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INVESTIGAÇÃO

Júri de ex-PMs acusados de matar advogado em Fortaleza é adiado pela Justiça

Sessão do Tribunal do Júri foi adiada a pedido do Ministério Público após uma testemunha considerada essencial não comparecer. Crime ocorreu em 2023 e investigação apontou ameaças relacionadas à retirada de notícias de um site

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Júri de ex-PMs acusados de matar advogado em Fortaleza é adiado pela Justiça
Justiça remarca para novembro júri de ex-PMs acusados de assassinar advogado em Fortaleza. Foto: Reprodução

A Justiça do Ceará adiou o júri de ex-PMs acusados de matar advogado em Fortaleza, que seria realizado nesta quinta-feira (30), no Fórum Clóvis Beviláqua. Os réus Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza respondem pela morte do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais, assassinado em maio de 2023. A nova sessão do Tribunal do Júri foi marcada para o dia 4 de novembro.

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O adiamento ocorreu a pedido do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), responsável pela acusação, após a ausência de uma testemunha considerada imprescindível para o julgamento. A testemunha é uma policial que participou das investigações do caso e não pôde comparecer à audiência.

Para a sessão desta quinta-feira estavam previstas as oitivas de 15 testemunhas, sendo dez indicadas pela defesa e cinco pela acusação.

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Por que o júri dos ex-PMs foi adiado

Segundo o MPCE, a presença da policial que atuou na investigação era considerada essencial para a instrução do julgamento. Diante da impossibilidade de comparecimento da testemunha, o Ministério Público solicitou o adiamento, pedido acolhido pela Justiça.

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Com isso, o julgamento foi remarcado para 4 de novembro, quando os dois ex-policiais militares deverão ser levados a júri popular.

Os réus foram pronunciados em maio de 2025 pelo juiz da 1ª Vara do Júri. A decisão confirmou que havia indícios suficientes para que ambos fossem julgados pelo Tribunal do Júri e manteve a prisão preventiva dos acusados para garantia da ordem pública.

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Advogado foi morto em frente à própria residência em Fortaleza

Francisco Di Angellis Duarte de Morais tinha 41 anos quando foi assassinado em 6 de maio de 2023, no bairro Parquelândia, em Fortaleza. O crime aconteceu em frente à residência da vítima e teve grande repercussão no meio jurídico e na imprensa cearense.

De acordo com a investigação, o homicídio estaria relacionado a uma série de ameaças e a uma suposta tentativa de pressionar o advogado para retirar reportagens publicadas por um grupo de comunicação.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Di Angellis prestava serviços jurídicos ao Don7 Media Group e teria participado de negociações envolvendo a remoção de conteúdos jornalísticos que abordavam a evolução patrimonial de um empresário ligado aos setores de cooperativa de saúde e postos de combustíveis.

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Investigação apontou ameaças e suposta tentativa de retirar notícias do ar

Durante a investigação, o empresário Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso afirmou à Polícia Civil do Ceará que havia se desentendido com o advogado em razão de reportagens e publicações em grupos de WhatsApp relacionadas à sua ascensão financeira.

Segundo seu depoimento, a situação teria começado após divergências envolvendo recursos de emendas parlamentares destinadas à área da saúde. O empresário também mencionou o deputado federal Júnior Mano (PL) ao relatar sua versão dos fatos.

Na decisão que levou os ex-PMs a júri, entretanto, o empresário foi impronunciado, ou seja, a Justiça entendeu que não havia indícios suficientes para submetê-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri.

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Na ocasião, o magistrado destacou que a decisão foi tomada por ausência de elementos suficientes que indicassem autoria ou participação do empresário nos crimes descritos na denúncia.

Após as declarações feitas pelo empresário, o deputado Júnior Mano afirmou que a versão apresentada era falsa e sem respaldo nas provas reunidas pela investigação. Em nota divulgada à época, o parlamentar declarou que a acusação era inverídica e colocou-se à disposição das autoridades responsáveis pela apuração.

Já o jornalista Donizete Arruda, citado no contexto das investigações, não respondeu aos contatos feitos pela reportagem na época dos fatos.

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A Polícia Civil também instaurou um inquérito para apurar as acusações de extorsão relacionadas ao caso. Ao fim da investigação, nem o deputado Júnior Mano nem o jornalista Donizete Arruda foram indiciados ou denunciados.

O processo referente ao homicídio segue em tramitação na Justiça cearense, e o julgamento dos dois ex-policiais militares deverá ocorrer em novembro.

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