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PRESIDÊNCIA

Em São Bernardo do Campo, Lula reúne multidão ao lançar campanha à reeleição

Presidente escolheu o estádio 1º de Maio, no ABC Paulista, para iniciar oficialmente a disputa por um quarto mandato e relembrou mobilizações dos trabalhadores no fim da ditadura

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Em São Bernardo do Campo, Lula reúne multidão ao lançar campanha à reeleição
O estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, foi escolhido para recuperar a memória das assembleias dos trabalhadores do ABC realizadas entre 1978 e 1980. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente neste domingo (16) a campanha pela reeleição à Presidência da República em um ato no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O local escolhido para a largada tem relação direta com a trajetória política do petista, que começou no movimento sindical da região e ganhou projeção nacional durante as grandes mobilizações dos metalúrgicos no fim da década de 1970.

Com o lema “Brasil pronto para mais” e o mote “Onde tudo começou”, o evento foi estruturado em torno das lembranças de Lula como líder sindical. Em cerca de 35 minutos de discurso, o presidente também falou sobre segurança pública, soberania nacional, educação, emprego, mulheres e jovens, além de fazer críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Lula lança campanha à reeleição no estádio que marcou sua trajetória

O estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, foi escolhido para recuperar a memória das assembleias dos trabalhadores do ABC realizadas entre 1978 e 1980. O espaço era utilizado pelos metalúrgicos em grandes mobilizações durante o processo de abertura política do país.

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Uma das assembleias mais marcantes ocorreu em 1979, quando mais de 100 mil pessoas participaram de uma mobilização. Como não havia equipamentos de som suficientes para alcançar todos os presentes, os trabalhadores repetiam em coro as falas das lideranças para que as mensagens chegassem ao restante do público.

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Durante o evento deste domingo, Lula afirmou que a intenção era recuperar episódios daquela época e mostrar às novas gerações que a construção da democracia brasileira esteve ligada à mobilização coletiva de trabalhadores.

Segurança pública é destaque no discurso

A segurança pública ocupou parte importante do pronunciamento. Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública e disse que a medida dependerá da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

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Segundo o presidente, a proposta permitirá ampliar a participação do governo federal no combate ao crime organizado e dividir responsabilidades com estados e municípios.

Lula afirmou que pretende concentrar esforços contra as lideranças de organizações criminosas. Ao abordar a atuação das facções, disse que os responsáveis pelo comando dessas estruturas muitas vezes estão fora das comunidades onde os crimes são executados.

O presidente também associou o enfrentamento à criminalidade a investimentos em educação. A proposta apresentada durante o discurso foi ampliar as oportunidades para adolescentes e evitar que jovens ingressem no crime.

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Soberania nacional também marca o ato

A defesa da soberania brasileira foi outro ponto presente nos discursos de Lula e dos aliados. O tema aparece no contexto de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e de medidas comerciais adotadas pelo governo norte-americano.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que integra novamente a chapa com Lula, também defendeu a soberania durante o evento. Em sua fala, mencionou o Pix e a defesa dos interesses brasileiros.

Antes do presidente, discursaram candidatos e lideranças de partidos aliados. Entre eles estavam Simone Tebet, Marina Silva, Gleisi Hoffmann e Paulo Pimenta.

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Simone Tebet, candidata ao Senado por São Paulo, criticou manifestações de aliados de Flávio Bolsonaro que utilizaram bandeiras dos Estados Unidos. Marina Silva, também candidata ao Senado pelo estado, fez um chamado às mulheres, abordou questões ambientais e pediu apoio à candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista.

A chapa de Lula é apoiada por uma coalizão formada por sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT.

Lula relembra a mãe e períodos em que esteve preso

As lembranças pessoais também tiveram espaço no discurso. Lula falou sobre a mãe, Eurídice Ferreira Mello, conhecida como Dona Lindu, e recordou o período em que estava preso quando ela morreu.

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O presidente também mencionou Deus diversas vezes ao longo da fala. Segundo o material da campanha, a palavra apareceu pelo menos 11 vezes no pronunciamento. O ato contou ainda com a participação do pastor evangélico Kleber Lucas, que cantou ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Lula também estabeleceu uma comparação entre dois momentos em que esteve preso. Segundo o relato apresentado no discurso, durante a ditadura militar o delegado Romeu Tuma autorizou sua saída da prisão para acompanhar o enterro da mãe, em 1980.

Em seguida, o presidente mencionou o período em que esteve preso em Curitiba, em 2019, no contexto da Operação Lava Jato. Na ocasião, ele não recebeu autorização para deixar a prisão para acompanhar o sepultamento do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá.

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Ao tratar do episódio, Lula citou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que havia sido indicado por ele para a Corte.

Presidente fala sobre saúde e faz aceno às mulheres

Durante o discurso, Lula fez uma referência ao tratamento realizado após a retirada de uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo. Ele explicou que utiliza um chapéu para proteger a região da exposição ao sol e mencionou ter realizado radioterapia na cabeça.

Em determinado momento, o presidente decidiu retirar o acessório para cumprimentar o público.

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Outro grupo citado durante a fala foi o das mulheres. Lula defendeu o combate à violência de gênero e afirmou que os homens precisam aprender a respeitar as mulheres.

A educação e a juventude também apareceram no pronunciamento, principalmente quando o presidente tratou de medidas de prevenção à criminalidade.

Público lota arquibancadas do estádio 1º de Maio

O evento contou com a presença de Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Janja, Lu Alckmin e Ana Estela Haddad, além de candidatos e outros aliados políticos.

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Os portões foram abertos pela manhã, e o acesso ao estádio contou com medidas de segurança, incluindo detectores de metal. As arquibancadas, com capacidade para 12,5 mil pessoas, ficaram lotadas antes do início do ato, enquanto parte do público ocupou também o gramado.

Lula chegou ao palco por volta das 10h47 e cumprimentou pessoas próximas às bordas do palanque antes de iniciar o discurso.


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