Muito além de preparar o visual dos foliões para os quatro dias de festa, a customização de abadás se consolidou como uma importante ferramenta de inclusão social e geração de renda durante o Fortal. Em Fortaleza, um ateliê instalado no RioMar Fortaleza reúne 20 costureiras da Associação Arte e Costura do Vicente Pinzón, que transformam camisetas dos blocos em peças exclusivas enquanto encontram na micareta uma das principais oportunidades de trabalho do ano.
A ação integra o projeto Costuras Empreendedoras, realizado pelo shopping em parceria com o Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM). Além de oferecer um serviço bastante procurado pelos foliões, a iniciativa amplia a visibilidade das profissionais, fortalece o empreendedorismo feminino e contribui para a autonomia financeira de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Instalado no Piso L2 do shopping até o dia 26 de julho, o espaço conta com estrutura completa para atendimento ao público, incluindo máquinas de costura, área de corte e provadores. O serviço custa entre R$ 35 e R$ 60, conforme o modelo escolhido e os detalhes da customização.
Customização de abadás movimenta renda durante o Fortal
Quem participa da micareta sabe que o abadá deixou de ser apenas um ingresso para os blocos. A peça passou a fazer parte da produção dos foliões e, por isso, a procura por modelos personalizados cresce a cada edição do evento.
A empresária Vera Fernandes, cliente do ateliê, conta que a customização já virou tradição.
"Sou cliente. Ano passado eu vim do Chic e esse ano eu aluguei um camarote pela minha empresa e vai ser os quatro dias. Mandei customizar dois aqui e já trouxe dois de São Paulo já customizados."
O ateliê funciona desde 2018 durante o período do Fortal e, a cada edição, se transforma em uma importante fonte de renda para as costureiras participantes.
Em 2025, foram 1.035 abadás customizados, gerando faturamento superior a R$ 50 mil, valor administrado pela associação e dividido entre as participantes.
Projeto fortalece empreendedorismo feminino em Fortaleza
Mais do que oferecer um espaço de trabalho temporário, o projeto busca preparar essas mulheres para empreender.
Segundo Luciana Silva, coordenadora pedagógica do Instituto JCPM, a iniciativa vai além da costura.
"Esse trabalho começou em 2018, com a Associação Arte e Costura, onde nós capacitamos a associação de 20 mulheres e nós capacitamos na área do empreendedorismo. Então, elas tiveram aulas de geração de renda, precificação, estilismo e moda e com essa capacitação elas se empoderaram para entrar nesse projeto."
A proposta é fazer com que as participantes desenvolvam seus próprios negócios, conquistem novos clientes e mantenham a atividade ao longo do ano, aproveitando a visibilidade conquistada durante um dos maiores eventos do calendário cearense.
Costureiras conquistam clientes e ampliam oportunidades
Para muitas das profissionais, o Fortal representa uma oportunidade de investir no próprio trabalho e melhorar as condições de vida da família.
A costureira Penha Alcântara explica que o dinheiro obtido com a customização já permitiu importantes conquistas pessoais.
"Eu já comprei a geladeira, a máquina de lavar, fogão, minha máquina é overlock e esse ano eu vou pela recta. Essa é a minha meta com os abadás."
Além do retorno financeiro imediato, o contato direto com centenas de clientes gera novas oportunidades após o evento.
A costureira Edineuza Reis, presidente da Associação Arte Costura, destaca que a visibilidade conquistada durante a ação abre portas para outros serviços.
"A gente acaba customizando os abadás e acaba que eles perguntam: você faz conserto? Isso é muito bom e, sem contar que aqui deu muita visibilidade pra mim, na minha área também em casa, que eu também costuro, faço conserto."
Ela também ressalta o impacto social do projeto.
"Muitas vezes o nosso trabalho lá não é valorizado. E aqui a gente tá tendo oportunidade, essa oportunidade maravilhosa da gente mostrar nosso trabalho, da gente mostrar nosso talento e da gente também ajudar na renda dentro de casa."
Atendimento também para turistas estrangeiros
O Fortal recebe visitantes de diversas regiões do Brasil e também do exterior. Essa diversidade faz com que o atendimento no ateliê também precise se adaptar.
A costureira venezuelana Roxana Escalona utiliza o espanhol para atender turistas e facilitar a comunicação.
"Quando chega algum cliente que fala espanhol, eu atendo ele pra dar uma melhor atenção, poder explicar bem direitinho, eles conseguem entender. Então, depois eles ficam fidelizados pra nós."
O atendimento personalizado acaba criando uma relação de confiança entre clientes e profissionais, fortalecendo ainda mais o trabalho desenvolvido pela associação.
Como funciona o ateliê de customização de abadás
A Associação Arte e Costura foi criada em 2007 e reúne cerca de 30 mulheres do bairro Vicente Pinzón. O grupo desenvolve atividades voltadas à capacitação profissional, artesanato e costura, com foco na geração de renda e na autonomia financeira das participantes.
Desde 2018, por meio do projeto Costuras Empreendedoras, o RioMar Fortaleza e o IJCPM disponibilizam infraestrutura para que parte dessas mulheres comercialize seus serviços durante o Fortal, período considerado um dos mais importantes do ano para o setor.
Enquanto os foliões buscam exclusividade para aproveitar a festa, o trabalho desenvolvido pelas costureiras demonstra que a economia criativa também pode gerar transformação social. A cada abadá customizado, o projeto fortalece o empreendedorismo feminino, amplia oportunidades e mostra que um dos maiores eventos do Ceará também movimenta histórias de superação e independência financeira.




