O governo Lula anunciou nesta quarta-feira (22) um pacote de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para apoiar empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço de Trump, que entrou em vigor na mesma data. Os recursos fazem parte da terceira etapa do programa Brasil Soberano e serão destinados principalmente a companhias impactadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova taxação deverá atingir cerca de 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 5,8 bilhões, considerando o volume exportado em 2025.
Além das empresas atingidas pelas tarifas americanas, o programa também atenderá setores afetados por conflitos internacionais e segmentos considerados estratégicos para a economia brasileira.
Governo lança Brasil Soberano 3 para enfrentar tarifaço de Trump
O novo pacote, denominado Brasil Soberano 3, amplia as medidas adotadas pelo governo federal para reduzir os impactos das restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Durante o lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil continuará buscando uma solução por meio do diálogo com o governo norte-americano, mas criticou a forma como a medida foi adotada.
Segundo Lula, o governo brasileiro permanecerá negociando, embora tenha afirmado que não houve reciprocidade nas conversas com os Estados Unidos.
O presidente também declarou que acredita que o país poderá superar o momento fortalecendo sua economia e diversificando mercados para as exportações brasileiras.
Como serão distribuídos os R$ 18,5 bilhões
Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional, enquanto outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com o governo, os recursos poderão ser utilizados para:
- capital de giro;
- aquisição de máquinas e equipamentos;
- investimentos produtivos;
- inovação tecnológica;
- adaptação de produtos e processos;
- abertura e prospecção de novos mercados.
As linhas de crédito terão juros subsidiados, variando entre 3% ao ano, para setores como minerais críticos, e 9,80% ao ano para operações de capital de giro destinadas a grandes empresas.
Segundo o Ministério do Planejamento, cada modalidade de financiamento será regulamentada separadamente, podendo estabelecer critérios específicos, como exigências relacionadas à manutenção de empregos.
Quais empresas poderão acessar as linhas de crédito
Além das empresas diretamente afetadas pelas novas tarifas dos Estados Unidos, o programa contemplará companhias prejudicadas por conflitos geopolíticos, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico.
Também poderão ser beneficiados setores considerados estratégicos pelo governo, entre eles:
- fertilizantes;
- minerais críticos e estratégicos;
- indústria química;
- setor farmacêutico;
- indústria têxtil;
- setor automotivo;
- equipamentos eletrônicos;
- máquinas e materiais elétricos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, os segmentos mais afetados pelo tarifaço são os de madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.
A estimativa do governo é que entre 1 mil e 1,4 mil empresas possam recorrer às novas linhas de financiamento.
Lula defende negociação com os Estados Unidos
Durante a cerimônia, integrantes do governo afirmaram que as negociações com os Estados Unidos continuarão após o período de transição estabelecido para mercadorias em trânsito.
O Ministério das Relações Exteriores também informou que avalia novos procedimentos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), especialmente diante da possibilidade de os Estados Unidos anunciarem novas tarifas relacionadas à investigação sobre trabalho forçado.
Segundo integrantes do governo, há preocupação de que uma eventual nova taxa possa ser somada à tarifa de 25% já em vigor, elevando ainda mais os custos para exportadores brasileiros.
O Brasil Soberano 3 é a terceira etapa do programa criado para reduzir os impactos das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. A primeira versão, lançada em agosto de 2025, disponibilizou R$ 30 bilhões em crédito, enquanto a segunda etapa, anunciada em março de 2026, contou com R$ 21 bilhões em recursos para empresas afetadas tanto pelo tarifaço quanto por conflitos internacionais.




