilepsia e faz tratamento com medicação. Segundo ele, a recomendação médica foi de que Matheus fosse avaliado antes da continuidade da sessão.
“Ocorreu uma convulsão e, por uma questão de cautela, é necessário que ele seja levado ao IJF para realizar exames. A intenção é garantir que o júri prossiga somente quando ele estiver em condições adequadas de saúde”, afirmou o defensor.
A sessão foi retomada na manhã desta terça-feira. A previsão era de que quatro testemunhas de defesa fossem ouvidas durante a manhã, além do interrogatório do réu.
Antes da suspensão, cinco testemunhas indicadas pela acusação já haviam prestado depoimento.
Réu foi atendido após passar mal durante sessão
O episódio que interrompeu o julgamento ocorreu durante um intervalo das atividades no Fórum Clóvis Beviláqua. Conforme informações apresentadas durante a sessão, Matheus passou mal, caiu e sofreu um ferimento na cabeça, com formação de um hematoma.
Mesmo após a retirada do acusado do plenário, o juiz Antônio Josimar Almeida Alves, responsável pela condução do julgamento, manteve as oitivas previstas para aquele dia. Após o encerramento da etapa, a sessão foi suspensa e marcada para continuidade nesta terça-feira.
Matheus será julgado pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri de Fortaleza pelo crime de feminicídio qualificado, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará.
A acusação aponta qualificadoras relacionadas ao uso de meio cruel e ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Acusação e defesa apresentam argumentos no júri
O MPCE denunciou Matheus por feminicídio qualificado, com agravantes relacionadas ao motivo torpe, ao meio cruel e ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Durante depoimento à Polícia Civil, Matheus apresentou versões diferentes sobre o caso. Inicialmente, afirmou que não havia encontrado Clarissa no dia do crime. Depois, declarou não lembrar do que teria acontecido. Ele permanece preso preventivamente desde então.
O advogado de acusação, Valdir Xavier, afirmou que a tese apresentada pela defesa de que o crime teria ocorrido durante um possível surto não possui comprovação nos elementos reunidos no processo. “Essa alegação não se sustenta. Não houve prova, não houve nada, é uma alegação de quem quer fugir da aplicação da lei”, declarou.
Segundo o representante da acusação, a expectativa é que os jurados considerem as provas apresentadas durante o julgamento.
Família acompanha julgamento de Clarissa
Familiares da enfermeira acompanham a sessão e afirmam esperar uma decisão considerada compatível com o caso.
A prima da vítima, Nathalie Capistrano, declarou que nenhuma condenação elimina a perda da familiar, mas representa uma resposta diante do crime.
“Nenhuma condenação vai trazer a Clarissa de volta, nenhuma condenação vai diminuir a dor da saudade, mas é uma resposta ao que ele fez. Clarissa foi uma vida que o Matheus tirou de uma forma cruel e a gente não pode deixar que isso passe em branco”, afirmou em entrevista à TV Cidade Fortaleza.
Como funciona o Tribunal do Júri
O julgamento é conduzido pelo Conselho de Sentença da 2ª Vara do Júri de Fortaleza e reúne representantes do Ministério Público, defesa, magistrados e sete jurados. Durante a sessão, acusação e defesa apresentam suas teses e os elementos reunidos durante a investigação e a fase de instrução do processo.
Após os debates, os jurados respondem aos quesitos apresentados pela Justiça e decidem pela condenação ou absolvição do acusado.
O Tribunal do Júri é responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida, incluindo homicídios e feminicídios.
Relembre o caso da morte da enfermeira Clarissa Costa
Clarissa Costa Gomes foi assassinada em julho de 2025, dentro da própria residência, em Fortaleza. Segundo a investigação, o crime teria sido cometido pelo então namorado da vítima, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz.
Os dois mantinham um relacionamento desde 2023. O suspeito foi preso em flagrante no mesmo dia do assassinato.
Na audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. Durante o inquérito policial, Matheus confessou o crime.
Em depoimento, o acusado informou que fazia uso de medicamentos para epilepsia e ansiedade. Na época, o delegado responsável pelo caso informou que o suspeito apresentava sinais de confusão mental e não tinha condições de prestar interrogatório naquele momento.
Enfermeira havia sido aprovada em concurso antes de morrer
Clarissa era enfermeira e servidora concursada do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). No dia em que foi morta, ela recebeu a informação de que havia sido aprovada em um concurso da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Familiares e amigos acompanham o julgamento no Fórum Clóvis Beviláqua e aguardam a decisão dos jurados sobre o caso.




