Um carro começou a soltar fumaça, as chamas apareceram e, em poucos minutos, o veículo ficou completamente destruído. A situação ocorreu no último dia 23 de julho, na Via Expressa, em Fortaleza, e chama atenção para uma dúvida comum entre motoristas: vale a pena ter um extintor no carro e ele realmente pode ajudar em caso de incêndio?
Segundo especialistas, o equipamento pode ser útil, mas apenas em situações específicas. O extintor deve ser utilizado somente quando o fogo ainda está no início. Quando as chamas já tomaram grandes proporções ou existe risco de explosão, a orientação é abandonar o veículo e acionar o Corpo de Bombeiros.
Desde 2015, o extintor de incêndio deixou de ser obrigatório para carros de passeio no Brasil. Atualmente, a exigência permanece para caminhões, ônibus, micro-ônibus e veículos que transportam produtos perigosos.
Mesmo sem a obrigatoriedade, muitos motoristas continuam escolhendo manter o equipamento dentro do veículo como uma medida de segurança.
Bombeiros orientam como agir em caso de incêndio
Ao perceber sinais como fumaça, cheiro de queimado ou início de fogo, a primeira preocupação deve ser preservar a segurança das pessoas dentro do veículo.
A orientação do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará é parar o carro em um local seguro, desligar o motor, retirar todos os ocupantes e chamar ajuda especializada.
A major Samia, do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, explica que algumas atitudes podem evitar que a situação se agrave.
"Percebeu algum sinal, fumaça, cheiro de queimado? Pare o carro imediatamente, desligue o motor e acione o 193, afastando-se do veículo. A gente orienta também que nunca abra o capô. Porque, se o incêndio vier pelo motor do carro, quando se abre o capô, aumenta a quantidade de oxigênio, podendo causar uma explosão ou aumento dessas chamas, fazendo com que esse carro pegue fogo com mais velocidade."
Segundo a especialista, abrir o capô do veículo durante um incêndio pode intensificar as chamas por causa da entrada de oxigênio.
Extintor ABC precisa estar adequado para uso
O modelo indicado para veículos é o extintor ABC, que deixou de ser obrigatório para carros de passeio, mas ainda é utilizado por alguns condutores.
Para quem opta por manter o equipamento no automóvel, alguns cuidados são necessários. O extintor deve:
- ser do tipo ABC;
- estar dentro do prazo de validade;
- possuir selo do Inmetro;
- permanecer em local de fácil acesso.
Além de possuir o equipamento, o motorista precisa saber manuseá-lo corretamente. O comerciante Leonardo Freitas explica que o procedimento exige atenção, mas não é complexo:
"O manuseio é algo simples. Você vai quebrar a trava de segurança, tentar pegar fixo nele e apertar. Se apertou, não tem segredo. Tentar manter a calma e ter o extintor. Não pode deixar de ter, tem que ter."
Extintor não substitui o trabalho dos bombeiros
Apesar de poder ajudar em um princípio de incêndio, o extintor não é capaz de controlar completamente um incêndio de grandes proporções.
A recomendação é que o motorista não tente combater as chamas caso exista risco à própria segurança. A major Samia reforça que o equipamento tem uma função limitada:
"O extintor não vai fazer o combate ao incêndio no veículo no total. Ele pode impedir que esse veículo pegue fogo, mas só se o condutor souber utilizar."
Quando o fogo aumenta, a prioridade deve ser sair do local, manter distância do veículo e aguardar a chegada das equipes de emergência.
Projeto discute volta da obrigatoriedade do extintor
A discussão sobre o retorno da obrigatoriedade do equipamento ainda está em andamento. Um projeto de lei prevê novamente a exigência do extintor para veículos de passeio, mas a proposta continua em tramitação no Senado.
Enquanto não há uma decisão, especialistas reforçam que a principal prevenção continua sendo a manutenção do veículo.
Manter revisões em dia, observar sinais como fumaça ou cheiro de queimado e saber como agir em uma emergência são medidas que podem reduzir riscos.




