Ciro Gomes, nome político de Ciro Ferreira Gomes, é ex-governador do Ceará, ex-prefeito de Fortaleza, ex-ministro da Fazenda e ex-ministro da Integração Nacional. Em 2026, aos 68 anos, volta a disputar o Governo do Ceará pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda pela qual foi eleito governador em 1990.
Nascido em Pindamonhangaba (SP), em 6 de novembro de 1957, Ciro mudou-se ainda criança para Sobral, no interior do Ceará, onde construiu as bases de sua trajetória política. Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciou a carreira eleitoral no começo dos anos 1980 e, desde então, ocupou cargos no Legislativo, no Executivo estadual e municipal e no governo federal.
Em 2026, Ciro volta a disputar o Governo do Ceará mais de três décadas depois de ter ocupado o cargo entre 1991 e 1994. A candidatura faz parte de uma composição eleitoral que reúne PSDB, União Brasil e Partido Liberal (PL).
O início da trajetória política de Ciro Gomes
A carreira política de Ciro Gomes começou no Ceará, ainda na década de 1980. Em 1982, foi eleito deputado estadual pelo estado. A votação o colocou em posição de destaque especialmente em Sobral, município com o qual sua família mantém uma longa trajetória política.
Ciro foi reeleito deputado estadual em 1986 e passou a exercer papel de liderança na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). No período, esteve próximo do então governador Tasso Jereissati, que posteriormente se tornaria uma figura importante na história do PSDB cearense.
Dois anos depois, Ciro ampliou sua atuação política e venceu a eleição para a Prefeitura de Fortaleza. A passagem pelo Executivo municipal, entretanto, foi curta. Cerca de 15 meses depois de assumir o cargo, deixou a Prefeitura para disputar o Governo do Ceará.
Da Prefeitura de Fortaleza ao Governo do Ceará
Em 1990, Ciro Gomes foi eleito governador do Ceará. A vitória também teve importância nacional: ele se tornou o primeiro governador eleito pelo PSDB no Brasil. O mandato começou em 1991 e terminou antes do prazo regular. Em 1994, Ciro deixou o Palácio da Abolição para assumir o Ministério da Fazenda no governo do presidente Itamar Franco.
A passagem pelo governo estadual marcou uma das primeiras grandes fases da carreira de Ciro e estabeleceu uma relação política duradoura com o Ceará.
Em 2026, Ciro tenta novamente chegar ao Palácio da Abolição, em uma eleição que também tem entre os candidatos o atual governador, Elmano de Freitas (PT).
Ciro Gomes nos governos Itamar Franco e Lula
Depois de deixar o Governo do Ceará, Ciro Gomes ganhou espaço na política nacional.
Em 1994, assumiu o Ministério da Fazenda durante o governo de Itamar Franco. O período coincidiu com uma etapa importante da economia brasileira, marcada pela consolidação do Plano Real.
Entre 2003 e 2006, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocupou o cargo de ministro da Integração Nacional.
A experiência ampliou sua atuação para além do Ceará e o colocou no centro de discussões nacionais relacionadas a infraestrutura, desenvolvimento regional e políticas públicas.
Depois, voltou à Câmara dos Deputados, onde exerceu mandato entre 2006 e 2010.
As quatro candidaturas de Ciro Gomes à Presidência
Ciro Gomes disputou a Presidência da República quatro vezes: em 1998, 2002, 2018 e 2022.
As campanhas presidenciais fizeram com que seu nome ganhasse projeção nacional, mas nenhuma delas terminou com a eleição para o Palácio do Planalto.
Na disputa de 2022, quando ainda estava filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), Ciro terminou em quarto lugar no primeiro turno, com aproximadamente 3% dos votos válidos.
O resultado fez parte do contexto político que antecedeu sua decisão de voltar à disputa estadual em 2026. A escolha também afastou, naquele momento, a possibilidade de uma nova candidatura presidencial. Em 2026, Ciro optou por concorrer novamente ao Governo do Ceará.
A saída do PDT e o retorno ao PSDB
A mudança partidária foi um dos principais movimentos de Ciro entre as eleições de 2022 e 2026.
Depois de anos no PDT, ele deixou a legenda em 2025 e retornou ao PSDB, partido pelo qual havia sido eleito governador do Ceará em 1990. O retorno ocorreu durante a construção de uma nova candidatura estadual.
Ciro passou a trabalhar para voltar ao Governo do Ceará e, ao mesmo tempo, passou a integrar articulações políticas com grupos que anteriormente estiveram em campos distintos do seu.
Em 2026, Ciro chegou a ser convidado pelo PSDB para avaliar uma nova candidatura à Presidência, mas escolheu a disputa estadual. A decisão foi anunciada em maio.
Em 20 de julho, a Federação PSDB-Cidadania homologou oficialmente seu nome para a eleição. A convenção também aprovou candidaturas proporcionais da federação e definiu a participação na disputa sob o nome “Unir para Mudar”.
A aliança com União Brasil e PL
A composição com União Brasil e Partido Liberal passou a integrar a candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará em 2026. Entre os aliados está André Fernandes (PL), deputado federal e presidente estadual da legenda, além de Capitão Wagner, do União Brasil.
Ao anunciar a candidatura, Ciro afirmou que pretendia se apresentar como uma alternativa à polarização política. Entre os temas abordados em sua campanha estão segurança pública e combate à atuação de organizações criminosas no Ceará.
A escolha do PL por apoiar Ciro e lançar Alcides Fernandes ao Senado também provocou divergências dentro do partido. Michelle Bolsonaro defendeu a candidatura de Priscila Costa para a vaga.
A composição reúne partidos e lideranças com trajetórias políticas diferentes em uma mesma chapa para as eleições estaduais de 2026.
A disputa política entre Ciro e Cid Gomes
Outro elemento da eleição de 2026 é a relação política entre Ciro Gomes e seu irmão, Cid Gomes. Os dois fizeram parte durante anos do mesmo grupo político no Ceará. Cid foi governador do estado entre 2007 e 2014 e posteriormente ocupou uma cadeira no Senado.
A relação política entre os irmãos se deteriorou ao longo dos últimos anos.
Em 2026, a divergência ganhou dimensão eleitoral. Cid Gomes está associado ao grupo que apoia a candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas, enquanto Ciro disputa o Governo do Ceará em uma chapa de oposição.
Dessa forma, a eleição coloca em lados diferentes dois nomes de uma família que teve influência na política estadual durante décadas.
A disputa ainda tem outro componente: a chapa de Ciro reúne Capitão Wagner, que ganhou projeção política em meio ao conflito envolvendo policiais e bombeiros do Ceará entre 2011 e 2012, período em que o governo estadual era comandado por Cid Gomes.
A chapa de Ciro Gomes para 2026
A candidatura de Ciro é acompanhada por uma composição que reúne diferentes grupos da oposição cearense.
O desenho da chapa tem:
- Governador: Ciro Gomes (Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB);
- Vice-governador: Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza;
- Senado: Capitão Wagner (União Brasil);
- Senado: Alcides Fernandes (Partido Liberal – PL).
A composição reúne Ciro e nomes que, em diferentes momentos, estiveram em campos políticos distintos.
A formação da chapa reúne diferentes setores da oposição em torno da candidatura ao Governo do Estado e das duas vagas ao Senado que estarão em disputa em 2026.




